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sábado, 27 novembro 2021
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Tracy Reese fala sobre moda antirracista

Mesmo em sua cidade natal, Detroit, a estilista Tracy Reese se sente deslocada às vezes. Ela atribui essa sensação de deslocamento à minoria de pessoas negras em muitos dos lugares que frequenta, ainda que Detroit seja uma cidade predominantemente negra. A gentrificação tem sido rápida na cidade: de lugares badalados como novos restaurantes à empresas de mídia ou tecnologia, ela diz ser comum ser a única presença negra nos estabelecimentos.

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Ainda assim, a designer fez recentemente um grande investimento na cidade: uma linha sustentável, chamada Hope For Flowers. Além disso, Reese, aos 56 anos, é parte do conselho da organização sem fins lucrativos Makers United, sobre a qual ela evidencia que, embora a cidade esteja passando por um momento de renascimento, a população de antigos artesãos não tem se beneficiado disto, por isso a necessidade da iniciativa.

A organização atua em diversas idades e visa atacar as disparidades ocasionadas pelo racismo na moda. Reese já falou anteriormente sobre as microagressões sofridas em sua carreira, seja por ser ignorada em certa medida pelas organizações e pela mídia ou por não ser levada a sério por investidores ou ainda por ser evitada em eventos e que muitas vezes recebia olhares como se fosse louca por enxergar racismo em estabelecimentos que não eram racistas.

No entanto, Reese se sente inspirada na nova geração de estilistas negros que, segundo ela, “estão exigindo igualdade agora. Não estão interessados em esperar pacientemente ou em comprar em estabelecimentos que não são convidativas a pessoas negras e pessoas de cor. E eu concordo – é hora de ser impaciente.”

Durante a entrevista, Reese diz que, para que a moda seja verdadeiramente antirracista, “deve começar celebrando suas fontes de inspiração ao invés de se apropriar e seguir para a próxima tendência. Ao invés de celebrar aquelas culturas e os artesãos e designers dessas culturas, a moda tem historicamente se apropriado da arte em si e a reproduzido de uma maneira ocidental. Todos nós somos culpados por isso. Ao invés de tomar a voz de alguém, deveríamos convidá-lo para a roda, deixá-los expressar suas próprias vozes e celebrá-los.”

Reese também fala sobre sua perspectiva sobre os donos de negócios na moda: “Precisamos olhar para a nossa cadeia e as pessoas com quem fazemos negócios e questionar: ‘essa organização com a qual sou afiliada é diversa?’ Podemos exigir que eles diversifiquem e que reflitam a nós e ao público que servem.”

ViaElle

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Thais Senahttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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