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segunda-feira, 06 dezembro 2021
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Vizinhança do Barulho, o filme

Vizinhança do Barulho é uma cópia de Todo Mundo em Pânico? É uma crítica? É uma paródia? Leia na íntegra para entender.

Vizinhança do Barulho é uma paródia afro-americana de 1996 que parece muito com os filmes Todo Mundo em Pânico. Ah não, mas espera aí. A primeira produção de Todo Mundo em Pânico aconteceu em 2000, então acho que são eles que se parecem com Vizinhança do Barulho, não é mesmo?

Enfim, Vizinhança do Barulho faz paródias de outros filmes afro-americanos como Juice e Above The Rim (que estrelam ninguém menos que 2Pac), Faça a Coisa Certa e Jungle Fever (de Spike Lee), South Central, Higher Learning (com o rapper Ice Cube), Sem Medo no Coração (com 2Pac, Janet Jackson e Regina King), New Jack City: A Gangue Bruta (com Chris Rock), Dead Presidents (com Keith David, que interpreta o Bishop, em Greenleaf), Sexta-Feira em Apuros (que Ice Cube produz e estrela) e principalmente Os Donos da Rua (com Ice Cube e Cuba Gooding Jr.) e Perigo para a Sociedade (com Jada Pinkett e Samuel L. Jackson). Quer saber mais sobre Vizinhança do Barulho? Acompanhe a seguir.

Que tal conhecer algumas produções africanas?

Vizinhança do Barulho: elenco e produção

Desde o começo, dá pra ver que o filme é para nós, mas que também somos responsáveis pela produção. Nesse caso, estamos falando mais especificamente dos irmãos Wayans. Os irmãos Wayans são mundialmente famosos pelas produções que já fizeram e suas atuações na comédia. Por aqui, quem ficou mais famoso foi Damon Wayans, em decorrência de seu papel como Michael Kyle em Eu, a Patroa e as Crianças. Já no caso de Vizinhança do Barulho, tanto a produção quanto os papeis principais ficaram nas mãos de Shawn e Marlon Wayans. Mas não para por aí: alguns dos atores que atuaram nos filmes em que a paródia foi baseada aparecem interpretando personagens parecidos com os que tiveram nos filmes originais.

A história de uma vizinhança do barulho

É nítido que o filme foi feito por nós e para nós. Por quê? Tem muitos símbolos que dizem respeito tanto à nossa cultura quanto a algumas de nossas nem sempre felizes experiências. A história é sobre Ashtray, um jovem que vai morar com o pai, em um bairro da periferia para, nas palavras de sua mãe, “aprender a se tornar um homem”. Daí, já identificamos dois estereótipos: a mulher negra forte que de cara já diz que teve dois empregos por muito tempo para sustentar o filho e o manter longe das ruas. E também tem pai, com quem Ashtray não parece ter muito contato e que tem uma idade muito próxima do próprio filho, indicando uma paternidade precoce.

Reprodução de estereótipos ou crítica?

Em alguns momentos, o filme pode parecer meramente a reprodução dos estereótipos a respeito de pessoas negras. Temos pais ausentes e irresponsáveis. Há também a relação entre mulheres e sua liberdade sexual e a discrepância entre homens que se comportam da mesma maneira. Temos um jovem que tem um comportamento comum ao que associamos a um dependente químico. Um outro que tem um discurso militante e só se relaciona com mulheres brancas. Ou ainda o jovem que está prestes a se tornar o primeiro do bairro a ir à universidade.

No entanto, em alguns momentos somos surpreendidos, às vezes por falas comuns em paródia, como quando a mãe de Ashtray responde a ele que eles não se verão novamente porque o filme não representa mulheres negras boazinhas ou quando Ashtray está chorando e diz estar tentando receber o prêmio de melhor ator, mas também por outras falas e cenas que retratam, por exemplo, o sonho dos personagens de deixarem o bairro e se mudarem para um lugar melhor ou ainda como a violência policial está sempre presente para levar seus sonhos embora, seja num tiroteio com bandidos ou na universidade.

Parece com a sua vizinhança?

Bem, Vizinhança do Barulho não está disponível nos serviços de streaming do Brasil. Mas o YouTube tem, entre outras coisas, opções com as melhores cenas. O filme nos faz refletir sobre questões como o desejo de viver uma vida melhor, nossa relação com a branquitude, com a violência, a normatização do tombamento dos corpos, com uma pegada de humor que é característica dos irmãos Wayans. Isso sem contar que a trilha sonora do filme alcançou, na época de seu lançamento, o #18 lugar na Billboard e o #3 em álbuns de R&B e hip-hop dos Estados Unidos.

Gostou? Nós também! Por isso, lançamos uma camiseta na Loja TNM em homenagem aos irmãos Wayans no filme! Clica na foto pra ir direto para o site e conhecer as cores disponíveis (e, caso ainda não tenha assistido ao filme, confira para entender porque escolhemos esta imagem).

Clique na imagem para ir direto para o site e conferir as outras cores!

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Thais Senahttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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