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terça-feira, 03 outubro 2023
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“Casa da Vó” inaugura a Wolo TV

“Casa da Vó” inaugura serviço de streaming Wolo TV, o primeiro focado na população negra.

Não sei vocês, mas, hoje, enquanto a Wolo TV ainda não está no ar, eu sofro procurando por produções negras nos serviços de streaming. Sim, é verdade, hoje a oferta é muito maior. Os adolescentes do meu convívio falam, por exemplo, sobre Sangue e Água e eu discuto sobre Insecure com as minhas amigas. Quando eu era adolescente, a referência era Eu, A Patroa e as Crianças, Todo Mundo Odeia o Cris e Um Maluco no Pedaço (aliás, guarde este nome). Esqueci algum?


A oferta é muito maior, mas a procura também é. A cada nova descoberta de Nollywood, a cada nova produção de Spike Lee, ficamos com um gostinho de “quero mais” e vamos correndo para as opções de títulos semelhantes quando um filme ou série acaba para saber o que mais podemos consumir daquele tipo! Mas a verdade é que na grande maioria das vezes, acabamos descobrindo que as produções não foram assinadas por uma equipe negra, que a maior parte das pessoas por trás das câmeras eram brancas ou não encontramos algo do mesmo tipo disponível.

Antes da Wolo TV…

Lembro de assistir a uma entrevista, se não estou enganada, da Michaela Coel, em que ela falava sobre seu desejo de que uma pessoa negra pudesse ocupar um papel no entretenimento sem que isso envolvesse necessariamente uma questão racial. Simplesmente porque aquela pessoa é talentosa. Como geralmente acontece com pessoas brancas. E aí, levada por essa onda natalina, acabei assistindo ao filme “Missão Presente de Natal”, que estrela a atriz, cantora, modelo e dançarina Kat Graham, que é mais ou menos essa ideia. Porque ela trabalha para o governo americano, ocupa uma posição importante, trabalha para outra mulher (para agradar uma perspectiva superficial ~e branca~ do feminismo), se envolve em um relacionamento interracial… E, bom, para dizer o mínimo, o filme é ruim e reforça muitos estereótipos das maravilhas dos Estados Unidos. E eu tô falando tudo isso pra dizer que ter uma atriz negra como a principal de uma produção não é suficiente. Precisamos estar nos processos que antecedem a atuação.

A chegada da Wolo TV

E é por isso que a Wolo.TV é tão importante! A Wolo TV é a primeira plataforma de streaming com conteúdo focado na população negra. Assuntos como cultura urbana, diversidade regional e de narrativas fazem parte do conteúdo exclusivo da Wolo TV.

E não é só isso. Vocês lembram da polêmica envolvendo a produção Cara Gente Branca, que fez uma oferta salarial ao ator negro Jeremy Tardy inferior às feitas a outros atores brancos, caindo precisamente na hipocrisia que a série condena? Esse e muitos outros casos denunciam que essa é uma questão estrutural. Precisamos de produções negras, como é o caso da primeira produção da Wolo TV, mas também precisamos de pessoas negras liderando os serviços de streaming. E é isso o que acontece na Wolo TV.

Licinio Januário – Diretor e cofundador e CCO da Wolo TV.jpg (Foto Divulgação Wolo)

A importância de um serviço de streaming negro

A Wolo TV é uma startup de tecnologia e plataforma de streaming fundada pelo ator e diretor Licínio Januário em parceria com Leandro Lemos, que possui mais de 20 anos de experiência na área de tecnologia no Brasil e Estados Unidos.

A Wolo TV tem como objetivo ser uma plataforma de streaming com a cara do Brasil. O país tem a maior população negra fora da África, entretanto, a comunidade negra ainda é sub-representada pela mídia brasileira. É o que lembra Leandro Lemos, CTO da Wolo TV:

“A população negra consome em média R﹩ 1.7 trilhões por ano, mas ainda não vemos séries de TV que mostram famílias negras em posição de sucesso. É por isso que decidimos desenvolver um conteúdo audiovisual inovador e de alta qualidade que nos represente como população negra”, ressalta.

