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Mulher negra é assediada por carteiro negro e notícia ganha comentários racistas

Via Jornal Extra

 

O Jornal Extra publicou nesta quinta feira uma reportagem sobre um carteiro do Rio de Janeiro que assediou e agrediu uma estilista. Como se a história já não fosse ruim o suficiente, tudo ainda acabou ganhando contornos racistas e machistas na internet. Ou seja, nada é ruim o suficiente, que não possa ser piorado.

Veja a história:

O que era para ser um simples encontro em família terminou em caso de polícia. Na tarde desta quarta-feira, a designer de moda Ligia Parreira, de 34 anos, decidiu ir a uma loja de conveniência do Méier, bairro da Zona Norte do Rio, após um almoço com seus pais, quando foi abordada com o seguinte comentário: “Quanta fartura!”.

— Ao me virar, me deparei com um senhor trajando o uniforme dos Correios. Decidi intimidá-lo perguntando se ele não tinha vergonha de dizer aquilo e ele me disse com a maior cara lavada que não tinha vergonha, não — relata Lígia.

Em seguida, a estilista insistiu na tentativa de repreender o carteiro, no que foi surpreendida por dois socos.

— Começamos a brigar e ele tentou fugir. Corri atrás dele e percebi que ninguém na rua fez absolutamente nada, mesmo comigo gritando e avisando que ele havia batido em mim — desabafa Ligia, que, após a breve perseguição, enfim, foi auxiliada por alguns estudantes.

 

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O carteiro foi detido pelos rapazes e Lígia chamou a polícia. Em seguida, a estilista e o agressor foram levados para a 23² Delegacia de Polícia (Méier), onde o caso foi registrado.

— Lá na delegacia ele mudou a versão. No local da agressão disse a um policial que havia me chamado de ‘bonita’ e na DP contou que estava ao telefone, quando disse a palavra ‘gostosa’ e eu achei que era comigo — revela a designer, que se diz indignada com o fato de o carteiro constar como vítima no registro de ocorrência, como se Lígia e seu agressor tivessem apenas ido às vias de fato.

Ao EXTRA, a estilista conta que não desistirá de enquadrar o carteiro pela agressão cometida.

— Imagino quantas outras mulheres foram assediadas por ele. Não podemos ter vergonha de sair na rua. Este tipo de gente que precisa ter vergonha, não o contrário — finaliza.

Como se o assunto já não fosse pesado e traumático para a vítima, internautas que tiveram acesso à reportagem no site do Jornal Extra, destilaram todo o seu ódio, racismo e machismo. O que já era ruim, ficou ainda pior.

 

 

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Como se chamar a mulher de “gostosa” ou dizer coisas como “que fartura”, fossem elogios, alguns homens ainda conseguiram fazer prevalecer a “honra masculina” ao saírem em defesa do assediador. Alguns ainda tentaram dar ao fato, um tom de positividades, já que, aos olhos deles, uma linda mulher negra que foi assediada, não era bonita o suficiente para ser assediada. A moça foi chamada de “feia” nos comentários, como se na verdade, devesse “agradecer” ao assediador por ter sido “reconhecida”.

Algumas coisas precisam ficar claras aqui. Ele assediou porque é um idiota, machista, mal educado e sem respeito pelas mulheres. Esses atributos não são “privilégios” de pessoas negras ou pobres. Ou seja, o fato de ser negro não tem nada a ver com o fato de ser idiota. Existe pessoas idiotas de todas as cores e isso independe de cor, raça ou sexo.

O fato da moça ter sido assediada, também independe de cor raça ou sexo. Toda e qualquer mulher, deve ser respeitada.

Ou seja, um verdadeiro festival de lambanças as vésperas da semana da mulher. Lamentável!

Tirem suas próprias conclusões!

 

 

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