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quinta-feira, 02 dezembro 2021
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Djamila Ribeiro na Trace Brasil com produção TNM

Em novembro, foi ao ar o primeiro episódio da série "Como ser antirracista?", produzida pelo TNM e estrelada por Djamila Ribeiro para o canal Trace Brasil e o Boticário

“Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É preciso ser antirracista.” Eu sei. Você já deve estar cansada/o/e de ouvir essa frase. Essa é uma frase de certa repercussão na internet, que ficou ainda mais famosa após o assassinato de George Floyd, que ocasionou em uma série de manifestações ao redor do mundo. Mas o que significa ser antirracista? Quem é que pode apontar atitudes antirracistas? O TNM produziu uma série de quatro episódios, exclusiva para a Trace Brasil e a convite da Boticário, com ninguém menos que Djamila Ribeiro respondendo à pergunta “Como ser antirracista?”

TNM e Trace Brasil

Primeiramente, para quem não sabe, o TNM, além de um portal de notícias, é também uma produtora. Em 2016, o Anderson (Jesus) criou o portal como um projeto de conclusão de um de seus processos de formação. Como resultado, o projeto permanece até hoje compartilhando e produzindo conhecimento focado em entretenimento negro.

No mês de novembro, foi ao ar o primeiro episódio da série produzida por nós, a convite da Trace Brasil e da Boticário, e estrelada pela filósofa, professora universitária, feminista negra, escritora e acadêmica Djamila Ribeiro, chamada “Como ser antirracista?”

Além disso, o TNM está para lançar outras produções e parcerias em breve! Sendo assim, fica de olho aqui no portal!

A Trace Brasil é um canal de TV a cabo que produz e compartilha cultura afro, jovem e urbana no Brasil. O canal chegou ao Brasil em julho deste ano, no entanto, a marca existe desde 2003.

Trace Brasil e Djamila Ribeiro

O primeiro episódio se chama “Racismo estrutural e luta antirracista”. Nele, Djamila fala sobre a importância de um posicionamento antirracista para uma sociedade menos desigual para todos nós.

É claro que este assunto já está em pauta há algum tempo. A própria Djamila tem uma coleção de livros a respeito deste assunto. Ela também lançou este ano o livro “Pequeno manual antirracista”. Muitas outras pessoas também têm se posicionado neste debate. Ou questionado sua posição. Esse é outro ponto que Djamila gosta bastante de pontuar: lugar de fala. Não no sentido de delimitar quais pessoas devem ou não participar de determinado debates, mas no sentido de enfatizar que diferentes pessoas têm diferentes pontos de partida, diferentes perspectivas. Afinal, essa é uma questão importante a ser considerada na sociedade em que vivemos.

A importância de uma mulher negra como protagonista

Por isso também a importância de uma mulher negra, filósofa, professora para participar deste debate. Djamila fala sobre a diferença entre racismo e preconceito. Lê Carolina Maria de Jesus já neste primeiro episódio. Faz uso de um vocabulário que faz com que a gente não normatize a posição das pessoas negras sequestradas da África e trazidas para o Brasil ao chamá-las de “escravas”. Ela diz “escravizadas”. Porque ser escravo não é uma condição natural de pessoas negras. E, se você discorda do ponto de vista dela, tudo bem também. Ela mesma já falou sobre isso em outros momentos, como em entrevista ao Roda Viva.

Anderson Jesus, AD Junior, Djamila Ribeiro e Alberto Pereira na gravação de “Como ser antirracista?” para a Trace Brasil. (Foto: TNM)

A importância de mais de uma mulher negra como protagonista

Neste programa, ela reitera seu discurso ao reforçar a importância de lermos autoras e autores negros. Primeiramente, para não cairmos no que Chimamanda Ngozi chama de “O perigo da história única”. Também para relembrarmos os ensinamentos de nossos ancestrais. E para avançarmos no discurso a ponto de não mais termos que repetir a importância de uma sociedade antirracista.

Há algum tempo, assisti a uma entrevista com a Taís Araújo em que ela falava sobre como tinha prazer em ser precursora de algum projeto enquanto uma mulher negra. Como, por exemplo, quando era convidada para ser capa de uma revista que nunca havia colocado uma mulher negra naquele lugar. Mas ela também falava que não sentia o mesmo prazer ao receber o mesmo convite pela segunda vez e perceber que este espaço não estava sendo aberto a outras mulheres negras.

Recentemente, assisti também a uma entrevista entre Silvio de Almeida e Emicida, em que Emicida dizia “eu luto pra não ter que lutar”. Então que iniciativas como estas sirvam para que, um dia, finalmente, a gente não tenha mais que lutar.

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Thais Senahttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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