A grande maioria das pessoas envolvidas na série “Casa da Vó”, na frente e atrás das câmeras, são pretas. (Foto: Júlio Limiro)

Casa da Vó

A primeira produção audiovisual que será lançada pela Wolo TV é a comédia A Casa da Vó. A série de 5 episódios, com duração de meia hora cada, é protagonizada pela cantora Margareth Menezes, a avó Teresa, uma ex-funcionária pública, bem-sucedida, que abriga seus 4 netos em sua casa, no bairro do Jabaquara, para ajudá-los a enfrentar o mundo.

A série ainda nem foi ao ar e já tem causado (ou ao menos está relacionada) a movimentos nas redes sociais. Recentemente, alguns influenciadores negros denunciaram a disparidade de engajamento entre pessoas negras e não-negras. Uma dessas denúncias tinha a ver com o número de seguidores de estrelas de grande importância para a arte brasileira, como o ator, cantor, apresentador e empreendedor Sérgio Loroza, mas com um número incondizente de seguidores do Instagram.

Bem, numa data bem próxima à estreia de Casa da Vó, estes influenciadores voltaram a se manifestar para questionar a quantidade de seguidores de Margareth Menezes. No início da exposição, Margareth tinha 255 mil seguidores. Com menos de 1 dia de campanha, seu número de seguidores já aumentou em quase 15 mil. Percebe a importância de a gente se ver representados e se unir?

Voltemos à série. A comédia conta com os influenciadores digitais Johnny Kleiin, Jessica Cores, Dj Pelé, Sol Menezzes, Kiara Felippe, Jacy Lima, Cadu Libonati, Diego Becker e tem participações especiais do rapper e produtor musical Rincon Sapiência, do ator Wilson Rabelo e do influenciador digital Dum Ice. Há outros nomes conhecidos por trás das câmeras, como os diretores de fotografia Sergio Isidoro e Cris Conceição. Cris atuou recentemente em M8 – Quando a Morte Socorre a Vida, longa-metragem concorrente à vaga brasileira ao Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro” em 2021.

Inspirações

Escrita pelo co-fundador e CCO da Wolo TV, o ator e diretor Licínio Januário, junto com Allex Miranda, Erica Ribeiro e Milena Anjos, a série é parte da iniciativa de produzir narrativas positivas e representativas para a população negra no Brasil e no mundo. “No Brasil, um jovem negro é morto pela polícia a cada 23 minutos. Isso é real. O mundo não sabe disso. Para mudar essa realidade, precisamos mudar a política e a mídia. Estamos trabalhando com a Wolo TV para usar a tecnologia e a mídia para mudar como pessoas negras são representados por aqui”, afirma Januário.

A produção foi inspirada nos sitcoms americanos Todo Mundo Odeia o Cris e Um Maluco no Pedaço. Vou aproveitar pra dizer que, originalmente, Um Maluco no Pedaço se chama The Fresh Prince of Bel-Air, que é algo como “o mais novo príncipe de Bel-Air”. Vocês percebem a sutileza na diferença de chamar o Will Smith de príncipe no nome original e depois distorcê-lo para “só mais um maluco” ao trazer a série para o Brasil? Mais uma vez, vemos a importância da representatividade para além da atuação.

O lançamento de Casa da Vó será hoje, dia 25 de dezembro, às 19h, na plataforma da Wolo TV. O primeiro episódio será gratuito e os quatro seguintes serão liberados mediante pagamento único à preço popular. Para assistir a série, os usuários precisarão acessar o site da Wolo TV no celular, tablet ou computador.

E esse é só o começo… Outras produções da Wolo TV já estão em produção! #EstamosAtentos

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