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Refugiados lançam o livro “Narrativas: Exílios e Encontros” sobre suas histórias e cultura, no sábado (5)

A obra foi selecionada pelo Rumos Itaú Cultural. Ao todo são cinco autores contando as experiências de serem refugiados

A iniciativa partiu da jornalista e Mestre em Estudos Linguísticos Carla Alessandra Cursino e da doutora em Estudos Linguísticos Bruna Pupatto Ruano. O objetivo é permitir que cada um conte a sua história por uma ótica de protagonismo. No Brasil, existe uma crença do país acolhedor, mas a realidade deve ser mostrada: a falta de políticas públicas somada ao preconceito racial contra os refugiados culminam em situações como o assassinato brutal do congolês Moïse Kabagambe, de 24 anos.

Essa união serviu para proporcionar um conceito de abrigo entre os participantes. O lançamento está marcado para o dia 5 de fevereiro (sábado), às 14h, no canal do Youtube, em uma live com a participação das idealizadoras desse projeto contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2019/2020.

A obra, autobiográfica e plurilíngue, foi escrita por cinco refugiados residentes em Curitiba (PR) e região: Gloire Nkialulendo, da República Democrática do Congo, Myria Tokmaji, da Síria, Russel Cerilia, do Haiti, e Maiker Gutierrez e Ninoska Pottella, ambos da Venezuela. Os autores também participam do bate-papo, onde compartilham histórias de vida e seus processos migratórios. A publicação estará disponível no site.

Carla Alessandra Cursino, professora de português para migrantes e refugiados desde 2014 em projetos desenvolvidos pela Universidade Federal do Paraná, conta que sempre se incomodou pelo fato dos refugiados serem tratados, de um modo em geral, como uma massa homogênea de vulneráveis. “São características que reforçam preconceitos e comportamentos xenófobos e, consequentemente, provocam a desvalorização do que essas pessoas trazem em sua bagagem e, em alguma medida, sua individualidade e desumanização”, explica.

Esse sentimento foi o ponto de partida para Narrativas: Exílios e Encontros, que tem como objetivo proporcionar uma nova experiência de refúgio a indivíduos que se viram obrigados a abandonar seu idioma, morada, seu país em busca de uma possibilidade de vida. O verso do poeta sírio Adonis, que diz “Tudo o que não escrevi, esqueci e é isso agora que me escreve”, também serviu de inspiração para a criação do projeto, que convidou os autores para, desta vez, migrarem para dentro de si, encontrando refúgio em suas memórias, trajetórias e identidades.

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Residências artísticas: Como foi preparação da escrita dos refugiados?

Como nenhum dos cinco participantes é escritor profissional, em um primeiro momento, Carla Alessandra Cursino e Bruna Pupatto Ruano, a primeira Mestre e a segunda Doutora em Estudos Linguísticos, organizaram em quatro encontros on-line, uma residência artística conduzida pelo ator e músico Conde Baltazar e pela psicóloga Elaine Schimitt.

Refugiados escreveram o livro Narrativas: Exílios e Encontros, pelo projeto do Rumos Itaú Cultural | Foto: Divulgação
Refugiados escreveram o livro Narrativas: Exílios e Encontros, pelo projeto do Rumos Itaú Cultural | Foto: Divulgação

Nos encontros, foram trabalhadas quatro temáticas: Descobrindo a criança: reviver a infância, Quem eu fui e quem eu sou: pensar sobre acontecimentos que marcaram seu processo de formação pessoal, Atravessar as fronteiras e ver o Brasil: rememorar a migração e a chegada ao Brasil e Vislumbrar o porvir: projeções para o futuro.

Depois de refletirem sobre os assuntos propostos, iniciou-se a oficina de escrita criativa comandada por Carla e Bruna. Nessa fase, elas se reuniram com cada autor individualmente, para pensarem os processos de escrita. “Deixamos todos muito livres para escreverem o que quisessem, a partir das emoções e memórias surgidas na residência, no gênero textual e no idioma que preferissem”, conta Carla. “Além disso, os autores gravaram em estúdio alguns textos que ilustram suas memórias. Têm, por exemplo, cantigas de infância, rezas, poemas e canções autorais.”

Como resultado de todo esse processo, surgiu Narrativas: Exílios e Encontros, um livro criado por muitas mãos e corações, plurilíngue – escrito em português, crioulo haitiano, francês, lingala, árabe e espanhol –, composto por diversos gêneros literários, como crônicas, poemas, cartas, entrevistas, e multimodal, com texto escrito, texto oral e fotos.

Refugiados escreveram o livro Narrativas: Exílios e Encontros, pelo projeto do Rumos Itaú Cultural | Foto: Divulgação
Refugiados escreveram o livro Narrativas: Exílios e Encontros, pelo projeto do Rumos Itaú Cultural | Foto: Divulgação

Sobre o Rumos Itaú Cultural

Um dos maiores editais privados de financiamento de projetos culturais do país, o Programa Rumos, é realizado pelo Itaú Cultural desde 1997, fomentando a produção artística e cultural brasileira. A iniciativa recebeu mais de 75,8 mil inscrições desde a sua primeira edição, vindos de todos os estados do país e do exterior. Destes, foram contempladas 1,5 mil propostas nas cinco regiões brasileiras, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa.

Os trabalhos resultantes da seleção de todas as edições foram vistos por mais de 7 milhões de pessoas em todo o país. Além disso, mais de mil emissoras de rádio e televisão parceiras divulgaram os trabalhos selecionados.

Na última edição, de 2019-2020, os 11.246 projetos inscritos foram examinados, em uma primeira fase seletiva, por uma comissão composta por 40 avaliadores contratados pelo instituto entre as mais diversas áreas de atuação e regiões do país. Em seguida, passaram por um profundo processo de avaliação e análise por uma Comissão de Seleção multidisciplinar, formada por 23 profissionais que se inter-relacionam com a cultura brasileira, incluindo gestores da própria instituição. Foram selecionados 92 projetos.

SERVIÇO:

Rumos Itaú Cultural 2019-2020

Live de lançamento do livro Narrativas: Exílios e Encontros

Dia 5 de fevereiro (sábado), às 14h

Em: https://youtu.be/-FWQL9QeRBs

Livro disponível em: www.projetonarrativas.com.br

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Maria Angélicahttps://todosnegrosdomundo.com.br
Tenho 22 anos, sou nascida e criada no litoral, caiçara com muito orgulho. Além disso, também sou formada em Comunicação Social - Jornalismo. Sempre me encantei com o poder das palavras e por isso sinto que o jornalismo me escolheu, durante a minha breve trajetória profissional tive a oportunidade de contar histórias lindas e é o que pretendo continuar fazendo.
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