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Beyoncé reina em apresentação histórica no festival Coachella

“Obrigada por me deixarem ser a primeira mulher negra como atração principal do Coachella”.

Esta frase foi dita por Beyoncé durante seu memorável show no Festival Coachella que aconteceu este final de semana na Califórnia, Estados Unidos. Foi a primeira apresentação da rainha após os gêmeos e fez o planeta tremer com a qualidade técnica, musical e estética que Beyoncé ostentou.

O Festival Coachella existe desde 1999 e se firmou como um dos festivais mais rentáveis do mundo. A última edição rendeu mais de 100 milhões de dólares. O evento é basicamente uma junção de pessoas ricas e famosas se divertindo na California. Um levantamento feito pela empresa de viagem No.1 Currency mostrou que o Coachella é o festival mais caro do mundo. Quanto mais caro, mais branco. O festival é tipicamente um evento branco. A presença de Beyoncé enquanto mulher negra como atração principal de um festival como este é um marco. E a cantora soube muito bem aproveitar este momento e fez com que o festival exibisse uma atração completamente negra, ou como diriam os afro americanos, Bey foi unapologetically black, o que nós poderíamos entender como negro sem remorso ou sem medo de ser bem negro.

As referências negras no palco

Foram muitas referências negras do início ao fim. Beyoncé colocou no palco uma faculdade historicamente negra. Eu chamaria de Universidade Beyoncé Knowles. Nos Estados Unidos, em razão da segregação racial os negros não eram aceitos nas Universidades predominantes brancas, surgiram então as faculdades historicamente negras no fim do século 18. Nos EUA a maioria das faculdades têm bandas Marciais com tamborins, trombetas, saxofones, trompetes e líderes de torcida, e este foi o cenário do show, cem bailarinos minuciosamente cadenciados e organizados em uma arquibancada vestidos referenciando uma banda marcial.

. (Photo by Larry Busacca/Getty Images for Coachella )

“A maioria das faculdades tem bandas de marchas, mas nas faculdades historicamente negras as bandas são bem diferentes, a dança é diferente, a música é bem diferente, o show inteiro foi baseado nesse conceito.Uma pessoa branca que assistiu o show não entendeu o que estava acontecendo, foram muitas referências negras”, explicou Kiratiana Freelon, jornalista e correspondente norte americana no Brasil.

Nas universidades norte americanas também é comum a formação dos clubes estudantis. Os homens formam as fraternidades e as mulheres formam a sororidade. Beyoncé trouxe seu clube estudantil ao palco. Em suas roupas um brasão com a imagem da Nefertiti, uma pantera negra em alusão ao Black Panther Party, um punho negro cerrado que é o símbolo de enfrentamento e resistência do povo negro e uma abelha rainha que é como a cantora é carinhosamente chamada pelos fãs, este seria o brasão da sororidade. A atriz e cantora Thalma de Freitas viveu a emoção do show bem perto do palco. “A rainha abelha fez história ontem, a primeira mulher negra a ser o artista principal no Coachella trouxe pro palco a sororidade dela. Este grupo é uma formação de mulheres negras nas universidades que se organizam pra se dar apoio emocional, financeiro e estrutural.  É muito antigo, tem mais de cem anos esta organização.  Ela trouxe bem na frente e no peito. Ela trouxe raiz, trouxe a família toda. Foi sensacional e perfeito, eu to chocada, de queixo caído até agora”, nos contou Thalma.

 

Os figurinos

Quando entrou no palco vestida de Nefertiti o deserto gritou. A foto mais compartilhada nas redes sociais este domingo é a imagem de Beyoncé em pé ao palco vestida como Nefertiti, a rainha do Egito. O estilista Isaac Silva comentou o figurino do show. Isaac é uma das revelação da moda brasileira e responsável por vestir a nossa rainha, Elza Soares.

“O figurino casou muito com a performance. Se tem uma coisa que fora do Brasil se preocupam muito é com o visual, eles dão muita prioridade ao visual. E aí você tem o retorno da rainha Beyoncé no maior festival de música do mundo vindo com um look bem rainha do Egito. Uma Nefertiti moderna e pantera negra, brilhando muito e pronta pra guerra do palco dela. Quem assinou o figurino dela foi o Olivier Rousteing, estilista da Balmain. Ele é um menino negro francês, era assistente do Christophe Decarnin, antigo estilista da marca, e quando assumiu ele quis trazer mais representatividade para as mulheres negras na passarela e a Beyoncé o escolheu ele porque ele é o estilista das mulheres poderosas. Eu estou extasiado com este show dela”, comentou Isaac.

Acompanhe os comentários de Isaac para cada um dos figurinos do show. 

@isaacsilva_br: Ela veio com um look bem rainha do Egito, Nefertiti mesmo, brilhando muito, pronta pra guerra do palco dela.

@isaacsilva_br: No segundo look ela veio meio colege, com um short, uma bota maravilhosa e um casaco de moletom amarelo, incrível.

@isaacsilva_br: Tem dois looks total black, bem panterona. O mais interessante é o brasão, uma puta sacada com várias referências. Da pra fazer várias coleções com as referências de cada um destes figurinos.

 

@isaacsilva_br: Pra finalizar vem Beyoncé com suas duas grandes amigas do Destiny’s Child. Que look é esse??? Estampa militar toda em brilhos, super bem coordenada.

Comentários por,

Isaac Silva, estilista e jovem revelação da moda brasileira

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