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sexta-feira, 19 agosto 2022
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O que realmente sabemos por liberdade?

Para o povo preto, ser livre foi e ainda é uma luta. Por isso, a liberdade é algo que se dever ser comemorado

A ideia de escrever sobre liberdade nasceu enquanto lia as várias matérias falando que Barbados tinha finalmente se tornado uma república, em pleno 2021. Se libertar do domínio inglês demorou quase 400 anos. Agora o país tem como presidente uma mulher negra, Sandra Mason, e a cantora Rihanna como heroína nacional.

Rihanna foi declarada uma heroína nacional de Barbados durante a cerimônia de transição para república.
Rihanna foi declarada uma heroína nacional de Barbados durante a cerimônia de transição para república. / Foto: Jeff J Mitchell – Pool/Getty Images

Manson foi a primeira mulher negra admitida na prova de Ordem dos Advogados em Barbados, a primeira negra magistrada nomeada embaixadora e a primeira mulher preta a servir no Tribunal de Apelações do país. Mesmo assim, ter liberdade talvez possa ir além do que ter um título de democracia.

A história de Barbados é marcada por privações. A ilha se tornou o local ideal para plantação de cana de açúcar entre os séculos XVII e XVIII. Para o trabalho pesado, os ingleses, mais uma vez, investiram na mão de obra escravizada.

Richard Drayton, professor de história imperial e global do Kings College London, disse, em uma entrevista para a CNN, que Barbados foi como uma cobaia da colonização:

“Foi o primeiro laboratório para o colonialismo inglês nos trópicos”

Richard Drayton, professor de história imperial e global do Kings College London

Atualmente, o país é composto por 80% de afro-americanos e ficamos com a pergunta: será que são livres de verdade? Já que, para a comunidade negra, a luta por liberdade é uma batalha diária.

Para saber mais sobre a cerimonia de Barbados, acesse a matéria completa.

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Haiti e a liberdade

Independência do Haiti e a luta por liberdade
Independência do Haiti e a luta por liberdade | Imagem: Getty Images/BBC

Como estamos falando de liberdade e povo preto, não podemos esquecer do Haiti, palco da primeira revolução negra. Graças a rebelião de negros libertos e escravizados, conquistou o título de primeiro país independente da América Latina.

Dominados pelos franceses, os haitianos viveram sob um dos piores sistemas escravistas da história, que transformou São Domingos em uma das colônias mais prósperas do mundo. Nesse cenário, François Mackandal criou uma rede de resistência, mas infelizmente não viveu para ver seu povo tomando a posse do lugar que lhes era de direito.

Porém o Haiti, mesmo nos dias atuais, luta para se manter. Entre desastres naturais, intervenções e apagamentos históricos, existe um povo que quer viver. Mas mais uma vez o conceito de liberdade é abstrato para o povo preto.

O site Primeiros Negros conta com uma reportagem mais extensa sobre todo o processo de independência do Haiti, que você pode conerir aqui.

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Atualidade

No Brasil, a liberdade também está longe de ser completa. Ainda temos grande parte da população preta encarcerada, assassinada e discriminada. Não há muito o que se comemorar, mas é preciso pegar os exemplos que vimos e continuar. Buscando pelo dia em que as amarras da escravidão sejam apenas uma história do passado.

Porém podemos celebrar alguns avanços, na verdade, é preciso. Um dos últimos acontecimentos marcantes foi o SPFW, onde sete marcas de pessoas pretas puderam ganhar espaço e fazer acontecer. O evento foi símbolo de resistência e motivação.

Abaixo temos um trecho da apresentação da Mile Lab. Talvez liberdade seja um pouco disso, falar, mostrar e criar sem medo. O que se espera para o futuro é ser livre para conquistar espaços sem ter que esperar séculos ou então viver nessa eterna batalha.

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