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segunda-feira, 04 julho 2022
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Uma visão afrofuturista com Cedric Mizero

Cedric Mizero é multitalentoso e conta que as artes já faziam parte de sua vida desde muito cedo. Nascido em Gishoma, em Ruanda, recentemente ganhou os holofotes por ser o designer responsável pelos trajes do filme afrofuturista “Neptune Frost”. Mas esta não é a primeira vez que o artista representa seu país.

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Cedric Mizero

A arte de Mizero combina pintura, moda, texturas e o que mais estiver à sua disposição e fizer parte do seu ambiente. Sua formação não vem de ambientes formais, mas da vida rural ao seu redor que lhe serve de inspiração, além das mulheres e das comunidades menos favorecidas de sua região, a quem ele faz questão de incluir em seu trabalho. E tem dado certo.

Em 2019, ele representou Ruanda pela primeira vez numa instalação internacional – a International Fashion Showcase (IFS) – com o trabalho “Dreaming My Memory” (Sonhando minha memória, em tradução livre), que lhe rendeu inclusive uma premiação.

Outro de seus trabalhos mais recentes é “A New Life in The Village”, também de 2019, que foi exibido em Londres. Suas atividades têm dado tanta repercussão que acompanharam o fotógrafo MOJA em uma exposição na Costa do Marfim o ano passado.

Parte da obra “Religions ambiguity”, de Cedric Mizero. (Foto: MOJA)

Seus trabalhos com moda, apesar de serem uma grande paixão, não lhe rendem retorno financeiro uma vez que ele não tem uma marca e nem comercializa nenhum produto, mas ele é bastante reconhecido por eles, em especial pelo projeto “Fashion for All”, inspirado em seu mantra de que a moda nunca deveria se limitar à certa idade, tamanho, status econômico ou social. Por ora, o projeto está concentrado em Ruanda, mas ele conta que tem um sonho de levar o projeto para outros países africanos.

Mais recentemente, um trabalho que lhe rendeu bastante notoriedade foi a elaboração dos trajes para o filme “Neptune Frost”, no qual ele pôde trabalhar em parceria com os diretores do filme que compartilhavam de alguns de seus principais objetivos: ampliar vozes e quebrar barreiras. Em entrevista, ele conta que, apesar de os diretores terem indicado suas preferências para a elaboração da aparência do filme, ele teve muita autonomia para trabalhar e que viu de perto que todas as pessoas envolvidas no filme tinham sua importância reconhecida, dos membros do elenco às que menos contribuíram para a realização do projeto.

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Neptune Frost

“Neptune Frost” é um filme afrofuturista, de Saul Williams e Anisia Uzeyman, que finca raízes num vilarejo burundês onde hackers se desvencilham dos poderes capitalistas neocoloniais para promover uma revolução cibernética. Regado de verde e azul neon, o filme se concentra principalmente em dois personagens: Neptune, uma pessoa fugitiva e intersexo e Matalusa, que trabalha numa mineração de coltan.

Cena do filme Neptune Frost, cujos trajes foram elaborados pelo multiartista Cedric Mizero. (Foto: Reprodução)

Ambos representam uma fuga: no caso de Neptune, trata-se da fuga do cálculo de gênero binário e, para Matalusa, da exploração de trabalho da mineração. O filme foi lançado no ano passado em Cannes, indicado ao “Queer Palm” e exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto.

Sonhos afrofuturistas

“Neptune Frost” foi originalmente pensado para ser um musical. O projeto deu tão certo, mas tão certo que Cedric conta que, mesmo depois de as gravações terem sido concluídas, ele continuou criando looks, que ele espera poder usar num spinoff ou ainda de exibir num museu. “O filme tem um impacto em como entendemos quem nós somos, onde as pessoas podem vir e olhar os trajes. Esté é um sonho maior”, finaliza o artista.

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Thais Sena
Thais Senahttps://todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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