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domingo, 03 julho 2022
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O legado arquitetônico de Tebas

Conheça a história de Joaquim Pinto de Oliveira, ou Tebas, o arquiteto que construiu a Torre da Matriz da Sé.

Conhece Joaquim Pinto de Oliveira? Ou, como ele era conhecido, Tebas? Eu confesso que nunca tinha ouvido falar. Não é curioso pensar o quanto de cultura preta tem dentro da nossa própria cidade sem que a gente conheça?

É claro que sabemos o lugar que o racismo ocupa no apagamento de nossa história. E justamente por isso é tão importante contarmos com projetos negros de resgatar a memória preta da cidade, como a obra do artista plástico Lumumba Afroindígena e da arquiteta Francine Moura.

Tebas

Tebas foi um arquiteto, nascido em Santos, que foi trazido para a capital de São Paulo, atuou nas igrejas do triângulo histórico paulistano, construiu a primeira Torre da Matriz da Sé (1750) e, em 1769, reformou a mesma torre. Como fruto de seu trabalho, ele, que era um homem negro escravizado aos 57 anos, conquistou sua alforria, o que nunca tinha acontecido antes. Esse feito ocorreu 110 anos antes da abolição da escravidão no Brasil.

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Em entrevista ao Metrópolis, o jornalista e escritor Abílio Ferreira descreve que Tebas era tido como uma lenda e só recentemente passou a ter sua humanidade reconhecida. Esta também é outra característica com a qual infelizmente estamos acostumados. Ao atingirmos determinado patamar, somos vistos como sobrehumanos, como se não fosse possível a uma simples pessoa negra chegar à posições tão comuns para pessoas brancas.

Fato é que o trabalho de Lumumba e Francine visa trazer ainda mais popularidade à importância de Tebas para a cidade. Em parceria, eles trabalharam em uma estátua, que será entregue à cidade em 20 de novembro, em decorrência do Dia da Consciência Negra em oficialmente, a partir de 5 de dezembro, na Praça da Sé.

“A ideia principal desta empreitada é afastar, de uma vez por todas, a aura de invisibilidade que repousava sobre a história de Tebas. Um monumento que projeta, em grande escala, a contribuição negra para a cidade em que uma criança, ao passar no local, possa se sentir representada com aquela escultura que pode remeter a um super-herói ou, simplesmente, a um homem importante que existiu e lutou dignamente por sua afirmação e espaço”, ressalta Rita, do Núcleo Coletivo das Artes Produções.

A arquiteta Francine Moura e o artista plástico Lumumba Afroindígena. (Foto: Marcel Farias)

Sobre Lumumba Afroindígena

Mineiro, artista autodidata, 40 anos, tem na conta duas décadas dedicadas ao universo das artes plásticas. Descendente de congoleses, um caso raro de terceira geração, nascido no Brasil, herdou o sobrenome da bisavó escravizada, a congolesa Tereza Lumumba, e também carrega a herança indígena, da etnia Puri-Guarani, da Serra do Caparaó. Sua trajetória começou na pintura de orixás, no suporte juta, em que traduzia os mitos yorubás. Em 2009, ele passa a se dedicar à cenografia como escultor em eventos como: a parada “Momentos Mágicos Disney – Brasil”, Óperas Infantis para o Teatro Municipal de São Paulo, – venceu o Prêmio Carlos Gomes de cenografia com “O menino e os sortilégios” de Ravel– Beto Carrero World, Dreamworks e Oktoberfest. Da visita em 2018 ao Parque Indígena do Xingú, quando foi honrado e participou da cerimônia Kuarup, nasceram as sete obras, feitas na aldeia com pigmentos naturais e que foram exibidas na expo individual, na galeria Matilha Cultural, de São Paulo.

Sobre Francine Moura

Mulher negra, natural de Angra dos Reis (RJ), 43 anos, graduada em Arquitetura e Urbanismo, 20 anos de carreira. No campo da arquitetura, interiores e construção civil, tem experiência em projeto, obra e manutenção predial tanto comerciais, corporativas quanto residenciais. Já atuou com pesquisa e preservação de patrimônio histórico. Possui vivências no campo das artes visuais em direção de arte e cenografia na criação, planejamento, execução e montagem de projetos artísticos e audiovisuais em expressões como evento, exposição, carnaval, espetáculo, cinema, documentário, websérie, videodança, videoclipe, programa de TV e ensaio fotográfico. E também cria e desenvolve figurinos e adereços para espetáculos em geral. É especialista em Educação, Relações Étnico-Raciais e Sociedade com investigação das percepções construídas sobre o corpo da mulher negra e a busca por ressignificações. Também possui especialização em Projeto de Arquitetura na Cidade Contemporânea com pesquisa sobre espaços públicos e coletivos. Tem capacitação em Gestão de Projetos, curso de extensão em Folclore e Cultura Popular e oficinas de Conservação de Obras de Arte e de Produção Cultural. Ama criar espaços, imagens e imaginários e encontra nas formas e cores a melhor maneira de se comunicar com o mundo.

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Thais Sena
Thais Senahttps://todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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