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segunda-feira, 06 dezembro 2021
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Por trás de WAP, de Cardi B e Megan Stallion

Se você tem menos de 18 anos, melhor conferir com a sua família se tá tudo bem ler essa matéria. Mas, até aí, seria bom discutir se tudo bem assistir WAP também, né? Tem gente que chega nessa idade sem saber que mulheres transam.

A VEVO lançou, na semana passada, um vídeo contando um pouco dos bastidores das gravações de WAP. WAP foi o primeiro single de Cardi B em 2020, em parceria com a rapper Megan Thee Stallion. O vídeo estreou no YouTube em 7 de agosto e já passou de 274 milhões de visualizações.

Mulheres no hip-hop internacional

WAP e suas polêmicas

Em primeiro lugar: com uma perspectiva sexual feminina, WAP causou desconforto a políticos conservadores nos Estados Unidos, que queriam proibir a reprodução da música. De acordo com a Forbes, Cardi B e Megan fizeram história:

  • WAP foi a primeira colaboração exclusivamente feminina no rap a alcançar o primeiro lugar na lista da Billboard.
  • Também foi a segunda colaboração exclusivamente feminina na história da música a entrar para o primeiro lugar da Billboard.
  • Cardi B e Megan estão num grupo beeeeeeeeem seleto de 4 rappers femininas a fazer um hit alcançar o primeiro lugar: antes disso, já em 2020, Nicki Minaj alcançou este feito com “Trollz”. E antes delas? Lauryn Hill, em 1998. Isso mesmo, levou só 22 anos pro fato se repetir.
  • Cardi B foi a primeira rapper a lançar hits que alcançaram o primeiro lugar na Billboard em décadas diferentes (antes disso, ela já tinha feito história com “Bodak Yellow”, em 2017 e “I Like It”, em 2018).
  • Cardi B é a rapper com a maior concentração de hits que alcançaram o primeiro lugar na Billboard: além de WAP e das faixas que já mencionei aqui, ela também chegou no topo da lista com “Girls Like You”.

Influencer, né, mores

Além de tudo isso, Cardi B também foi eleita pela Time como uma das pessoas mais influentes de 2020. E no que é que os políticos americanos se concentraram? No fato de que ela fez uma música dizendo que mulheres transam. É, gente, não sei se vocês já sabiam disso antes de ouvir WAP, mas mulheres transam, gostam de transar, gozam e tá tudo bem.

Quer dizer, não tá tudo bem. Porque temos milhares de casos de abuso e violência contra a mulher que parecem não incomodar tanto quanto o fato de a Cardi B fazer uma música dizendo que fica excitada.

Cardi B and Megan Thee Stallion's "WAP" and History of the Pussy Anthem |  Miami New Times
Cardi B e Megan Thee Stallion em WAP. (Foto: Reprodução)

WAP, o making off

Desculpem, me exaltei um pouco. Voltemos ao título desta matéria. A direção do vídeo ficou com Colin Tilley. Ele diz ter usado diferentes referências para produzir o estilo do vídeo, como, por exemplo, Tim Burton, de quem ele diz ser fã. Vou aproveitar pra lembrar que Tim Burton é racista e que, durante algumas entrevistas polêmicas, até lançou um argumento de racismo reverso? Claro que sim.

O Washington Post fez um compilado de coisinhas que Burton já disse por aí, como, por exemplo, o fato de dizer que assistiu a vários filmes da cena Blaxploitation sem reclamar que não tinha gente branca ali. Também vou aproveitar pra lembrar a todes que O BLAXPLOITATION FOI CRIADO JUSTAMENTE PORQUE NÃO HAVIA PAPEIS NEGROS E PARA PERSONAGENS NEGROS EM HOLLYWOOD. Ah, ele também disse que não acredita que a diversidade é importante. O que é importante é contar a história. Só queria fazer esse lembrete mesmo para a próxima vez que vocês forem assistir algum filme com um senhor que mete racismo reverso na conversa. E com um outro que aparece bastante nas produções dele e bate em mulheres.

Olha, eu juro que tô tentando manter a calma. Enfim, a Cardi B também contou que teve algumas ideias para qual seria o gancho da música antes de se decidir por WAP. Ela diz ter conversado com algumas artistas femininas antes de tomar sua decisão de usar “pussy” (que significa “buceta”) váááááárias vezes na letra e por fim acabou concluindo que “não consegui pensar em nada melhor, então tanto faz”.

Moda

Uma questão muito importante durante toda a produção do vídeo foi os estilos dos figurinos e do clipe em si. Com os atrasos em decorrência da pandemia, muitos pacotes demoraram para chegar, mas estavam vindo de todos os lugares do mundo. Cardi B diz que “queria mostrar meus peitos, mas também queria que fosse de bom gosto”.

As cores também foram inegavelmente escolhidas de propósito. O objetivo era que fosse bem colorido mesmo. Outra questão que adicionou um desafio extra às gravações foi o fato de o clipe ter sido gravado durante a quarentena. Mas eles avisam que tomaram todas as medidas de precaução e que toda a equipe foi testada.

Os favoritos

No vídeo, vemos participações especiais de Kylie Jenner, Normani, Rosalía, Mulatto, Rubi Rose e Sukihana. Cardi B diz que a escolha foi feita pensando no desejo em mostrar mulheres diferentes, ou seja, trazer diferentes contextos mesmo. E ela diz ter ficado contente com o resultado, retratando várias mulheres felizes. Sei lá, às vezes é importante lembrar que a gente pode ser feliz também, né?

Cardi B conta que seus momentos favoritos do clipe foram os solos que ela e Megan fizeram. Ela diz que sabia que seria o máximo, principalmente por conta da decoração de guepardo de seu solo e de tigres no solo de Megan. E que elas trabalharam duro por isso!

Conta aqui se você também tem um momento favorito desse vídeo!

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Thais Senahttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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