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domingo, 23 janeiro 2022
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Karol Conká se apresenta na BATEKOO

Mamacita, mais conhecida como Karol Conká, volta aos palcos. Não graças aos brankkkos, como já sabemos, não é mesmo? Emicida já deu a letra: tudo que nóis tem é nóis. E, por mais que você discorde de algumas das posições da cantora, compositora e apresentadora, precisamos enxergar a discrepância na (falta de) tolerância revelada com ela e com qualquer outra pessoa que já esteve envolvida em polêmicas em reality shows no Brasil. Por isso, anunciamos que Conká saiu da fase de se desculpar até as pessoas cansarem de ouvir, como ela mesma declarou em entrevistas, para os palcos. Mais especificamente na BATEKOO.

Festival Arti (Autonomia, Restituição, Transformação e Interação) acontece em 10 e 11 de dezembro

Karol Conká

Quem acompanha a carreira de Conká antes de ela participar do reality show, sabe que ela quebrou barreiras. Um ícone do rap, mas também da moda e defensora dos direitos das mulheres, seus princípios iam muito além do palco. Que outra cantora preta de rap você se lembra de ter ouvido falando sobre sexo oral? Desfilando de Chanel? Apresentando programas de moda e beleza na Rede Globo? É certo que a cantora alcançou lugares que nem ela mesma imaginava. E que isso tem um preço, né?

Apesar de ter sido um pouco mais reservada em outros aspectos, como em seu relacionamento com seu filho, por exemplo, Karol já fala sobre sua relação com a fama e a falta de visibilidade para mulheres no rap, em especial em Curitiba, sua cidade natal, há anos.

Talvez sua aparição recente de maior visibilidade tenha sido no primeiro episódio de Mano a Mano, podcast exclusivo Spotify comandado por Mano Brown. Certamente, há pontos da conversa com os quais você vai discordar. Há “polêmicas”, como a estereotipização de mulheres negras e há também questões que podem aproximar o público da cantora e do entrevistador, como quando Conká diz que o pai não tinha emprego fixo e Brown insiste em saber qual era sua profissão.

E a verdade é que a uniformização de ideias nunca vai existir. Essa é mais uma prerrogativa racista que acredita que todas as pessoas negras são iguais, que havendo uma pessoa negra em um programa qualquer, por exemplo, ainda que mais de 50% da população brasileira seja negra, isso já é o suficiente. E que havendo alguém numa propaganda na frente das câmeras, não há necessidade de ‘outra’ pessoa preta atrás das câmeras, na elaboração de projetos ou em posições de poder nas empresas. Ou ainda que, se Karol Conká em determinado momento se comportou de uma determinada maneira, este comportamento define integralmente quem ela é na vida e que, portanto, todas as pessoas pretas são assim também.

É possível discordar de uma pessoa preta e ainda assim desejar seu sucesso? Torcer para que ela prospere? Apoiar para que ela saia da situação em que se encontra? Se for, tem ingresso da BATEKOO no terceiro lote, mas ainda num valor acessível.

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BATEKOO

BATEKOO é um movimento de expressão a partir da dança, da música, do corpo, da pele preta, do suor, da liberdade corporal e sexual, da cultura negra, periférica e urbana, além do empoderamento coletivo e representatividade preta dentro de qualquer espaço, é o que diz a descrição. As festas realizadas se tornaram um ícone de libertação ao estimular um espaço democrático que tem ganhado espaço não só em São Paulo, mas também no Rio de Janeiro e em Salvador.

Rap, Hip Hop, Funk, R&B, Trap, Twerk são alguns dos ritmos que embalam os encontros marcados pela melanina. Em sua próxima edição, o  tradicional manifesto do movimento negro e LGBTQIA+ no Viaduto de Madureira, no Rio de Janeiro, no dia 17 de dezembro, conta com Karol Conká ao lado de Deize Tigrona, Tago Oli, MC & DJ Garota, Glau Tavares, Afrolai e Mauricio Sacramento, o Freshprincedabahia. Os ingressos estão a venda aqui e já estão no terceiro lote, por R$26.

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Thais Senahttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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