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Teatro I Três crianças criam brincadeiras enquanto recontam as histórias da avó – TNM

Fotos: Tatiana Plens

 

Ilu ( batida/tambor)  Okan (coração)

“Estamos num quintal. Podemos dizer que esse quintal é mágico, alguma espécie de feitiço o protege, da forte chuva que cai lá fora. Podemos ouvir o vento rugindo brincalhão pelas ruas da cidade, sentimos o ar fresco e límpido que purifica o espaço”

Três crianças, netos da mesma vó, inventam brincadeiras enquanto recontam as histórias que a vó contou, em algum outro dia e lugar.

Nosso ILU OKAN * O QUE MINHA VÓ CONTOU, é um encontro com a memória das histórias que reinavam no imaginário da avó.

A avó já não está mais. Talvez as crianças saibam, talvez não. A medida que as histórias são contadas vamos tecendo os acontecimentos do presente, pela relação que as crianças estabelecem com um lugar fora do quintal, onde está acontecendo um velório. Elas, apartadas do velório, vão recontando histórias  de heroínas e heróis  negros; Sundiata (descendente de família real do Mali), Dandara (guerreira, companheira de Zumbi dos Palmares), Janaina ( em referência a Iemanjá, divindade africana, mitologia Ioruba/região da Nigéria e Benim).

As crianças se divertem, cantam, e recriam a seu modo, as histórias como quem recolhe pedaços soltos de uma colcha de retalhos, na busca de sentido para a falta da avó, inscritos em uma poética cênica com tons de um realismo fantástico que a tudo permeia.

O quintal cenário está instalado sobre um grande “mapa” colorido, linhas sinuosas, quase abstratas, que delimitam o que seria, na sua porção maior o Continente Africano, dentro dele um espaço menor o Brasil, dentro deste um espaço ainda menor  a cidade de Sorocaba.  Esse mapa, sendo a representação do solo sagrado, ancestral, a raiz, o chão que nos segura, que nos mantêm. O solo para o qual seremos levados/deixados, após a vida chegar ao fim.

Fotos: Tatiana Plens

Os tambores também estão presentes, são eles que dão o tom das falas, o ritmo da natureza, a ginga dos corpos. Com eles “conversamos”, são eles que “monitoram” as batidas dos corações e das histórias. As crianças (Babu, Malaika, Zuri) com ele se relacionam e por eles são levadas nas brincadeiras cíclicas em volta do “mapa”.

Esses tambores ancestrais funcionam como um quarto personagem

Os figurinos são todos brancos. O branco da paz, o branco dos filhos de santo, o branco símbolo da pureza, o branco do ritual, o branco que reflete todas as cores. A  a esse figurino base, são agregados adereços que constroem os personagens de cada uma das história que as crianças vão contando. As crianças brincam de ser outros, sugerindo uma metalinguagem, com “histórias dentro da história” sobrepondo a narrativa, somando em dois os planos de ação cênica.

Essa é nossa “batida do coração”, homenagem a todas as nossas ancestrais negras, avós de todos nós.

Fotos: Tatiana Plens

 Direção

O espetáculo está sob a direção de Lena Roque, diretora, atriz, arte educadora e escritora, formada em teatro pela ECA/USP. Em seus 32 anos de trabalho no teatro atuou sob a direção de Naum Alves de Souza, Renata Melo, Cristiane Paoli-Quito, Roberto Lage, William Pereira, Bruno Barreto, José Rubens Siqueira entre outros. Na TV, fez novelas, seriado e telefilme (Globo, Record, SBT, TV Cultura), além de séries na MTV, HBO e Canal Brasil. No cinema participou dos longas “Domésticas” de Fernando Meirelhes e Nando Olival, “Quanto, Vale ou é Por Quilo?” de Sergio Bianchi, “De Passagem” de Ricardo Elias, “Bom dia Eternidade” de Rogério Moura ,“Todos Nós Cinco Milhões” de Alexandre Mortágua. Escreveu os textos, “Impressões”, “Alto-Falante”, “Autópsia”, e “Louca de Amor, Quase Surtada”. Dirigiu “Você tem Medo de Quê” de Cristina Mutarelli, “O Caminho Perfeito” de Demi, “Impressões”, “Louca de Amor, Quase Surtada”, “O Diário Íntimo de Lima Barreto” de Ricardo Gonzaga, “A Oração” de Arrabal, “Alto-Falante”, “A Disputa” de Maurivaux. Iluminadora, formada pelo CPT-Sesc. Estudou com Yuri Butusov, Sandro Borelli, Yoshi Oida, Judith Malina, Marilena Ansaldi, Klauss Vianna, Sotigui Koyaté, Kazuo Ono, entre outros. Recebeu o prêmio de melhor atriz pelo filme “Domésticas” no Festival de Cinema de Recife.

 

SINOPSE 

Malaika, Babu e Zuri, netos da mesma vó, inventam brincadeiras e canções enquanto recontam, a seu modo, as histórias que a vó contou, em algum outro dia e lugar. A avó já não está mais. A medida que as histórias, das heroínas e herói negros são contadas, vamos tecendo os acontecimentos do presente, pela relação que as crianças estabelecem com um lugar fora do quintal, onde está acontecendo um velório e onde elas não podem ir.

 

Grupo Trança de Teatro 

Com o projeto ILU OKAN _ O QUE MINHA VÒ CONTOU tem como objetio fomentar a reflexão, investigar, criar e discutir temas e questoes pertinentesao negro brasileiro e os desdobramentos historicos racial na sociedade contemporanea.

Incentivar o fazer teatral tendo como eixode pesquisa o negro, sua historia e as questoes etnico racial social.

Assim por meio da palavra, sonoridade e plasticidade que invadem a cena/palco onde a ficção e a realidade se mesclam utilizamos das artes cenicas para propiciar ao espectador conhecimento e sensibilidade.

 

Serviço

Dia: 09 e 10 de Junho

Local: Barracão Cultural 

Endereço: Av. Dr. Afonso Vergueiro, 310, Centro, Sorocaba – SP

Horário: 16h 

Entrada Gratuita 

 

Direção: LENA ROQUE
Dramaturgia Processual: DAIANA MOURA
Atores: CLARICE SANTOS, FERNANDA BRITO, MARCO ANTONIO FERA
Músico: FÁBIO SERRA
Músicas Originalmente Compostas: MARCO ANTONIO FERADJ KINDER, OZIEL ANTUNES e CLARICE SANTOS
Consultor de Pesquisa: SALLOMA JOVINIO SALOMÃO
Cenografia: PAULA DE PAOLI

Pintura arte/Montagem cenário: ALESSANDRA SIQUEIRA
Figurinos: ISA SANTOS

Preparação Corporal/Coreografia: SORAYA MACHADO
Preparador Vocal: JÚLIO MOURA
Visagismo: ÉRICA RIBEIRO

Iluminação: LUIZ FERNANDO

Operador de Luz: MÁRCIO MORAES

Direção produção audiovisual: RENNAN CASTRO

Assistente direção audiovisual: ANA REI

Direção de fotografia/Pós-produção: RAFAEL AUGUSTO
Fotografia/Designer gráfico: THIAGO THELLES
Assessoria de Imprensa: JULIANA MACEDO
Produção Executiva: QUELLI BEDESCHI

Idealização e Coordenação Geral do Projeto: MARCO ANTONIO FERA

 

 

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