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segunda-feira, 23 maio 2022
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Teatro do Incêndio realiza última roda de conversa sobre carnaval

Evento reúne Mestre Zulu, Landão, Batucada de Nego Véio, Fernando Penteado e Mestre Thiago.

O Teatro do Incêndio realiza, no dia 1º de maio (domingo, a partir das 14h) a última Roda de Conversa – cujo tema é Raízes – com mestres da cultura popular, ligados ao carnaval e à construção da identidade cultural do Bixiga (na Bela Vista). Gratuito e aberto à comunidade, o evento acontece na Rua 13 de Maio, no. 48, na sede do teatro, com performance final ao ar livre.

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A Roda Raízes reúne nomes históricos do samba de São Paulo: Batucada de Nego Véio (velha guarda de bambas da Zona Leste que mantém viva as tradições populares do samba), Fernando Penteado(nome cravado na história do carnaval paulistano, enredista e diretor de carnaval e de harmonia na Vai-Vai, embaixador e baluarte do samba), Landão (baluarte da Nenê de Vila Matilde, um dos mais antigos componentes da escola) e Mestre Zulu (o homem da voz inconfundível na apuração dos desfiles das escolas de samba). Na mediação do bate-papo está Mestre Thiago Praxedes – ritmista e diretor de bateria com longa trajetória no carnaval de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Esta atividade encerra a série de sete rodas de conversa, que teve início em outubro de 2021, integrando o projeto Sou Encruzilhada, Sou Porta de Entrada. Sou Correnteza da Vida, Esquina Cortada: Ave Bixiga! – contemplado pela 36ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura. O propósito final do projeto é a montagem do novo espetáculo do Teatro do Incêndio, com estreia prevista para julho de 2022.

