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Crime virtual: ataque racista a alunos da UniCarioca

Intitulada “Quando foi que a UniCarioca deixou de pertencer à elite branca e passou a ser infestada por favelados, mulatos, negros cotistas, PROUNI e FIES?”, publicação do site ‘Rio de Nojeira’ (https://riodenojeira.com) dá um show de racismo, machismo e homofobia. Escrito por um administrador que se identifica como ricwagner1, o post expõe alunos negros da UniCarioca, com link para suas redes sociais, sob acusações como tráfico de drogas. Dentre as vítimas, alunos de jornalismo, computação, contabilidade, dentre outros cujo curso não é citado, todos negros, além de um professor.

O texto, repleto de preconceito, se inicia com o incômodo de ricwagner1 sobre a ascensão da população negra, com a entrada nas universidades: “Tem me incomodado muito o tipo de gente que vejo quando entro no campus da UNICARIOCA. Como meus pais e avôs diziam, antes a elite branca, gente bem-apessoada, de boa condição socio-econômica e educação refinada, habitavam a Universidade Carioca e tornavam-a um oásis de prozas ricas e produção científica e cultural. No entanto, o que hoje eu vejo são apenas negros e mestiços, que entram por COTA, PROUNI e FIES; ou seja, mesmo com baixo rendimento acadêmico, seja no ENEM ou em qualquer outro Processo Seletivo, estes cotistas, negros pobres, conseguem entrar na UNICARIOCA, por completo desmérito, com aquele velho pretexto da “dívida histórica” que a comunidade afrodescendente tanto clama”.

Sobre um aluno, ricwagner1 foi, além de racista, homofóbico. Em entrevista ao G1, a vítima de racismo e homofobia declarou: “O racismo é nojento. Eu tenho 25 anos e nunca tinha sofrido isso de forma direta. Além de racismo, recebi uma ameaça de morte na legenda e ele me chamou de homossexual, eu não sou homossexual. Homossexual não é ofensa, mas ele quis colocar como se fosse, pra ter homofobia ali. Agora vamos correr atrás da justiça, procurar esse criminoso, porque racismo é crime”. As vítimas do ataque declararam ainda ao site que pretendiam registrar ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) na última segunda-feira (8).

Esse não foi o primeiro ataque do site ‘Rio de Nojeira’. A plataforma contém publicações extremamente preconceituosas e a ousadia do administrador assusta: uma das publicações afirma “Não adianta denunciar meu site na Polícia. Eu gozo de impunidade e o site vai continuar online”. Dentre o conteúdo, há também outras matérias machistas, racistas e homofóbicas.

No final do texto de ataque aos alunos da UniCarioca, o administrador racista declarou: “Me desculpem se acabei com a apetite de vocês com as 7 fotos de sujeira acima. Eu também senti muito nojo ao ver as fotos e hoje acho que nem vou conseguir comer nada. Agora imaginem você passar o dia com esses seres sujos… É isso que acontece na minha vida. Ainda bem que estudo à noite e assim consigo pelo menos almoçar, porque depois da aula ao ver e sentir o cheiro rançoso desses pretos sujos eu não consigo comer nada”.

Nojo temos nós de alguém que expõe seus preconceitos sem sequer dar as caras. A população negra, que compõe mais da metade do Brasil, vai permanecer adentrando universidades e resistindo a comportamentos e manifestações de ódio como a de ricwagner1. Muita força aos alunos e professores negros da UniCarioca! Resistimos.

A página de denúncia dos crimes virtuais à Polícia Federal parece estar fora do ar. Portanto, denunciem ao Safernet, um órgão não governamental que também defende e promove os direitos humanos na internet: http://new.safernet.org.br/denuncie 

 

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