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domingo, 05 dezembro 2021
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Embelleze envia nota de esclarecimento ao TNM sobre a falta de apoio em causas antirracistas

Ontem nós publicamos uma matéria sobre o posicionamento da empresa Embelleze em não apoiar as causas antirracistas para não sofrer prejuízos financeiros. Se não viu, veja aqui. Hoje, recebemos uma nota de esclarecimento da empresa falando sobre o ocorrido. Ao final da nota, colocamos nossas observações. Leiam até o final.

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Nota de esclarecimento – Embelleze

A Embelleze sempre abraça a beleza das diferenças. Isso está em nosso DNA desde os primeiros produtos. São mais de 50 anos tendo como missão transformar a vida das mulheres brasileiras por meio da beleza. Sempre estivemos atentos à voz de nossas consumidoras e de nosso público.

Em 2015 fomos a primeira empresa nacional a dar opção para a mulher cacheada se empoderar. O mundo se empoderou e fizemos parte disso. Entendemos que o cabelo é a identidade da mulher e que ela tem o direito de escolher manifestar sua beleza da forma que quiser, quando quiser e onde quiser. 

Estamos fazendo a diferença na vida de milhões de brasileiras e vamos continuar firmes em nossa missão, lançando produtos de qualidades e que possam auxiliar nossas consumidoras nas escolhas delas.

A mulher pode e deve escolher sua própria maneira de ser poderosa. Em nossas campanhas sempre representamos a pluralidade da mulher nacional: temos plus size, portadoras de necessidades especiais, negras, ruivas, loiras, de diversas idades e classes sociais. Acreditamos que um mundo melhor e mais justo se constrói desta forma: abraçando e respeitando as diferenças.

O TNM, como veículo de comunicação que se propõe a vestir a camisa da causa negra e que surgiu justamente para denunciar a ausência do negro no audiovisual e na mídia de uma maneira geral, se sente satisfeito por receber uma nota de esclarecimento da empresa, o que mostra respeito por nosso posicionamento. Porém, observamos que em todo texto, a nota apenas reforça o que foi dito durante a live por Monique Elias, que ao ser questionada pela ausência de apoio às causas antirracistas, já que a maior parte do seu público é negro, a justificativa foi que, se apoiasse, isso poderia “doer no bolso”.

Não concordamos com este posicionamento por conta dos seguintes motivos:

  • Em diferentes partes da nota, a empresa posiciona-se como pioneira no lançamento de produtos para um público diversificado. Entretanto, vale lembrar que esses produtos são vendidos e comprados por pessoas que não são representadas.
  • Ao mencionar que, em 2015 foi a “empresa nacional a dar opção para a mulher cacheada se empoderar”, só reforça o fato de se preocupar, unicamente, em tornar-se referência no mercado através do empoderamento, uma vez que você possui este tipo de posicionamento, mas não se coloca socialmente por meio de políticas antirracistas, deixa claro, mais uma vez, seus valores são baseados apenas em questões financeiras.
  • Dizer que seu apoio às causas afirmativas e neste caso, antirracista, dá-se através de “lançando produtos de qualidades e que possam auxiliar nossas consumidoras nas escolhas delas” não reflete um posicionamento assertivo e conivente com tais causas, pois a Embelleze, como empresa, está faturando e lucrando cada vez mais com a venda desses produtos.

Resumindo, a nota que recebemos só reforça o que foi dito pela senhora Monique Elias ao ser questionada pelo blogueio Cristiano, da página Beyoncé Destruidora.

Quando falamos em se posicionar, nos referimos em fazer campanhas específicas e efetivadas de combate ao racismo; criar grupos em que empresas possam discutir suas práticas e educar seus funcionários e a comunidade; empoderar financeiramente blogueiras, YouTubers, ONGs, instituições e canais que trabalham no combate ao racismo; contratar uma produtora de filmes de propriedade de pessoas negras, para produzirem seus vídeos e materiais publicitários.

Ou seja, o posicionamento de causas antirracistas vai muito além do lançamento de produtos que contemplam todos os tipos de cabelos. A ideia é trabalhar socialmente e assertivamente em políticas que, de fato, irão impactar positivamente um grupo que historicamente é esquecido e rejeitado pela sociedade. Não iremos mais aceitar empresas que ficam em cima do muro e se posicionam apenas quando lhe é conveniente.

O movimento negro está cada vez mais organizado e, assim como acontece em outros países, a cultura do boicote ao que não nos representa é inevitável. Se omitir é ser conivente. Aconselhamos que melhorem para merecerem o dinheiro de pessoas negras, afinal, somos “apenas” 56% da população brasileira. 

Para nós, representatividade importa. Se não me vejo, não compro!

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Vinícius Gonçalves
Geminiano, viciado em tecnologia, filmes de terror e cinema.
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