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segunda-feira, 16 maio 2022
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“O meu sonho é trabalhar e olhar pro lado e ver minhas manas, meus irmãos trabalhando pra caramba e sendo reconhecidos”, diz Juliana Alves

Juliana Alves é atriz, dançarina, mãe da Yolanda e chorona! Diferente de algumas atrizes brancas que tentam se afastar cada vez mais de seus inícios em reality shows, a artista faz questão de lembrar de onde veio: recentemente, usou suas redes sociais para postar uma seleção de momentos de quando participou da 3ª edição do BBB. E neste mesmo espaço dá pra perceber bem o quanto sua carreira, de quase 20 anos, mudou desde então.

Será que algum dia artistas negros serão valorizados no Brasil?

Juliana Alves: assistente social, psicóloga, mãe?

Juliana Alves nunca pôde ser definida de uma maneira só. Numa entrevista para o SuperBonita, ela conta que, apesar de ter muito orgulho de sua história com o samba, se sentia também um pouco receosa de ser rotulada como a passista porque essa definição poderia limitar suas oportunidades de trabalho – em especial ao considerar que tratava-se de uma mulher negra na maior emissora do país muito antes de serviços de streaming serem uma possibilidade para artistas brasileires.

Mas, seja pelo mercado de trabalho, seja pela opinião das pessoas, Juliana está longe de se permitir ser definida. Tanto que, além de atriz e de ter participado do BBB, ela já foi dançarina do Faustão, por exemplo. Se você procurar por vídeis da atriz no YouTube, vai encontrá-la falando de temas que vão de maquiagem à maternidade, sem deixar de tocar em temas bastante sensíveis, em especial para mulheres negras, como a relação com o cabelo e a importância de não ser a única nos espaços que frequenta.

Para além disso, vale lembrar também que Juliana se formou em serviços sociais como sua primeira formação e que mais recentemente também fez o curso de psicologia.

Atriz e ativista?

Juliana Alves é também ativista. Ela conta que, desde sua infância, participava de manifestações com a família e que uma das primeiras lembranças é a de estar no colo de seu pai no meio de um protesto.

A atriz Juliana Alves acompanhada da ativista Angela Davis. (Foto: Reprodução)

Esse é inclusive um dos motivos de fazer questão de relembrar suas origens sempre que tem oportunidade. Esta semana, quando falou sua participação no BBB, comentou também sobre o quanto temas sensíveis e importantes na construção e na reverberação do que é a sociedade brasileira hoje não eram tão discutidos há quase duas décadas como são hoje.

Questionada por Taís Araújo sobre o mundo em que gostaria de viver daqui a 20 anos, Juliana diz que gostaria de trabalhar. Só. Sem ter que se preocupar em carregar todo um movimento – e sua fala não tem o sentido de menosprezar, mas de ressaltar que até hoje esse movimento é necessário, mas que seu sonho é que um dia não seja, mas porque a liberdade e a equidade finalmente chegaram – que chega com ela e entra antes de que ela mesma esteja em cena.

Mas Juliana sabe da importância do coletivo. Reforça que quando Thelminha, por exemplo, sofre ataques racistas, estes ataques não são individuais e que ferem a população negra como um todo. Ela diz que não quer mais estar em espaços em que de mais de 200 convidades, ela é a única pessoa negra no ambiente.

Uma atriz negra no entretenimento brasileiro

Em vários momentos, Juliana descobriu as maravilhas e também as consequências de ter decidido seguir seu sonho e viver de arte no Brasil. Ela conta, por exemplo, ter recebido uma “dica” certa vez de que as pessoas estavam comentando que ela só havia alcançado sucesso porque estava envolvida com um dos diretores da produção. Logo ela que era bastante tímida e fechada no início da carreira.

Além disso, ela também já relatou que por um longo período teve vergonha de usar batom vermelho porque acredita que seus lábios já chamavam muita atenção e já chegou até a ter seu cabelo alisado sem seu consentimento numa situação em que ela indicou ao profissional que cuidaria dos fios o tratamento que deveria receber, mas a supervisão do trabalho indicou outra e, como já era de se esperar, a vontade deles prevaleceu.

Ela conta que as mudanças são lentas, mas já percebe, por exemplo, que não há mais tanta imposição para que mulheres negras usem roupas ou maquiagens somente de determinado jeito. Com quase 20 anos de carreira, mais de 20 trabalhos para a televisão e alguns filmes, Juliana mostra que sabe do que está falando. Que venham os próximos anos e que ela continue servindo de referência para muitas outras que virão para sentar ao seu lado.

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