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Maquiagem sem tabu: descubra as cores ideais para o seu tom de pele

Mulher negra de batom azul, vermelho ou rosa? Não importa o tom da maquiagem o que vale é você se sentir bonita.

Aline Tófalo – Maquiadora profissional

Juliana é negra e ouviu de uma amiga que ficava parecendo um palhaço de batom vermelho. Mariane passou nervoso durante a maquiagem do seu tão sonhado dia da noiva, o maquiador se recusava a atender os pedidos da cliente alegando que negras só ficavam bem de sombra dourada e que batom vermelho chamava muita atenção. Aline ouviu de um instrutor que maquiagem colorida só para peles brancas e Thais ouviu de uma vendedora que a marca não fabricava tons de base para peles negras porque mulheres negras não precisavam de base. Toda mulher negra que gosta de maquiagem ouviu um dia alguma destas frases e muitas outras que na verdade fazem parte de um racismo estruturado que tenta nos deixar de fora da estrutura social. Existe um olhar colonizador sobre o corpo da mulher negra, um olhar que nos exotifica e nos coloca num lugar de subalternidade dificultando que sejamos vistas como seres humanos. Se nem a nossa maquiagem podemos escolher o que falar sobre direitos?

A socióloga estadunidense, feminista Patricia Hill Colins explica que para nos fortalecer e resistir a essa desumanização é necessário valorizar a consciência que temos de nós mesmas através de uma autodefinição. Conhecer a si mesma, além de fortalecedor, pode te livrar desta norma colonizadora. Quem pode e deve saber qual o tom do batom, a intensidade da sombra e a cor do rímel é você. Queremos ser livres para decidir o que fica ou não bonito em nossos rostos e queremos encontrar marcas vendendo produtos que atendam as nossas necessidades e profissionais preparados para nos atender.

Carol Romero, maquiadora especialista em pele negra

Carol Romero é maquiadora e especialista em pele negra. Em anos de trabalho já ouviu muitos tabus racistas, desde que a pele negra é muito sebosa e não segura base até a clássica do batom vermelho que não fica bonito em negras. “Quando comecei a maquiar profissionalmente decidi assumir a postura de especialista em pele negra e percebi que os olhares mudaram pra mim. Até cheguei a ouvir de um maquiador famoso que eu deveria maquiar todo mundo e não só as negras. Eu já estava dentro do mercado, eu via a necessidade de saber maquiar as negras. Eles, os maquiadores brancos, não conseguem entender o viés de manifestação da minha dedicação a uma povo que foi segregado no país”, explicou a maquiadora.

A relação da mulher negra com escolhas é um processo recente, aos poucos estamos conseguindo dizer em alto e bom tom o que queremos. Somos uma parcela considerável da população. Juntas, negras e pardas, somam mais de 55 milhões de brasileiras com potencial de ditar ao mercado o que vamos ou não comprar.  É importante que a gente se posicione e boicote marcas que insistem em não nos representar. Eu mesma fiquei anos sem comprar nem um sabonete se quer de uma famosa marca de cosméticos (O Boticário) por não produzirem maquiagens para o meu tom de pele. Se não me representa eu não compro, e ponto. Quero ser vista enquanto consumidora e enquanto profissional, pois além de ter maquiagens para a minha pele também quero ver mulheres negras ocupando cargos de destaque nestas empresas.

Mulheres que gostam de maquiagem podem gostar de cores lindas e fortes, de gloss bem marcado, de batom vermelho, azul, preto ou verde.  A gente gosta de boca com efeito de vinil, de pálpebras bem coloridas, de ficar iluminada seja com sombra clara, preta ou dourada. Tem dias que a gente acorda e não quer passar nada e já se sente bonita e em outros dias a gente quer passar tudo o que tem direito. A maquiagem ideal para o seu tom de pele é aquela que você passa e se sente linda. É aquela que te faz radiar em qualquer momento e em qualquer lugar.

Musas inspiradoras

Nossas leitoras são nossas musas.

Ta vendo estas divas? Se você gosta de maquiagem, aproveita para se inspirar e amar. A maquiagem que te faz bonita é aquela que te faz feliz.

 

Pra quem quer ler mais sobre Patricia Hill Collins…

Winnie Bueno – A relevância de Patricia Hill Collins para o ativismo intelectual de mulheres negras

 

 

Cris Guterres é jornalista, escreve semanalmente neste espaço bem preto, come brigadeiro desesperadamente, ama ler revistas e fica linda de batom azul.

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