  • Batucada de Nego Véio: A velha guarda de bambas, Batucada de Nego Véio, surgiu da necessidade da resistência e preservação dos valores culturais autênticos, expressos nos sambas e nas batucadas da Zona Leste de São Paulo.  O grupo é formado por tradicionais mestres e baluartes que não se enquadram nas modernizações impostas ao movimento do samba e do carnaval paulistano. Desde 2018, o grupo atua na preservação de sambas, melodias, ritmos, batucadas e costumes ancestrais com legitimidade.
  • Fernando Penteado: É filho e neto de fundadores da Escola de Samba Vai-Vai, onde começou sua trajetória, em 1953, e ainda permanece. Participou da transição do Cordão Carnavalesco Vae-Vae para escola de samba, em 1971. No mesmo ano, participou e organizou a primeira disputa de samba de enredo que teve como protagonista Zé Di, Carioca e Penteado – quando começaram as competições, já com participação de Osvaldinho da Cuíca, Geraldo Filme e outros.  Em 1974, a Ala de Compositores foi oficializada, e Penteado foi homenageado com a carteirinha de número um da Ala, da qual chegou a ser Presidente. Na Vai-Vai, atuou como diretor de carnaval, enredista, diretor de harmonia, diretor cultural, diretor social e conselheiro. Participou das fundações da União das Escolas de Samba Paulistanas, da Liga das Escolas de Samba de São Paulo e da Federação das Escolas de Samba (também presidente). Atualmente, é Embaixador-Mestre do Samba Paulista e acadêmico-mor da Academia dos Baluartes do Samba Paulista.
  • Landão: Orlando Balbino da Silva, o Landão, nasceu em 1946, no Bixiga, bairro Bela Vista, e sua mãe foi Rainha da Saracura. Mudou-se para o Largo do Peixe, após o falecimento da mãe. No novo endereço, conheceu o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Nenê de Vila Matilde, onde foi passista, mestre-sala, ritmista, intérprete e diretor geral de harmonia. No Carnaval das décadas de 1950 e 960, desfilou no Vale do Anhangabaú, no Parque do Ibirapuera e na Rua 12 de Outubro (Lapa). Landão foi Rei Momo do Carnaval de São Paulo, Cidadão Samba e Embaixador do Samba Paulistano. É um dos mais antigos componentes da escola de samba Nenê de Vila Matilde.
  • Mestre Zulu: Antônio Pereira da Silva, conhecido por Mestre Zulu, aos 67 anos, exala carisma, transmite seriedade e encanta com sua potência vocal na apuração do samba paulistano. Com formação técnica em Radiologia e Radiodiagnostico, é amante do carnaval paulista: assiste a todos os desfiles com brilho nos olhos. Há 23 anos, Zulu comanda a apuração das notas do carnaval paulistano. “Nunca errei uma nota”, garante, com o orgulho de quem vive pelo carnaval e é capaz de transitar pela cidade sem ser reconhecido, mas se é anunciado vira atração, tamanha a admiração que conquistou. Zulu afirma que a Camisa Verde e Branco é sua única paixão no carnaval. Apesar de ser corintiano doente, não tem relação afetiva com a Gaviões da Fiel: “Sou do tempo em que o carnaval era bom. Não estou dizendo que hoje é ruim, mas tinha coisa que era melhor”. Em 2016, trabalhou como comentarista da Rádio Jovem Pan na transmissão carnavalesca.
  • Thiago Praxedes – Mestre Thiago, iniciou sua trajetória no samba em meados de 1980, quando a Unidos do Peruche descia a Rua Zilda e seu pai, Sr. Jair, era da bateria. Já nos anos 1990, ingressou na Barroca Zona Sul, escola onde militaria por quase 15 anos como ritmista, mestre da bateria mirim e mestre de bateria. Na Barroca, foi ritmista e diretor de bateria (o mais jovem da história a adentrar o sambódromo, aos 21 anos; na ocasião, elogiado por Leci Brandão pela postura e disciplina apesar da pouca idade). Foi também mestre de bateria do bloco Me Engana que Eu Gosto, das escolas Brinco da Marquesa, Morro da Casa Verde e Quilombo, por 10 anos. É fundador da Quilombo e também seu primeiro presidente. No Rio de Janeiro, desfilou pelo Império Serrano, Portela, Mangueira e Vila Isabel. Em 2013, escreveu o livro do sambista Pé Rachado, no ano de seu centenário. Em 2015, fundou o Projeto Remandiola, grupo de samba de notório nos pagodes de São Paulo. Participou de inúmeras gravações como ritmista com destaque para os grupos Quinteto em Branco e Preto e Nossa Chama. Foi homenageado com honraria na Assembleia Legislativa, em 2019, pela Deputada Estadual Leci Brandão, como prestador de serviço ao samba paulista.

Iniciado em abril de 2021, o projeto Sou Encruzilhada, Sou Porta de Entrada. Sou Correnteza da Vida, Esquina Cortada: Ave Bixiga! engloba vivência artística para jovens, residência artística para coletivos teatrais, teatro para crianças e adolescentes (SOL.TE) e rodas de conversa. Sua principal atividade é a montagem de um espetáculo sobre o Bixiga, que resultará de treinamento e pesquisa dramatúrgica, explorando a prática criativa do grupo. Desde o início do projeto, o elenco vem participando de aulas de ritmo, trabalhando na formação de uma pequena e simbólica bateria de escola de samba para compor as sonoridades cênicas do espetáculo. As Rodas de Conversa compreenderam vidas que se manifestam no carnaval, artistas de tradição cujas histórias servem de estímulo em parte importante da dramaturgia e referencial para a atuação no espetáculo. A presença de mestres de velha guarda e de outros componentes de escolas de samba têm como valor agregador não somente histórias da cultura popular, mas principalmente a vida subterrânea que sustenta as manifestações. “Como toda ação de diálogo proposta pelo grupo, esses encontros sobre a riqueza inesgotável da raiz, da cultura e da vida brasileira continuam na trilha da discussão sobre identidade e tensão de um povo em constante construção. Agora afunilamos o tema para carnaval, cortejos, desfiles e variações do samba”, afirma Marcelo Marcus Fonseca.

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Vinícius Gonçalves
Geminiano, viciado em tecnologia, filmes de terror e cinema.
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