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quarta-feira, 08 dezembro 2021
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Ninguém quer ver preto na novela da Bahia, quer ver Giovana Antonelli

João Ximenes Braga, vencedor de um Emmy internacional de melhor telenovela em 2013 e funcionário da Globo por 9 anos, viu sua carreira acabar após se recusar a reproduzir um estereótipo racista.

O jornalista, autor e escritor João Ximenes Braga usou suas redes sociais na última semana para denunciar um caso de racismo durante o período em que trabalhou na Rede Globo.

O Emmy é branco?

João Ximenes Braga

Em suas próprias palavras, João Ximenes Braga é escritor, carioca, gay, esquerdopata. Ele também é jornalista e escreveu grandes novelas para a Globo, sendo “Babilônia”, de 2015, sua última produção.

Embora esta última tenha sido a novela em que ele foi o autor principal, Braga também já escreveu outras novelas como “Lado a Lado”, em 2012, e ao lado de grandes nomes como Gilberto Braga e Claudia Lage.

Lado a Lado, inclusive, rendeu ao escritor um Emmy Internacional de melhor telenovela em 2013. Mas nada disso foi suficiente para mantê-lo na Globo depois que ele se recusou a reproduzir um estereótipo que, infelizmente, é bastante conhecido por nós.

“Faz a preta burra”

Em nove anos na mesma empresa, João Ximenes Braga disse nunca ter se recusado a cumprir uma ordem. No entanto, ao receber uma ordem para fazer de uma de suas personagens a “preta burra”, ele disse que era uma nojeira e que isso ele não faria.

Claudia Lage e João Ximenes Braga estreiam como autores em Lado a Lado |  Bastidores | Rede Globo
João Ximenes Braga, vencedor de um Emmy internacional de melhor telenovela em 2013 e funcionário da Globo por 9 anos, viu sua carreira acabar após se recusar a reproduzir um estereótipo racista. (Foto: Reprodução)

É certo que o resultado dessa ação nos é bastante conhecido. No entanto, ainda se faz necessário que esses casos sejam denunciados, discutidos, registrados. Porque essas ordens vêm de cargos que tomam decisões. De diretores. E eles custam carreiras.

Infelizmente, esses casos são tão comuns que, logo após as denúncias, outras pessoas compartilharam suas experiências no post de Ximenes. A ponto de descobrirmos que outras referências, como o fato de terem que ouvir que só gays se importam com histórias de gays ou que ninguém se importa com não haver pessoas pretas em uma novela em Salvador. Vocês se lembram dessa “polêmica”, né? Aparentemente, só o que importa é que a Giovana Antonelli esteja no elenco.

Dá pra parar com essa nojeira?!

Esse parece ser um “bom” (num sentido infeliz da palavra) momento para relembrar a importância de envolver uma equipe diversa nos processos e nos cargos de decisão.

Parece ter acontecido uma pequena “revolução” porque agora a gente vê gente preta em comercial de xampu e em propagandas no transporte público e acha que as coisas estão mudando. Mas pense nas marcas em que você notou essa transformação. Você já viu relatos dessas empresas falando sobre contratações de pessoas negras para coordenadores? Gerentes? Diretores? Porque, enquanto isso não acontecer, a gente vai continuar reclamando nas redes sociais enquanto eles continuam achando que tudo bem reproduzir estereótipos da preta burra, do negro mágico, da criança negra sem família e sem história, do preto fraficante. E sabemos que isso causa prisões indevidas por porte de Pinho Sol ou que mulheres pretas sejam arrastadas em viaturas da polícia. E isso precisa parar.

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