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quarta-feira, 08 dezembro 2021
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‘Solano, vento forte africano’ realiza temporada virtual gratuita

Apresentando peça sobre trajetória humana e artística de Solano Trindade, projeto oferece ainda bate papo com quilombos do estado do Rio de Janeiro.

Dois anos após estrear no teatro, volta à cena durante os dias 1º, 02, 08, 09 e 13 de maio às 20h a peça “Solano, vento forte africano” através do YouTube da Casa Poema.

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Com texto de Solano Trindade, Elisa Lucinda e Geovana Pires (que também assina a direção), direção musical de Beá, direção de movimento de Valéria Monã e direção de produção de Damiana Inês, após as apresentações haverá um bate-papo com os representantes dos quilombos do Rio de Janeiro por onde o espetáculo passou e irá passar. As apresentações exibidas são da temporada do espetáculo quando encenado no Teatro Dulcina.

A montagem lança luz não apenas sobre a obra, mas também sobre o aspecto humano e político de Solano Trindade, poeta pernambucano desenvolveu sua múltipla potencialidade artística com o olhar sempre voltado à realidade do negro brasileiro. Interpretado por Val Perré, Solano foi ainda criador do Teatro Popular Brasileiro, de profunda importância para a unificação dos movimentos negros. “Temos uma missão de levar a obra de Solano a todos, dando voz e continuidade, percebendo a mensagem de liberdade e o amor que é latente na sua obra”, salienta o ator.

De maneira cadenciada e auxiliado pela pluralidade musical brasileira, a peça é permeada por música, canto, dança e sapateado, conduzindo o espectador de forma lúdica à trajetória de Solano. A narrativa evidencia episódios marcantes, como seu convívio com a atriz Ruth de Souza, amiga que o abrigava após as manifestações políticas pelos direitos dos trabalhadores; e o momento em que “Mulher Barriguda“, cuja letra é de Solano e compreendida como canção de protesto à ditadura militar, foi gravada pelo grupo Secos e Molhados, em 1973.

Dada sua militância política pacífica, Solano é considerado por muitos o Gandhi da literatura popular brasileira, mesmo tocando em pontos nevrálgicos – dentre eles, a dificuldade de inserção do negro no mercado de trabalho.  “A voz de Solano se faz necessária neste momento porque, infelizmente, tudo que ele falou há 70 anos segue em pauta. O Brasil ainda sofre com essa ferida aberta que é o racismo; os direitos dos trabalhadores estão caindo por terra e o povo vem sendo massacrado. A luta de Solano se dava com armas como a poesia, a palavra e o amor”, ressalta Geovana Pires, diretora e idealizadora do projeto.

Além das cinco apresentações virtuais da montagem, o projeto com recursos aprovados através da Lei Aldir Blanc, por meio doGoverno Federal, do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro ofereceu ainda uma palestra e duas oficinas gratuitas. “Este espetáculo é um grito de liberdade. Creio que a mensagem mais importante é a consciência de que estamos em guerra, que o Estado está dizimando nossa juventude negra e que temos que nos unir para vencer. É urgente e todos estão envolvidos”, finaliza Geovana.

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Vinícius Gonçalves
Geminiano, viciado em tecnologia, filmes de terror e cinema.
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