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terça-feira, 07 dezembro 2021
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Kamilah Pimentel faz denúncia de marca racista

Kamilah Pimentel denuncia marca racista cujo dono criticou as regiões em que ela e o artista Dfideliz moram.

Kamilah Pimentel é a mãe e empresária da rapper MC Soffia. Importante frisar o segundo porque às vezes as pessoas notam que ela está acompanhando o trabalho de Soffia. E acham que trata-se “apenas” de uma mãe vendo de perto o trabalho da filha. E se fosse? Tudo bem. Mas não é. Como ela mesma já declarou em outro momento em que também precisou fazer uma denúncia, a conquista do artista também representa uma conquista em seu currículo e suas trajetórias não podem ser silenciadas.

MC Soffia é destaque em publicação inglesa

A denúncia de Kamilah Pimentel

Na última segunda-feira, Kamilah gravou um vídeo, que está salvo em seu IGTV. No vídeo, ela denuncia a marca Adaz, por um áudio no Whatsapp do dono da marca. Aparentemente, o dono da marca, que fechou uma parceria com MC Soffia através de permuta, gosta de fazer as entregas de seus produtos pessoalmente para ver os lugares da entrega.

Ao chegar no local de uma de suas entregas, ele relata que não deixaria os produtos lá. Porque tudo soava muito estranho. Segundo ele, o problema era o prédio se parecer com um prédio de comunidade. “Tipo BNH, uma favelinha”. E que os produtos ficariam com o assessor de um artista que está estourando em sua carreira, logo, não fazia sentido que seu assessor morasse ali. Como se a gente não ouvisse desde cedo de nossas mãe que precisávamos fazer o dobro do que eles fazem para ganhar a metade do que eles ganham. Como se, ainda que atingissem o ápice de suas carreiras, não tivessem o direito de escolher onde morar. Há quem faça a mesma reflexão sobre o Adriano, né?

Enfim, após falar sobre essa entrega, o dono da loja compara a situação com o que passou para fazer a entrega de MC Soffia. Ele diz que o lugar onde a artista mora é “meio trash, no centrão”. E diz também ter ficado “meio assim”, mas ter feito a entrega mesmo assim. Mas diz que, desta vez, estava indo por seu “feeling, portanto, não ia deixar. Não precisamos dizer a cor do dono da loja, não é mesmo?

Em seu perfil, Kamilah diz ter questionado ao dono da marca com que propriedade autoestima ele coloca os produtos de sua loja acima de residências. Ela reforça que os artistas citados por ele lutam muito para se manter independentes e mais uma vez questiona seu posicionamento ao rebaixar carreiras nas quais ele não faz investimentos.

A retratação da marca

No Instagram, a marca fez uma nota de retratação dizendo que o áudio foi compartilhado por um de seus ex funcionários e repassado deforma descontextualizada com intuito malicioso de prejudicar a imagem da empresa e dizendo que em nenhum momento citou questões raciais ou étnicas.

Na retratação, fica entendido que os artistas procuraram a marca, já que a mensagem diz que na primeira oportunidade de associar a marca aos artistas disseram sim. Mas Kamilah reforça duas vezes em seu vídeo que eles foram procurados pela marca.Ah, vale mencionar que a marca tem 5 mil seguidores no Instagram, enquanto MC Soffia recentemente comemorou a marca de 300 mil seguidores (e no momento em que essa matéria foi escrita, tinha 327 mil).

A marca diz ter consciência da importância da luta antirracista e que, olha só, até conta com pessoas pretas na equipe. Kamilah já havia antecipado em seu vídeo que a marca faria uma retratação padrão e que não era o que ela queria receber.

Em seus stories, ela também relata que uma das donas da marca a procurou para se desculpar, mas disse que o conteúdo da mensagem não era racista. Como se todas as questões no Brasil não fossem fundadas em raça. Como se não soubéssemos das origens das favelas, periferias, comunidades. Como se também não soubéssemos as origens dos bairros com alto índice de IDH, com populações quase que exclusivamente brancas. Como se não tivéssemos que passar por essa experiência todos os dias.

No Instagram, Kamilah Pimentel também lamentou que, na foto de divulgação de indicação a prêmio com Ludmila e Iza, MC Soffia estava usando a roupa da marca. (Foto: Reprodução)

Por essas e outras, quando for comprar, movimente o #BlackMoney. Compre de quem faz, mas de um preto ou uma preta.

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Thais Senahttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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