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sexta-feira, 03 dezembro 2021
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Inscrições nos cursinhos comunitários e o sonho da Universidade de qualidade

Desde a semana passada, com o resultado do Sisu, minha timeline mostra a conquista de amigos e conhecidos na tão sonhada vaga da universidade pública e de qualidade. Desde que entrei na Unesp, em 2005, compreendi que mesmo sucateada, a universidade pública oferece uma formação mais ampla porque obrigatoriamente desenvolve não apenas o ensino, mas também pesquisa e extensão. Dediquei-me à pesquisa desde o primeiro ano da graduação. Todos os professores eram doutores ou pós-doutores. E o mais importante, pelo menos pra mim, a universidade oferecia programas de assistência estudantil como moradia gratuita e bolsa para ajuda de custos, ou seja, eu recebia um singelo salário para estudar. Parece um sonho não é? Mas existe.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Comecei a entender essas diferenças entre as universidades em 2003, quando ainda no ensino médio eu cursei o Educafro, núcleo Praia Grande. Aulas de cidadania me ajudaram a compreender que sim, eu sou negra, e a decidir que o curso de Ciências Sociais era mesmo “a minha cara”. Em 2016, morando em São Paulo, resolvi dedicar parte de meu tempo de doutoranda para lecionar no Uneafro, núcleo Jabaquara. E assim, o mundo vai girando e nós da periferia que sonhamos com um ensino de qualidade vamos conseguindo habitar as fissuras do sistema.

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Foto: Reprodução

Nunca fui do tipo que acha que todos devem ir para as universidades. Mas luto sim, para que tenhamos o direito de escolha. Quando eu morava no Tude Bastos, na rua sem asfalto e saneamento, a universidade parecia um sonho muito distante. Depois descobri que é uma estratégia do sistema fazer-nos pensar que aquilo não é pra pessoas como nós. Depois no mestrado a mesma coisa. E sobreviver lá dentro? Com todas as opressões possíveis e imagináveis. Mas eles não podem nos impedir de estar lá. Por isso, se você quer a universidade, pública ou não, busque-a. Encontre as brechas do sistema e crie uma estratégia para ultrapassar esse grande muro falacioso da meritocracia.

Estão abertas as inscrições em cursinhos comunitários como Educafro e Uneafro. Se essa é sua vontade, realize com todo afinco que conseguir ter. Ano que vem, espero vê-lo na minha timeline como mais um preto e pobre a ingressar na universidade pública.

Serviço

Educafro – Pré inscrições pelo site

Uneafro – Pré inscrições pelo site

Aqui também tem um vídeo lindo que o Uneafro fez para inspirar os próximos alunos!

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