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terça-feira, 07 dezembro 2021
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Dêssa Souza apresenta “Camadas”

Com faixas que vão de sons captados dentro de casa à saudações às forças femininas e uma mistura de ritmos, Dêssa Souza lança "Camadas".

Pra mim, é bastante simbólico pode falar sobre o trabalho de Dêssa Souza no dia seguinte à morte de Kathlen Romeu. No meio de uma chuva de posts compartilhando a imagem de Kathlen e sua barriga, já que ela estava grávida, me deparei com publicações como as da escritora Gabriela Moura, que nos faz refletir sobre a “pornografia da dor” e o quão problemática essa prática pode ser pra nossa saúde e também para a falta de ação. A gente publica uma foto da pessoa e sente que cumpriu nosso papel. Mas também vi algumas publicações como as de Isaac Silva, reforçando a importância da lembrança em vida. E foi justamente o que a arte de Dêssa Souza me fez lembrar: a celebração em vida.

Aiace lança clipe de “Pra Curar”

Dêssa Souza

Dêssa Souza é mãe, cantora, palhaça, artista teatral e produtora cultural atuante desde 2006. É evidente a presença de sua multiplicidade em seu trabalho. Sua voz é calma. Suas palavras potentes e certeiras. Em uma poesia cantada em “Meu Chão”, ela diz: “esse chão só é meu porque os seus verdadeiros donos estão em mim”. Só esse verso já me fez viajar pra lugares muito distantes, mas também outros muito próximos a respeito de pertencimento. Quem definiu que a terra tem dono? E quem define quem é dono do que?

Dêssa integrou o movimento de arte e cultura da periferia sul da cidade de São Paulo no ano de 2008 como cantora da Banda Preto Soul. Em 2011, iniciou seus estudos de teatro, música e culturas tradicionais na Escola Popular de Teatro CITA, onde de aprendiz passou a ser integrante da “Trupe Artemanha de Investigação Teatral” até o ano de 2014. Na Banda Preto Soul caminhou ao lado por 10 anos. Já cantou na 40ª Feira do Livro de Buenos Aires, em parceria com o Sarau do Binho – coletivo que esteve ativamente envolvida entre  2008 e 2015. Esteve no projeto Casamento de Chiquinha e Luiz Gonzaga, com o Grupo de Choro Sapato Branco. Gravou na coletânea Mulheres Periféricas Cantam (SP, 2010) e na Coletânea Encontro de Compositores (SP, 2007). Colaborou com o Naipe de Percussões Ilá Dudu do Teatro Solano Trindade (Embu das Artes, SP) sob a direção de Vitor da Trindade. Co-criou o experimento cênico Gingas e Narrativas – 2019. Desde 2014 participa do coletivo teatral Bando Trapos e acaba de criar, dentro do grupo, um núcleo de estudos cênicos para trocas entre mulheres.

No grupo de pesquisa do qual eu faço parte, a gente sempre reflete sobre a importância de a gente ter mais perguntas do que certezas. E tudo o que eu posso dizer sobre “Camadas” é: missão cumprida.

Com faixas que vão de sons captados dentro de casa à saudações às forças femininas, Dêssa Souza lança “Camadas”. (Foto: Sheila Signário)

Camadas

Dêssa Souza cresceu em quintais de terra, com modas de viola tocadas ao vivo perto da fogueira por seu avô e tios-avôs. Nos bailinhos da família, ouvia Johnny Rivers ou Bee Gees direto dos vinis curtidos por seus pais, tios e tias.  Agora, misturando um tanto de sua alma interiorana com as batidas da cultura popular, do rap e da soul music, divulga seu primeiro EP, ‘Camadas’. Composto por 5 faixas, entre autorais e parcerias, registro apresenta essa que é uma mulher preta, mãe, artista, produtora, periférica, de sangue baiano-mineiro-negro-indígena, da poesia, do teatro, das descobertas constantes em torno da ancestralidade e bem mais.

Com faixas que têm sons captados em casa, como “Meu Chão”, que tem até um vídeo poema, à saudação às forças femininas, como “Rio Mulher”, o EP está disponível em todas as plataformas digitais. O EP também pode ser visto em seu canal no YouTube.

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Thais Senahttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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