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quarta-feira, 08 dezembro 2021
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“Que Boca na Cena?” estreia na Maré

Programa antirracista voltado a gerar renda para artistas negros, a primeira edição mareense do evento acontece de 23 a 26 de Janeiro, apresentando cenas e falas de artistas locais.

Elaborado para gerar renda para artistas e trabalhadores da cultura e expandir a circulação de um repertório de excelência artística e de pensamento crítico, o evento “QUE BOCA NA CENA? – EDIÇÃO MARÉ” acontece entre os dias 23 e 26 de Janeiro através do canal do YouTube do Museu da Maré.

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Com realização da Corbelino Cultural em parceria com o PUD – Psicanalistas Unidos pela Democracia e patrocínio da Prefeitura do Rio / Secretaria Municipal de Cultura (SMC-RJ) via Lei Aldir Blanc, a primeira edição do evento na Maré realiza três dias com apresentações de artistas negros independentes moradores do Complexo de favelas da Maré, selecionados através de convocatória pública e escolhidos pela curadoria fixa, formada por Juliana França e Natasha Corbelino, e pela curadoria convidada – composta por Renata Tavares, do projeto Entre Lugares, e Claudia Rose, diretora do Museu da Maré.

“’Que boca na cena?’ é um projeto que pretende urgentemente se instaurar como prática antirracista continuada, confabulando uma escritura social, estética e financeira que atue para além das hashtags. É uma pergunta, uma ferramenta, uma estratégia, uma plataforma, um programa virtual que tem por objetivo gerar conversas e desmantelar a rota (já viciada) do capital”, explica Natasha, da Corbelino Cultural, idealizadora do projeto.  “Buscamos deslocar, assim, o caminho para fora do pavimentado pelas curadorias das ações e equipamentos culturais hegemônicos, que têm seus olhares voltados, majoritariamente, para trabalhos e artistas já com seus espaços estabelecidos e consolidados”, reforça Juliana.

Em todas as três noites de evento, o grupo anfitrião “Projeto Entre Lugares” abre a programação com uma cena curta. Logo depois acontece a apresentação dos artistas selecionados, seguida de conversa com trabalhadores e estudantes de teatro mareenses, também escolhidos por convocatória. Nos dias 25 e 26, o projeto ainda oferecerá uma oficina de instrumentalização na plataforma Zoom para artistas, técnicos da cultura e professores, como motor para, neste momento, ampliar as possibilidades de geração de renda no novo campo de trabalho que se impõe: o virtual.

“A partir deste edital emergencial pensamos num movimento importante: abrir frestas de remuneração financeira em tempos pandêmicos. Então, criamos um projeto que prevê a circulação de obras e a circulação financeira entre o maior número de pessoas. São muitas as cenas agora. Tanto quanto sempre foram muitas as cenas. É preciso circular pelos acontecimentos – e são muitos os centros. Que boca na cena? A cena de que boca?”, questiona Natasha. “E a relação que a proposta constrói com a pesquisa de linguagem nos impulsionou para articularmos parcerias com instituições onde a educação é matéria essencial, em relação continuada com a cultura. Chegamos, então, ao Museu da Maré, ao Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM) e ao projeto Entre Lugares”, pondera. “A programação coloca a arte da favela no foco, o protagonismo local em diálogo e trocas para além do território”, complementa Cláudia Rose. 

Contemplado pelo “PRÊMIO A PROJETOS DE FOMENTO A TODAS AS ARTES”, da Prefeitura do Rio, Secretaria Municipal de Cultura (SMC –RJ) via Lei Aldir Blanc, do Governo Federal, o evento, por fim, provoca o público num convite a refletir e se deixar afetar. “Realizar o evento na Maré é afirmar que a favela faz parte da cidade e que a cidade depende da favela”, pontua Renata Tavares. “Esta edição na Maré tem me possibilitado um deslocamento outro: sair da invisibilização causada pelas curadorias dos ‘grandes’ editais e viabilizar que corpos pretos, assim como o meu, possam mostrar suas produções artísticas e serem remunerados por isso”, finaliza Juliana. 

As apresentações acontecem de 23 a 25 de janeiro a partir das 19h pelo canal do YouTube do Museu Maré e as oficinas acontecem dia 25 e 26 de janeiro das 10h às 12h pelo aplicativo Zoom. Para mais informações, acesse o Instagram @quebocanacena.

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Vinícius Gonçalves
Geminiano, viciado em tecnologia, filmes de terror e cinema.
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