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domingo, 03 julho 2022
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Maya Angelou estampará moedas de 1/4 de dólar estadunidense

A poetisa, escritora e ativista Maya Angelou passará a estampar, a partir desta semana, uma edição comemorativa das moedas de um quarto de dólar estadunidense. Parece pouco que alguém tão grande, importante e significativa como a Sra. Angelou seja representada por uma moeda de valor tão baixo – e talvez seja ainda questionável se faz sentido que pessoas negras estampem a moeda de um país que tanto massacrou e continua se certificando de que vidas negras sejam tratadas como se não tivessem nenhum valor -, mas ainda são raros os casos em que mulheres negras são reconhecidas, que dirá homenageadas dentro da cultura estadunidense.

Não, esta não é a primeira vez que mulheres negras são homenageadas pela Casa da Moeda. De acordo com o NY Times, outras edições já foram realizadas no passado, inclusive uma em 2017 em que a Estátua da Liberdade foi retratada como uma mulher negra.

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The 225th Anniversary Liberty coin.

Maya Angelou

Maya Angelou escreveu mais de 30 livros, além de inúmeros poemas e ao menos 7 biografias. Uma delas, sua primeira publicação inclusive, foi a obra “Eu Sei Porque o Pássaro Canta na Gaiola”, de 1969, um de seus mais famosos escritos. O livro é bastante reflexivo e traz vários debates que eram tabu para a época, como os abusos sofridos durante a infância, a perspectiva de uma mulher negra dona de seu próprio negócio e ainda aborda temas como as relações familiares com a mãe, o irmão, a avó.

Angelou esteve presente na cerimônia presidencial de Bill Clinton, em 1993, onde recitou o poema “On The Pulse of Morning”. Em 2011, recebeu de ninguém menos que o ex-presidente Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade. Obama se referiu a ela como “uma escritora brilhante, uma amiga feroz e uma mulher verdadeiramente fenomenal”, fazendo referência a um de seus mais famosos poemas. “Still I Rise”, ou “Ainda Assim Eu Me Levanto”, também está na lista dos poemas mais famosos escritos pela poetisa e já ganhou releituras pelos olhares de diferentes personalidades, como a tenista e empresária Serena Williams.

Maya Angelou acompanhada do ex-presidente Barack Obama após receber a Medalha Presidencial da Liberdade. (Foto: Reprodução)

Apesar de muitas pessoas se referirem a ela como “Maya” hoje em dia, a Sra. Angelou deixava explícito que não aceitava esse tipo de tratamento: em uma entrevista ao programa “People Are Talking“, ao ser referida como Maya por uma jovem na plateia, ela diz à jovem que ela não tem permissão para se referir a ela como Maya já que, naquele momento, ela tinha 62 anos e tinha percorrido um longo caminho e exigia ser chamada de Sra. Angelou.

A moeda estadunidense

A edição que inclui Maya Angelou como uma das mulheres a ser homenageada nas moedas estadunidenses é recente, mas este debate não. Há tempos discute-se, por exemplo, o uso da imagem da abolicionista Harriet Tubman na nota de 20 dólares, que o NY Times diz que deve acontecer até 2030.

Nesta edição, no entanto, que Angelou inaugura e cujas homenagens devem durar 4 anos, outras mulheres se reunirão à Sra. Angelou. Mulheres ligadas a diferentes movimentos, como ativistas dos direitos civis, do movimento sufragista, abolicionista, governamentais, dos direitos humanos, das ciências e das artes.

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Thais Sena
Thais Senahttps://todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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