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segunda-feira, 29 novembro 2021
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Lavagem, obra de Alice Ripoll e Cia. REC, realiza turnê europeia

Performance que investiga o ato de lavar, espetáculo da coreógrafa brasileira é composto por bailarinos de várias regiões do Estado do Rio de Janeiro, tem coprodução de 9 festivais europeus e vem sendo ovacionado em turnê internacional.

Circulando por festivais e espaços culturais da Europa até Outubro, ‘Lavagem’, a mais recente obra dirigida pela coreógrafa brasileira Alice Ripoll e encenada pela Cia. REC, com produção da Corbelino Cultural, mistura em um delírio a realidade e a fantasia, como num sonho apocalíptico.

Festa da Palavra acontecerá virtualmente de forma gratuita

Após estrear no Wiener Festwochen, em Viena, o espetáculo se apresenta ainda no Festival de la Cité, Kaserne e La Batie (Suíça); Theaterformen (Alemanha); Passages Transfestival, Actoral, Theatre Louis Aragon e Festival d’Automne à Paris & La Villette (França); Julidans (Holanda); Vooruit (Bélgica); BienalBoCa (Portugal) e Teatro di Roma – Teatro Nazionale & Romaeuropa Festival (Itália).

Surgida em 2007, a parceria de Alice com os integrantes da companhia começou quando a coreógrafa dava aulas dança em uma ONG para jovens da favela carioca Chácara do Céu, realizando a estreia profissional do grupo no Festival Panorama. Ideia original de Alan Ferreira – que está em cena ao lado de Hiltinho Fantástico, Katiany Correia, Romulo Galvão, Tony Hewerton e Tuany Nascimento – a performance investiga com a ajuda de baldes, água e sabão, imagens ambivalentes a partir do ato de lavar, com desdobramentos cênicos e históricos observados criticamente. Os elementos surgem em múltiplas imagens poéticas de êxodos, travessias, rituais, renascimento e resistência.

A palavra “lavagem” pode significar limpeza, faxina, higienização, mas também a comida do porco. “Lavagem de dinheiro” é uma expressão usada quando se quer dissimular a origem ilícita de um pagamento. “Lavagem cerebral” é quando se obriga alguém a pensar de uma determinada forma. “Alma lavada” é quando se tem um grande alívio e se está tranquilo, sem pendências.

O que de fato precisa ser limpo? As casas, a sujeira dos ambientes? Rastros deixados, fatos da história? Odores dos fluidos do corpo, quando chegamos bem perto? A espuma tinge os corpos e remete à invisibilidade, as bolhas sugerem um mundo de sonhos, em contraste com a dura falta de mobilidade social do mundo real.

Estabelecendo uma relação próxima do público, o trabalho busca ampliar modos de contato entre os intérpretes e a plateia, além de uma nova experiência de compartilhamento do espaço. A proximidade dos corpos ora remete à claustrofobia, aos apertos concretos ou simbólicos, ora se apresenta com o acolhimento de um útero, onde cheiros, texturas da pele e o calor que emana dos corpos se fazem sentir.

O espectador pode contemplar a peça sob uma ótica pictórica, mas também ser tocado por questões sobre posições sociais e hierarquias, destinos traçados e oportunidades. Lavagem apresenta uma ancestralidade cheia de lutas e também segredos sobre a alegria de não ficar obcecado em vencer a corrida pela maior capital.

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Vinícius Gonçalves
Geminiano, viciado em tecnologia, filmes de terror e cinema.
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