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segunda-feira, 06 dezembro 2021
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Filmes originais Netflix: tesouros escondidos que valem a pena

A Netflix tem uma quantidade absurda de de conteúdo – mas estes filmes, da obra não acabada de Orson Welles a uma história de amor turbulenta senegalesa, merecem uma outra olhada.

Por K. Austin Collins

A Netflix pode ser ruinzinha. Com seu catálogo vasto e imprevisível de opções, a streamer é uma fonte notória de paralisia de opções: confrontados com muitas opções, nos vemos sem ter para onde ir. E, quando se trata dos originais Netflix, basta dizer que seus lançamentos – os que vieram com fome de Oscar Roma e Irishmen, o que viralizou instantaneamente Bird Box – são superados em número por títulos que são, na melhor das hipóteses, preenchedores.

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Ainda assim, há tesouros entre os originais. E um bom número deles valem uma outra olhada. Aqui estão alguns dos meus favoritos dos últimos anos – os originais Netflix sobre os quais nós já deveríamos ter discutido.

Atlantics

Uma história de fantasma, uma história de amor, uma ode conturbada e turbulenta aos corpos migrantes perdidos no mar. A incrível obra de lançamento do diretor senegalês Mati Diop, que foi uma das minhas favoritas de 2019, conta a história de uma jovem chamada Ada (Mame Bineta Sane) que, arranjada para se casar com um homem rico a quem ela não ama, acaba se apaixonando por um trabalhador chamado Souleiman – que desaparece. Souleiman, que devia receber da empresa de construção para a qual trabalha, tenta escapar para pastos mais verdes e melhores empresgos através de uma infeliz viagem pelo oceano. Vou deixar o resto – o folclore, as visões fantasmagóricas, a sensação cativante de amor eterno – para o filme. Este é um filme que escapa uma caterogização fácil, que é a sua emoção. Vale o mistério da jornada – e um estudo amplo e sensível a respeito de uma crise internacional prestes a acontecer.

Fantasmas de Sugarland

O curta-documentário expecional de Bassam Tariq – outro dos meus favoritos de 2019 – relata o que acontece quando Mark, um jovem negro de Sugar Land, Texas, se converte ao Islã sob o encorajamento de seus pares muçulmanos americanos e, depois de uma séries de posts online ascendentes, decide se juntar ao Estado Islâmico. O que isso significa para os amigos muçulmanos que ele deixa para trás se torna a questão difícil e envolvente do filme de Tariq, onde os amigos de Mark, que se sentem culpados por sua conversão e estão chocados pelo caminho que ele escolheu, debatem o termo de sua história enquanto a recontam. Esses jovens estão cheios de sentimentos complexos e memórias dolorosas – incluindo as memórias de crescerem muçulmanos depois do 11 de setembro em Sugar Land. O filme de Tariq é cheio de escolhas de estilo (como fazer com que os jovens usem máscaras de super-heróis para proteger suas identidades) Há uma urgência, uma pungência, uma política em tudo aqui. Acima de tudo, há questões – e as habilidades de Tariq tentam respondê-las.

Feliz Como Lazaro

Há uma certa mágica no filme ilusório, mas maravilhoso terceiro filme da cineasta Alice Rohrwacher, que se passa numa farmácia isolada de tabaco que, por motivos que é melhor que não sejam revelados, não é bem o que parece. Alguma coisa sobre o período e sobre sobre as pessoas parece fora do lugar. Principalmente quando se trata do inocente jovem Lazaro (Adriano Tardiolo), que parece um santo. Este é um filme que amarra uma trama de sequestro elaborada pelo filho da dona do campo de tabaco, morte súbita e um avanço rápido no tempo, para não falar sobre as ideias intrigantes da Itália moderna. A trama também é atormentada por estranhas ocorrências – incluindo uma reviravolta chocante no meio do filme que me fez dar um grito no cinema na primeira vez que vi o filme. De maneiras que você nem percebe muito bem enquanto assiste o filme, Rohrwacher habilmente entrelaça um cenário de tons e ideias que sempre são maiores e mais misteriosas do que parecem à primeira impressão. Um filme para quem gosta de perder o chão.

Shirkers – O Filme Roubado

O incrível documentário de Sandi Tan de 2018 reconta a criação de um filme – e uma longa saga de 25 anos de traição. Quando ela era só uma adolescente, Tan e um grupo de amigos – todos cingapurianos tão envoltos na cultura pop quanto era possível imersos na própria cultura – se tornaram os primeiros cineastas independentes do país com um filme peculiar chamado Shirkers. E então este filme desapareceu: roubado e guardado por mais de duas décadas pelo mentor americano do grupo, Georges Cardona. Só quando George morre anos depois do ocorrido que Tan volta a pôr as mãos na filmagem. E o que emerge – e Shirkers habilidosa e dolorosamente relata – é uma vista alternativa da história de um filme. Uma perspectiva em que as características que associamos a Wes Anderson e Jane Campion são redirecionadas pelas travessuras de Tan e seus amigos, que de alguma forma chegaram lá primeiro. Shirkers é valioso porque faz muita coisa de uma vez só. É o mais próximo que chegaremos de ver o filme original de Tan – o filme está cheio das filmagens da época. Mas também é, por si só, uma história fascinante de traição – e um retrato perspicaz de uma artista cuja carreira foi extinta antes de começar.

Via: Vanity Fair

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Vinícius Gonçalves
Geminiano, viciado em tecnologia, filmes de terror e cinema.
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