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domingo, 03 julho 2022
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Programa idealizado pela ABRH-RJ visa promover maior número de profissionais de RH negros em cargos de liderança

Entre outubro/21 e março/22, nove profissionais concluíram o programa, centrado em 11 encontros online para abordagem das temáticas “RH”, “Liderança” e “Questão racial nas empresas”; insights da 1ª turma serão compartilhados no RH Rio, em junho.

Assim como na maioria da população, a força de trabalho no Brasil também é constituída majoritariamente por pessoas negras e pardas – cerca de 54,9%. Apesar desta substancial representatividade, dados do informativo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, desenvolvido pelo IBGE, apontam que apenas 29,9% dos cargos gerenciais são ocupados por este público. Reduzindo a amostragem para as 500 maiores empresas do país, a pesquisa do Instituto Ethos mostra uma queda mais significativa: somente 4,7% dos cargos são liderados por negros. Seguindo este cenário, 9,3% do quadro de funcionários dessas empresas é composto por mulheres negras, que somam, apenas, 0,4% da liderança.

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A ausência de ações afirmativas, destinadas ao crescimento profissional, gera uma carência de referências negras nestas posições. Para transformar essa realidade e promover a equidade no mercado de trabalho, a Associação Brasileira de RH do Estado do Rio de Janeiro (ABRH-RJ), através da diretora executiva Ana Maia, criou, em 2021, o programa Crescer sem Barreiras com um objetivo simples: facilitar a identificação e o mapeamento da taxa de ocupação de pessoas negras em cargos sênior de RH. A iniciativa faz parte do projeto Empresa sem Barreiras, concebido a partir de uma cooperação técnica com o Ministério Público do Trabalho do RJ, que fomenta a troca de experiências e o apoio mútuo entre profissionais negros atuantes na área de Recursos Humanos, estimulando sua contratação e o desenvolvimento de um plano de carreira.

“Sua empresa tem profissionais negros no RH? Essa provocação foi o norte que impulsionou o Crescer sem Barreiras, cuja meta é estimular a inclusão e maior representatividade nas áreas de Gestão de Pessoas, incentivando a carreira de profissionais negros em RH. Além de ser a porta de entrada, a Área de Recursos Humanos é guardião do clima e da cultura de uma empresa, por isso, a importância de se colocar como um espelho da sociedade. Entendemos que essa iniciativa, a qual está ancorada no projeto Empresas sem Barreiras, não faria sentido se não começasse dentro da nossa casa”, pontua Lucia Madeira, presidente da ABRH-RJ.

Atendendo somente profissionais do estado carioca, a primeira turma foi iniciada em outubro do ano passado. Até março deste ano foram realizados 11 encontros divididos em três pilares, considerados fundamentais para a construção dessa trajetória. “Olhando para a nossa realidade (interna e externa), percebemos pouquíssima diversidade racial na liderança dentro da área de RH. Por isso, tivemos a ideia de lançar o programa, que proporciona a visibilidade e o suporte por meio de uma rede de apoio para o crescimento desses profissionais. Nosso principal diferencial está na elaboração de um PDI, no qual identificamos as competências a serem desenvolvidas e potencializadas para o avanço de carreiras. No momento, os profissionais estão sendo direcionados para sessões de coaching e mentoria com parceiros mapeados pela ABRH-RJ e vão concluir a experiência no encontro de encerramento, qualificado como uma oportunidade de networking”, explica Renata Shaw, coordenadora do Crescer sem Barreiras.

Com o trágico episódio ocorrido com George Floyd (em 2020), a importância da temática ESG tornou-se uma urgência. Pressionadas pelos investidores, empresas mundo afora iniciaram uma corrida para rever seus indicadores de diversidade, especialmente no que tange o pilar étnico-racial. “O momento é histórico porque, pela primeira vez, os negros são maioria nas Universidades públicas e federais do Brasil. Então, a justificativa de que não existem profissionais negros altamente qualificados não é mais sustentável. O que ocorre é um abismo nesse percurso entre a Universidade e o mercado de trabalho, especialmente quando olhamos para as ‘melhores vagas’. Particularmente falando, durante a minha jornada profissional, fui entrevistada somente por duas pessoas negras. Então, estamos no momento certo de virar esse jogo”, comenta Juliana Kaiser, diretora executiva da ABRH-RJ e professora convidada da UFRJ.

Concluindo as atividades deste primeiro ciclo do programa, no próximo dia 12 de maio (quinta-feira), acontece um encontro presencial com líderes reconhecidos no mercado do Rio de Janeiro, a fim de promover e inspirar a prática do networking. O evento já tem as presenças confirmadas de Marina Peixoto (do Mover – Movimento pela Equidade Racial), Dra. Fernanda Diniz (procuradora do Ministério Público do Trabalho do RJ) e Carlos Domingos (da Pepsico).

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Vinícius Gonçalves
Vinícius Gonçalves
Geminiano, viciado em tecnologia, filmes de terror e cinema.
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