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sábado, 27 novembro 2021
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O Teatro Experimental do Negro

No mês de outubro a criação do Teatro Experimental do negro completa 76 anos, com um legado de resistência, arte e educação para todos.

No Rio de Janeiro, há 76 anos, estava sendo inaugurado o Teatro Experimental do Negro (TEN). A inciativa partiu de um sonho idealizo pelo ator, ativista e escritor Abdias Nascimento. Nascido em 14 de março de 1914, na cidade de Franca, São Paulo. Abdias queria se ver na arte que tanto admirava. Primeiramente, foi a sua determinação que criou uma geração de atores pretos e pretas que estão até hoje representando o povo brasileiro.  O TEN foi a primeira companhia desenvolvida para a inclusão dos afrodescendentes no país. Afinal, foi lá que nomes como Léa Garcia, Ruth de Souza e Milton Gonçalves ganharam a primeira oportunidade de mostrar para que vieram.

A história e legado de Léa Garcia

Antes de mais nada, Abdias nunca foi um conformista, sempre buscou e lutou por mais. Além disso, em 1930 se aliou a Frente Negra Brasileira. Podemos dizer que o seu despertar aconteceu na década de 1940 quando estava no Peru e lá assistiu ao espetáculo “O Imperador Jones”, de Eugene O’Neill. O personagem principal era interpretado por um ator branco com o rosto tingindo de preto, enfim o famoso blackface. A partir desse momento, Abdias se debruçou em um novo projeto.

Ter um teatro negro e mostrar a força de um povo que poderia ter protagonismo na própria história e nos palcos. Porém, em 1941 o ator foi detido na antiga penitenciara Carandiru por um crime de resistência que antecedia a sua viagem ao Peru, provavelmente movido por ligações políticas, já que Abdias era engajado nos movimentos sociais da época. No seu tempo de reclusão ele fundou o Teatro do Sentenciado, onde organizou um grupo de detentos para escrever e encenar os próprios textos. Antes de mais nada, todo o processo foi um aprendizado e um ensaio para a criação do Teatro Experimental do Negro.

Ensaios do Teatro Experimental do Negro

Do até começo ao legado do Teatro Experimental do Negro

Tudo começou no Rio de Janeiro, em 13 de outubro de 1944. Abdias Nascimento inaugurou o TEN, que oferecia o curso de interpretação teatral e aulas de alfabetização. Até os dias atuais o Brasil tem 11,3 milhões de analfabetos, entre eles a maioria são negros. O que Nascimento fez, em 1944, foi unir arte e educação para dar algo significativo para pretos e pretas. A peça de estreia foi “O Imperador Jones”, não poderia ser outra. Afinal, foi a falta de representatividade do espetáculo que inspirou o ator a fundar o TEN.

Mais duas peças de O’Neill foram reproduzidas pelo Teatro Experimental do Negro, “Todos os Filhos de Deus Têm Assas” e “O Moleque Sonhador”. Em 1946, a companhia comemorou os dois anos de fundação estrelando um trecho do espetáculo “Otelo”, de William Shakespeare, com a participação da atriz Cacilda Becker. O teatro passou a focar em produções brasileiras, além disso falava de temas políticos sociais. O “Filho Prodígio” de Lúcio Cardoso é um exemplo, a primeira peça escrita especialmente para o TEN. Afinal, abordava a questão do negro em forma de parábola.

 “Aruanda”, “Filhos de Santo” e “Sortilégio” são as peças mais conhecidas do teatro, além disso foram a base para a escrita da revista Rapsódia Negra. O Teatro Experimental do Negro fez o seu papel, educando e formando artistas conscientes. Entretanto, em 1968 a perseguição politica se agrava, o auge da ditadura militar começa a apertar o círculo e suspender as atividades artísticas. Abdias se vê forçado a sair do país. Em exílio atua como professor universitário, escritor e pintor. Ao voltar para o Brasil se dedicou a carreira politica, eleito deputado pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Seu legado vai além dos livros publicados, das palestras e do tempo no serviço público. Abdias deu voz, poder e arte ao um povo. O TEN formou os artistas que vemos hoje na televisão, abriu portas que nunca mais serão fechadas.

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Maria Angélicahttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Tenho 22 anos, sou nascida e criada no litoral, caiçara com muito orgulho. Além disso, também sou formada em Comunicação Social - Jornalismo. Sempre me encantei com o poder das palavras e por isso sinto que o jornalismo me escolheu, durante a minha breve trajetória profissional tive a oportunidade de contar histórias lindas e é o que pretendo continuar fazendo.
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