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domingo, 03 julho 2022
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Erica Malunguinho participa de Movimento III, nova obra cinematográfica de Mario Lopes

A obra Movimento III, que conta com a participação de Erica Malunguinho e outras potências de diferentes continentes, foi realizada durante o período de pandemia. Longe de nós querer sugerir grandes momentos de aprendizado, reflexão e inspiração com todas as desgraças e tragédias e vidas perdidas em decorrência da COVID-19. É mais uma questão de enfatizar novas formas de fazer arte, ou melhor, alternativas pensadas durante um momento de grandes dificuldades físicas, emocionais e financeiras para quem trabalha na indústria audiovisual ou de entretenimento como um todo.

Com assinatura do coreógrafo e diretor brasileiro Mario Lopes, o longa-metragem envolveu mais de 50 pessoas em diferentes lugares do mundo. A produção continua a quebrar barreiras ao apresentar o envolvimento de pessoas negras para além do elenco, na frente e atrás das câmeras.

Uma visão afrofuturista com Cedric Mizero

Movimento III

Entregando um longa-metragem que caminha pelas artes visuais, dança, cinema, música e arquitetura, Mario Lopes acaba de divulgar Movimento III_Celebration: Espumas pós-tsunami. Neste projeto, colaborativo, o coreógrafo e diretor brasileiro reúne potências como Erica Malunguinho,  Leo Castilho, Mahal Pita, Dandara Modesto, Maloka Filmes, Malu Avelar, Maré de Matos, Kelet (Finlândia) e outres grandes nomes para propor um espaço de curas, transformação e, sobretudo, celebração de corpos pretes. 

Mario Lopes é o coreógrafo e diretor de Movimento III. (Foto: Reprodução)

“Sou muito grato por todas essas existências poderosas que tornaram o sonho do filme em uma realidade para sonhar. Mais de 50 pessoas, espalhadas por 4 cantos do mundo, trabalhando com paixão e entrega em plena pandemia. Companheires que, mesmo na exaustão instaurada pelo vírus sindemico, invocaram a esperança… deixando de correr atrás da tal luz no fim do túnel e juntes resolvemos explodir o túnel para que a luz entrasse agora atravessando nossas corpas, corpos e existências aqui, alí e lá. Realizamos uma afrotranstopia”, ressalta o artista.

Guiando o conceito e narrativa, a história contada – sobre um futuro não muito distante – de uma pequena comunidade que sobrevive após uma catástrofe ambiental. Os habitantes, já vitimados pelas violências colonialistas, tentam, por meio do cruzamento de tecnologias originárias e remanescentes da tragédia, promover o bem-estar físico e espiritual de seus membros que foram acometidos por uma doença identificada como PACACO-bi, sequela das violências patriarcais, capitalistas, coloniais, binaristas e mais. 

Todas as cenas foram gravadas, paralelamente, conectando profissionais da Alemanha, Brasil, Finlândia e Moçambique. Mais do que lugares geográficos, estes são lugares do tempo não linear, da interseção de existências, memórias e por vir. 

O resultado é o que Mario chama, como já citado antes, de “afrotranstopico”. “A coreografia cinematográfica surge de um desejo coletivado de realizar o impossível. Ensinaram-me que sonhar é utópico. Afrotranstopia antes de mais nada é realização. É uma questão política realizar sonhos ditos distantes para as existências negras. A real utopia é pensar um mundo onde existências podem executar seu próprio ser. Somos filhos de uma tecnologia afro indígena de povos originários dos dois lados do atlântico. Especulamos nosso futuro de corpas negres. Afrotranstopia é a intersecção entre tecnologias, existências e afrotranscendência. A utopia do ocidente de que está tudo certo e de que existe cura, enfrentamos com tratamentos paliativos. Afinal, celebrar não é a cura, é o caminho mesmo”, finaliza. 

Movimento III está sendo exibido em espaço instalativo e comissionado pela Trienal de São Paulo 2021, por convite da curadora Diane Lima, Thiago de Paula e Beatriz Lemos, com o financiamento e apoio de Secretaría de Cultura da Cidade de Munique – Kulturreferat der Landeshauptstadt München, Promotion Centre for Audiovisual Culture – AVEK, SESC São Paulo, Kenno Filmi, PlattformPLUS France Lyon, Goethe-Institut e Fundação AUE. 

SOBRE MARIO LOPES

Mario Lopes, nascido em São Paulo, Brasil, é um coreógrafo e articulador. Mestrando pela DAS-Choreography Amsterdam, Netherlands Art University. Com mais de 15 trabalhos coreográficos realizados no Brasil, Alemanha, França, México, Suíça e Finlândia, ele tem desenvolvido ultimamente a última parte de sua trilogia “Movimento” em colaboração com artistas em São Paulo, Munique, Maputo, Helsinque e Lyon. Movimento III – celebração, espumas pós-tsunami” estreou em agosto de 2021 como filme no Triennal Frestas no Brasil e abraça o conceito de Afrotranstopia.

Desde 2008 Mario Lopes articula o PlattformPLUS que organiza coletivamente projetos para promover o encontro artístico e residências móveis.

Seus trabalhos incluem: “VRUM(2009)”, “a cidade se move(2010)”, “vrumvrumzinho(2011)”, “ENTRE(2012)”, “TREPP(2013)”, “Movimento I, parado é suspeito(2014)”, performance “Keller(2015)”, “Re_sistir_existir(2016)”, “ALBUM kodex_feedback”(2017)com o coreógrafo mexicano Martin Lanz, “Movimento II, Kodex_Konflikt”(2018), “Deslocamento como coreografia”(2019) com os criadores Marcela Olate, Thais Ushirobira, Maelys Meyer e David Muñoz, performance “SUDAKA” 2019 e “Movimento III_Celebração”(2021). 

Principais eventos com obras convidadas: 2022 – Museum of Contemporary Art Kiasma.  2021 – FRESTA, Trienal de Arte Contemporânea do SESC São Paulo, com a obra coreográfica cinematográfica “Movimento III_Celebração, espumas pós-tsunami”. 2021 – La Biennale de la danse de Lyon, programa público, Seminário “Deslocamento como coreografia” com Anna Konjetzky e Anna Tjé. 2020 – O Teatro BERLINERTREFFEN como coreógrafa e performance na obra de Anta Helena Recke. 2020 – FESTIVAL RADIKAL JUNG como coreógrafa e performance na obra de Anta Helena Recke. 2020 – TANZplattform München, simpósio Transtopie. 2019 – BIENNALE D’ART CONTEMPORAIN LYON, apresentação pública “SUDAKAS”. 2018 – Bienal de Berlim de Arte Contemporânea com o trabalho coreográfico “Movimento I, parado é suspeito”. 2012 – Festival Internacional PAIDÉIA de Teatro para Crianças e Jovens: Uma JANELA PARA UTOPIA com a obra coreográfica “Vrumvrunzinho”. 2011 – 7ª Bienal Internacional de Dança SESC – Brasil com a obra “Entre”.  

Últimas premiações e bolsas: 

-Einzelprojektförderung für Freie Tanzschaffende 2021, Kulturreferat München

-2021 AVEK – Apoio a produções cinematográficas de Helsinki

-2021 Grant Holland Scholarship (Bolsa de estudos da Holanda)

-Bolsa München 2020 – Kulturreferat München

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Thais Sena
Thais Senahttps://todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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