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sexta-feira, 03 dezembro 2021
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Katherine Johnson, a matemática da NASA, no Oscar 2017

A 89ª edição do Oscar agraciou o público negro através das premiações de Melhor Filme para “Moonlight – Sob a Luz do Luar”, de Melhor Ator Coadjuvante para Mahershala Ali por “Moonlight”, de Melhor Roteiro Adaptado para “Moonlight” e de Melhor Atriz Coadjuvante para Viola Davis por “Fences”. No entanto, o momento mais emocionante do Oscar foi outro: a presença de Katherine Johnson, a matemática da NASA, homenageada em “Estrelas Além do Tempo” (Hidden Figures).

Protagonistas de "Estrelas Além do Tempo" recebem Katherine Johson, a matemática da NASA. Foto: Reprodução
Protagonistas de “Estrelas Além do Tempo” recebem Katherine Johson, a matemática da NASA. Foto: Reprodução

Durante a cerimônia apresentada pelas protagonistas de “Estrelas Além do Tempo”, Janelle Monae, Taraji P. Hansen e Octavia Spencer,  para anunciar o vencedor de Melhor Documentário,  Katherine Johnson foi anunciada: “Nós três tivemos o privilégio de estar em um filme sobre Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson que brilhantemente fizeram a nossa nação chegar até o espaço. Agora, por favor, senhores, deem boas vindas a uma verdadeira heroína e membro da Nasa: Katherine Johnson”.

Taraji, que representou Katherine na produção, chamou ao palco uma senhorinha de 98 anos, uma das responsáveis pelo enfrentamento à segregação racial e ao machismo que dominava a NASA. A agência espacial dos Estados Unidos da América, no entanto, precisou abrir portas para quem levaria John Glenn a orbitar ao redor da Terra em 1962, junto à Mary Jackson e Dorothy Vaughan. Mais tarde, a contribuição do trio seria ainda fundamental para a chegada do homem à lua.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Aplaudida de pé, Katherine Johnson agradeceu com dificuldade, acalentando o coração de quem acompanhou sua trajetória a partir do filme. Taraji então finalizou sua fala dizendo “E, bem, ‘Estrelas Além do tempo’, conta história de três mulheres que trabalharam para a Nasa, mas com atrizes.”. Janelle completou que documentaristas contam histórias de outra maneira, registrando pessoas reais e iluminando a condição humana de forma extremamente verdadeira. É por isso que a presença do ‘computador’ da NASA era necessária.

Durante seu discurso ao receber o Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante, Viola Davis declarou que o cemitério é onde se reúnem as pessoas de grande talento: “Existe um lugar em que se reúnem todas as pessoas que tem grande talento. E é no túmulo. As pessoas me perguntam o tempo todo: ‘Que tipo de histórias você quer contar Viola?’ E eu respondo: ‘Vocês têm que exumar esses corpos, essas histórias, as pessoas que quiseram e nunca conseguiram conquistar seus sonhos’. Eu consegui. Eu me tornei uma artista.”

A história de Katherine, Mary e Dorothy foi exumada. Trouxeram à tona não somente a realização do sonho de três mulheres, mas o sonho de um país inteiro que se transformou em realização. Katherine representa a narrativa que quer contar. É na ancestralidade de quem não podia realizar que a esperança foi ancorada, para honrar os feitos. A mulher de quase 100 anos documenta o próprio relato e exuma sua vida que, por tantos anos, passou despercebida e que, agora, é inspiração. Não se pode dizer quanto tempo ainda a especialista em cálculos complexos tem. Mas se pode dizer, com sabedoria e certeza, que além do tempo essa estrela será lembrada.

 

 

 

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Amanda Sthephaniehttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Preta. Pobre. Poeta. Periférica. Prounista. Filha de Oxum, tem paixão pela palavra e estuda o último ano de Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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