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segunda-feira, 16 maio 2022
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Filhas da Dita apresentam ‘Canto das Ditas’ no Teatro Alfredo Mesquita

O espetáculo ‘Canto das Ditas – Fragmentos Afrografados de Cidade Tiradentes’, montagem do núcleo Filhas da Dita, tem apresentações gratuitas no teatro da zona no Teatro Alfredo Mesquita nos dias 13, 14 e 15 de maio (sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 19h), na zona leste  paulista.

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Com direção e dramaturgia de Antonia Mattos, a montagem entrelaça a força ancestral de orixás femininas com a força de mulheres negras na construção do bairro Cidade Tiradentes. Essas apresentações integram o projeto Insistência Periférica: Uma Possibilidade Teatral de Reparação História, contemplado pela 35ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Para refletir sobre como a África se manifesta no dia a dia das moradoras de Cidade Tiradentes, as Filhas da Dita encararam o desafio de ‘afrografar’ o bairro – referência ao termo ‘afrografias’ da poetisa e ensaista Dra. Leda Maria Martins, que coloca em evidência e consciência a nossa herança africana. O trabalho do grupo mapeou esse legado ancestral por vários ângulos: ao próprio redor, junto a parentes, pessoas próximas e até mulheres desconhecidas que caminham pelo bairro.

Canto das Ditas coloca em cena histórias de mulheres pretas de Cidade Tiradentes que se entrecruzam com histórias de Yabás (orixás femininas). A montagem busca o reflexo das histórias do cotidiano em um espelho ‘mítico’ das personagens sagradas. A diretora explica que “a narrativa espiralada procura se relacionar com um tempo mítico, da memória e da ancestralidade. As personagens reais correspondem a arquetípica das personagens míticas. Recorremos ao ‘espírito ancestral feminino’, às ‘grandes mães da humanidade’, às yabás para contar as histórias dessas mulheres, as Ditas, que fundaram Cidade Tiradentes”.

As atrizes que interpretam as quatro mulheres – Bendita/Nanã, Marta/Iemanjá Maria/Iansã, e Joana Nega Su/Obá – são Ellen Rio Branco, Lua Lucas, Luara Iracema e Thábata Wbalojá, respectivamente. Segundo Antonia, “a poética cênica é atravessada por elementos e saberes ancestrais, dentro de um tempo/espaço que aponta para as reminiscências de um passado sagrado, buscando fortalecer o presente e deslumbrar o futuro”. A origem da humanidade na África e a fundação de Cidade Tiradentes são contadas simultaneamente: o passado sagrado se revela no presente e no passado recente.

A origem do bairro passa pela força dessas mulheres negras que alí chegaram, se instalaram e fizeram a história local. E são delas as histórias encenadas em Canto das Ditas – Fragmentos Afrografados de Cidade Tiradentes, onde a música tem papel fundamental, trazendo a voz e o canto dessas mulheres em um cenário que se estabelece entre o ritual e o urbano contemporâneo. “Tempos e lugares diferentes mostram que, apesar da repressão sofrida, as mulheres sempre se reuniram em grupos para buscar alternativas, desafiar o sistema patriarcal e mudar sua condição, seja na sociedade secreta africana de Eleko, seja na Casa Anastácia (Centro de Defesa e Convivência da Mulher) em Cidade Tiradentes”, reflete Antonia Mattos.

Filhas da Dita nasceu em Cidade Tiradentes, em 2007, e vem mantendo contínuo processo de criação artística.  Em seu repertório estão os espetáculos: Os Tronconenses (2007), A Guerra (2013), Sonho de Tatiane – Uma Poética Sobre Juventudes (2017) e Canto das Ditas – Fragmentos Afrografados de Cidade Tiradentes (2019). Em 2015, brotou a faísca de um desejo: a construção do fazer artístico novo, mas que mantivesse a memória progenitora. “Afinal, se somos Filhas, nossas mães têm cara, voz e corpo nos nossos processos. Dessa constatação desembocam estudos aprofundados sobre a feminilidade e suas subjetividades com recorte de raça/etnia”, relatam as integrantes do grupo. Em sua montagem mais recente, Fragmentos Afrografados de Cidade Tiradentes, buscam visibilizar narrativas que sempre foram e ainda são negligenciadas. Em 14 anos de trabalho é evidente o aprofundamento de uma prática artística com e no território, além da articulação em rede com outras coletividades periféricas.

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Vinícius Gonçalves
Geminiano, viciado em tecnologia, filmes de terror e cinema.
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