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sábado, 04 dezembro 2021
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Quantas vezes assassinaram Marielle?

Em março deste ano, o Brasil teve tomada a vida de Marielle Franco, vereadora e militante pelos direitos dos negros, mulheres e LGBTs. Com ela, o motorista Anderson Gomes também foi brutalmente assassinado.

Com a execução, foram levantados movimentos como “quem matou Marielle?” e “por que mataram Marielle?”, tendo em vista principalmente as denúncias realizadas pela vereadora, na defesa de uma parcela da população recorrentemente ignorada – e violentada – pelo Estado.

O país chorou a morte de uma mulher que infelizmente boa parte só conheceu após a morte. Uma militante que lutava por causas que boa parte dos brasileiros desconhecia: o genocídio da juventude negra, representado principalmente pelas constantes chacinas das quais todos esquecem rapidamente ou sequer ouvem falar.

Após o assassinato de Marielle Franco, uma parcela do país tentou matar também a sua história, com notícias falsas sobre a paternidade de sua filha ou sobre as pessoas que a vereadora defendia. Os boatos foram rapidamente desmentidos, fazendo com que os propagadores de ódio agissem de novas maneiras para manchar a imagem da vereadora.

Agora, mais uma vez, uma tentativa de destituir a importância dessa mulher negra que se tornou conhecida mundialmente: candidatos do PSL, partido de Bolsonaro, destruíram no Rio de Janeiro uma placa que homenageava Marielle Franco.

Rodrigo Amorim e Daniel Silveira quebraram ao meio a placa sob a justificativa de que outras pessoas morreram e não receberam a mesma importância. Os candidatos publicaram em suas redes sociais fotos e vídeos da ação e infelizmente receberam apoio de pessoas que buscam apagar o legado de luta que uma mulher negra, mãe, bissexual e periférica deixou sobre os direitos humanos.

Apesar disso, desse momento equivocado que o Brasil enfrenta, onde o ódio se propaga mais que os direitos, Marielle vive em nós cada dia mais. É com a força de quem não se calou que também não nos calamos. Nem atitudes desrespeitosas como essas são capazes de destruir o indestrutível: a voz de Marielle, que ecoa agora a partir de outros rostos.

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Amanda Sthephaniehttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Preta. Pobre. Poeta. Periférica. Prounista. Filha de Oxum, tem paixão pela palavra e estuda o último ano de Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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