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segunda-feira, 16 maio 2022
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Maíra Freitas e Jazz das Minas estreiam turnê no SESC Rio

Sexteto feminino capitaneado por Maíra foi formado a partir de um convite para show internacional e segue com repertório de música preta formado majoritariamente por artistas mulheres.

No dia 06 de maio às 19h o Sesc Madureira será a primeira unidade da instituição a receber Maíra Freitas e Jazz das Minas, dando início a uma circulação que o grupo fará pelo circuito SESC Rio. O sexteto feminino formado por Maíra Freitas (piano/voz e direção musical), Samara Líbano (violão 7 cordas), Monica Avila (sax/flauta/voz), Marfa Kurakina (baixo elétrico), Flavia Belchior (bateria/voz) e Rapha Morret (percussão) apresenta o show que celebra, a partir de uma interpretação própria, a música preta brasileira e mundial.

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A ideia de montar a banda aconteceu em 2019, quando Maíra foi convidada a participar do festival Jazzing, em Angola. “Foi a oportunidade de colocar em prática a ideia que eu já vinha falando há algum tempo, de que o mercado da música é muito masculino e isso tem muito a ver com as oportunidades que são dadas às mulheres. Certa vez eu ouvi de um empresário que por estar grávida eu ficaria uns dois anos sem trabalhar – e grávida eu fiz turnê com Gilberto Gil”, pontua a multiartista.

“Um dia um amigo me falou que achava que jazz era coisa de branco, mas não é. Nem na origem, nem na atualidade, pois estamos aqui levando esse gênero de origem preta com o apoio do Sesc para lugares como Madureira, São João de Meriti, São Gonçalo, Ramos. Vamos fazer jazz com Alcione e Leci, improvisos e rearranjos com Jovelina e Luedji. Nossa música pega a essência do jazz e transmuta. Jazz no sentido mais amplo da palavra, jazz porque é livre. Uma roda de partido alto é jazz, os tambores de um terreiro fazem jazz, o hip hop e a cantiga de ninar também”, aposta Maíra, cujo repertório contém músicas autorais e releituras de clássicos nas vozes de Nina Simone, Elza Soares, Sandra de Sá, Gilberto Gil, Leci Brandão, Dona Ivone Lara e Milton Nascimento, além de autoras contemporâneas como Mart’nália e Caio Prado. 

Do palco aos bastidores, a equipe é majoritariamente feminina e preta. Em cena será projetado o conteúdo criado por Ani Haze, artista visual especializada em video mapping que desenvolveu imagens em looping a partir de suas percepções sobre cada canção que compõe o repertório. Música a música, será a VJ Raina Rosa controlando as projeções dessas imagens em cada show. “Esse show é sobre cura. Somos mulheres diversas se divertindo no palco. Começamos o show cantando ‘Mulher do Fim do Mundo’ porque o mundo acabou e a gente está aqui sobrevivendo à base de encantamento e resistência”, reforça Maíra.

“É muito louco pensar que a maioria dos grupos são formados por homens e que geralmente só cantam músicas de autores homens. Nós somos um grupo de mulheres que canta músicas majoritariamente de mulheres, mas também cantamos artistas homens que merecem nosso carinho. E que fique claro que não temos problemas com os homens, são eles que têm problemas com a gente, insegurança, sei lá”, questiona Maíra, cujo show oferece meia-entrada ainda a mulheres e pessoas pretas.

Inicialmente um quarteto com bateria, teclado, violão 7 cordas e baixo acústico, a Jazz das Minas veio ganhando corpo e suingue com a incrementação de percussão, sax, flauta e vozes. Em 2021 a banda participou do festival Sesc Jazz, em São Paulo, com ingressos esgotados e excelentes críticas. Em 2022, o sexteto sacudiu a plateia da FLUP (Festa Literária das Periferias) no Museu de Arte do Rio. 

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Vinícius Gonçalves
Geminiano, viciado em tecnologia, filmes de terror e cinema.
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