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domingo, 05 dezembro 2021
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Emicida: “Eu acredito que o hip-hop nunca morre”

Durante coletiva de imprensa, Emicida fala sobre sua indicação ao prêmio BET Awards como Melhor Artista Internacional.

Na última sexta-feira, recebi um convite para participar de uma coletiva de imprensa para falar sobre o BET Awards, que vai ao ar no próximo domingo, 27 de junho, às 21 horas. A coletiva envolvia os três brasileiros de alguma forma ligados à premiação este ano: Djamila Ribeiro, que foi escolhida para ser premiada com o BET International Global Good Award 2021 – Prêmio de Impacto Social; Emicida, que foi indicado ao prêmio “Melhor Artista Internacional”; e MC Dricka, que foi indicada ao prêmio Escolha da Audiência: Artista Revelação Internacional.

Eu fingi naturalidade e confirmei minha presença, mas por dentro tudo em mim estava em êxtase porque eu sou muito fã do Emicida. Tipo, muito mesmo. A ponto de ligar pra minha família pra contar que eu ia “entrevistá-lo”.

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Emicida no BET Awards: Melhor Artista Internacional

Durante a coletiva, Emicida contou que já conhecia a BET há muito tempo porque é uma plataforma muito ligada ao hip-hop, e que ele passou sua adolescência acompanhando o canal. Ainda assim, ele brinca ao se referir ao prêmio, que ele diz ter sido uma surpresa, dizendo “parece que o jogo virou”.

Perguntei como era para ele ser um homem preto num lugar de não-violência no momento em que estamos passando, em que um homem é acusado de ter roubado uma bicicleta e depois tem que provar que a bicicleta é sua. Ele respondeu que, muitas vezes, a atipicidade de sua trajetória faz com que ele seja visto como “um exemplo da possibilidade de vitória”. E nos alerta para o cuidado que devemos ter com esse tipo de análise, pois “a verdade é que a gente vive num contexto de muita desesperança, principalmente quando você tem a pele escura.”

Emicida diz: “Eu acredito que o hip-hop nunca morre.” (Foto: Wendy Andrade)

Mas, ainda que estejamos realmente num contexto de desesperança, em especial pelo fato de o Brasil ter atingido a infeliz marca de 500 mil vidas ceifadas não só pelo COVID-19, mas pela falta de estrutura para uma doença para a qual já estive vacina, Emicida é capaz de nos trazer uma pontinha de fé. Para ele, existir nos lugares em que ele tem existido permite a expansão do imaginário das pessoas. Não que esta seja a solução – e ele enfatiza que não é -, mas que há uma mudança na mentalidade das pessoas, que está aquém do necessário, mas que vem acontecendo.

Como eu vou dizer que o hip-hop morreu vendo isso?

Quando questionei se ele achava que a pergunta “como eu vou dizer que o hip-hop morreu vendo isso?” fazia ainda mais sentido com a indicação desse prêmio, fazendo alusão à faixa “Rinha (Já Ouviu Falar?)”, do álbum “Emicídio”, ele respondeu:

“Eu acredito que o hip-hop nunca morre, sabia? No meu coração, o hip-hop é uma coisa que nasce, renasce e renasce e renasce. Sempre.”

E completa:

“O DJ Clark Kent, se eu não me engano, ele falou uma coisa que eu achei fantástica e eu roubei pra mim. Ele falou que o hip-hop, no final das contas, não inventou nada. Mas o hip-hop reinventou tudo.”

Por fim, ele diz que o que realmente representa o que é ser hip-hop mais do que qualquer outra coisa é a nossa capacidade de reinventar tudo. E que a gente nunca perca essa capacidade.

BET Awards

Em sua primeira indicação ao BET AWARDS, o artista concorre com Aya Nakamura (França), Burna Boy (Nigéria), Diamond Platnumz (Tanzânia), Headie One (Reino Unido), Wizkid (Nigéria), Young T & Bugsey (Reuno Unido) e Yourssoupha (França).

Vale lembrar que o BET Awards vai ao ar no próximo domingo, dia 27 de junho, às 21 horas, e será televisionado pelo próprio BET (que você pode assistir pela Pluto TV) e também pela MTV.

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Thais Senahttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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