Cinema

Respeitem as mulheres negras do audiovisual

Contemplado pelo Prêmio Especial do Júri no 45º Festival de Gramado, o curta “Cabelo Bom” dá luz ao empoderamento da mulher negra a partir das madeixas crespas. Nesse sentido, distintos tom de pele preta e diferentes texturas capilares compõem a estética que se opõe ao racismo numa constante disputa simbólica.

Foto: Reprodução/Facebook

Foto: Reprodução/Facebook

“Mais do que os depoimentos, a potência de Cabelo Bom está nas fotografias em movimento de mulheres negras, com distintos tons de pele e texturas capilares. Elas olham para a câmera, rompendo a quarta parede, chamando aquele que assiste para fazer parte da experiência, rompendo a mediação; devolvemos a elas o olhar, de um espelho, para o qual elas manipulam seus crespos. Ao se olharem e receberem um olhar horizontal, acolhedor, elas e nós saímos fortalecidos”, aponta a crítica disponível no site do Itaú Cultural, escrita por Heitor Augusto.

A produção, que tem direção de Claudia Alves e Swahili Vidal, aborda com sensibilidade a força materializada nos fios crespos. De acordo com Diogo Laranjo, amigo da codiretora da obra, “A mensagem é linda e só é possível porque a Claudinha tem o mesmo lugar de fala dessas mulheres. Ela é quem garante a legitimidade do discurso e a sensibilidade que só uma diretora negra poderia dar para o filme.”

Esse discurso não seria necessário se Claudia Alves não tivesse sido apagada. Se não fosse mulher. Mais ainda se não fosse mulher negra. A publicação no facebook de Diogo foi necessária para alertar o silenciamento da mulher negra no audiovisual. Segundo ele, Claudia foi apagada e apenas o diretor, homem, foi creditado em algumas artes. Inclusive, na divulgação e na ficha técnica da indicação no Festival de Gramado, o nome da diretora não teria sido citado por limite de caracteres.

“No festival do Rio foi o mesmo problema. A última entrevista sobre o filme, que fala sobre empoderamento feminino, ela não foi convidada – convidaram o outro diretor e o produtor, ambos homens”, completou Diogo em sua postagem.

Foto: Reprodução/Facebook

Foto: Reprodução/Facebook

Nesse dia da mulher, portanto, nosso reconhecimento e nossa gratidão à Claudia Alves, representando todas as ainda poucas mulheres negras no audiovisual que, com seu “Cabelo Bom”, têm resistido às investidas de um sistema racista, machista e elitista que se prolonga inclusive às artes. Que esse curta seja lembrado pela dedicação de quem não só dirigiu, mas pesquisou e viveu as histórias contadas. “Cabelo Bom” foi dirigido por uma mulher negra e por um homem negro, o que já representa uma grande conquista. No entanto, não se pode abordar raça sem gênero ou gênero sem raça.

 

 

 

 

 

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