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terça-feira, 07 dezembro 2021
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Mulher negra “move estruturas há 500 anos”, diz diretora de espetáculo negro

Diretora do espetáculo “Yabá – Mulheres Negras”, Luiza Loroza quer debater lutas contemporâneas da mulher negra através da arte

Luíza Loroza dirige o espetáculo “Mulheres negras”. (Foto: Divulgação)

A partir do próximo dia 12 deste mês, o Teatro Firjan Sesi será palco do espetáculo “Yabá – Mulheres Negras”, uma obra que discute uma série de temas relacionados às mulheres negras como a ancestralidade feminina e a solidão da mulher negra.

O espetáculo foi idealizado por Rodrigo França e tem direção de Luiza Loroza. No palco, 10 mulheres negras dão vidas a personagens com várias nuances que, apesar de diferentes, possuem pontos em comum. Para entender mais sobre o espetáculo o TNM entrevistou a diretora da peça, Luiza Loroza.

TNM: No espetáculo “Yabá – Mulheres Negras” vocês tentam demonstrar, dramaturgicamente, que todas as mulheres negras, independente de sua condição social, possuem pontos em comum. Que pontos são esses? Quais os significados deles?

Luiza: Primeiro algo que parece óbvio, mas no contexto da diáspora-Brasil nem sempre é:  o fato de sermos negras. Isso permeia e define muitas das nossas relações com o mundo e com nós mesmas.

Ser mulher negra no Brasil, significa mover estruturas há 500 anos, guardando segredos ancestrais.

TNM: Quais as principais lutas ou desafios a serem enfrentados pelas mulheres negras contemporâneas e que o espetáculo vai retratar?

Luiza: Temos personagens que trazem várias questões como, o genocídio da juventude negra, a solidão da mulher negra, a hiperssexualização da mulher negra, a estigmatização da imagem da mulher negra como uma mulher forte, sem sensibilidade, a diferença da luta das mulheres negras para a luta das mulheres brancas (no feminismo), violência obstétrica, o silenciamento, a relação com o alimento, a ancestralidade.

TNM: São 10 mulheres interpretando diferentes nuances, visões… Todos nós temos outras possibilidades de existir?

Luiza: Isso nos é sempre negado. Poder fazer isso em cena, é revolucionário.

TNM: Qual reflexão você quer trazer ao debate, ou seja, qual o objetivo do espetáculo para além do entretenimento?

Luiza: É um exercício político-cênico, uma experiência completamente ritual-teatral. Utilizamos das técnicas da cena pra evidenciar e provocar questões que nos perpassam todos os dias. É uma grande reflexão, diálogo sobre o ser mulher negra hoje, aqui e agora.

TNM: Porque o público deve conferir este espetáculo?

Luiza: Porque ele é sobre continuidade. Continuidade de todo um movimento que não começa de agora, no teatro negro. Somos o fluxo continuo da arte negra, aprendemos com nossos ancestrais e seguimos de exemplo pra quem virá.

SERVIÇO:

Espetáculo: “YABÁ – MULHERES NEGRAS”                                                         

Temporada: 12 de março a 12 de abril de 2020

 Horários: Quinta-feira a sábado às 19h / Domingo às 18h

 Local: Teatro Firjan Sesi Centro

Endereço: Av. Graça Aranha, nº 01 – Centro – Rio de Janeiro

Tel.: (21) 2563-4163

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