Cinema

Oscar 2019: Spike Lee falou por nós

Não dá pra negar que a cerimônia do Oscar 2019 vai ficar marcada na história. Um dos responsáveis por isso, Spike Lee, emocionou com um discurso quase universal, em memória à escravização dos negros e referências aos constantes genocídio.

Embora pautado em sua história pessoal e, portanto, territorializado, as palavras de Spike Lee, que levou o Prêmio de Melhor Roteiro Adaptado por “Infiltrado na Klan”, pareciam palavras nossas, desde o primeiro momento, quando pediu que não cortassem o microfone enquanto estava falando.

Ser negro começa por não poder falar em todos espaços, principalmente em frente às câmeras e diante de um microfone. Depois perpassa pelas memórias de um passado doloroso e um presente cheio de furos reflexos, que o cineasta lembrou bem.

“Hoje é 24 de fevereiro, o mês mais curto do ano. Também é o mês do ano da história negra. 1619… Há 400 anos nós fomos roubados da África e trazidos para a Virginia, escravizados. A minha avó, que viveu até 100 anos de idade, apesar de sua mãe ter sido escrava, conseguiu se formar. Ela viveu anos com seu seguro social, e conseguiu me levar para a universidade NYU. Diante do mundo, eu gostaria de reverenciar os ancestrais que construíram esse país, e também os que sofreram genocídios. Os ancestrais que vão ajudar a voltarmos a ganhar nossa humanidade”.

Spike Lee agradeceu à família: sua mãe, ali em algum lugar e seu pai que não o viu conseguir tudo aquilo. Lembrou ainda dos imigrantes em seu discurso: “Nós fizemos um filme sobre um homem gay imigrante que viveu sem pedir desculpas. E estar aqui homenageando ele comprova que temos que homenagear pessoas assim. Eu também sou um imigrante. Parte da minha história está sendo escrita agora e eu não podia estar mais grato a cada um de vocês”.

Por fim, mais uma referência que podíamos fazer de qualquer lugar. Escolher amor sobre o ódio e fazer a coisa certa. O cineasta lembrou das eleições de 2020 durante esse apelo, pedindo mobilização para estar do lado certo da história.

Assistir com emoção essas palavras e compartilhar essa conquista, ali do outro lado do globo, reverenciando a ancestralidade é estar do lado certo da história. Obrigada, Spike Lee.

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