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sábado, 02 julho 2022
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Ebony English: um legado

Spelling Bee 2018. (Vídeo: Cortesia Ebony English)

Eu me lembro como se fosse ontem. E até parece a descrição da página de um livro, mas não é: era um dia muito frio, em especial na Avenida Paulista, onde a escola está localizada, e eu usava um sobretudo e um cachecol. Na verdade, tem outro motivo pra eu ter uma imagem tão nítida desse dia: um dos fundadores da Ebony, o Rodrigo Faustino, ama tirar fotos e registrou o momento. Eu cheguei lá para uma conversa, acabei assistindo a todas as aulas do dia, de outro dia, fiz uma aula teste… E nunca mais saí.

A Ebony English existe há 12 anos, com o objetivo de conectar a diáspora. São muitos os alunos que entram sem nem entender direito o que essa palavra quer dizer, mas garanto que ninguém sai do mesmo jeito. Sabe aquela história de aprender na prática? Esse não é o slogan da escola, é um pilar: em todos os módulos, os alunos recebem convidados negros dos mais diversos lugares e com diferentes histórias em quem podem se inspirar, mas também avaliar por conta própria o próprio desenvolvimento. Só este ano, eu, que sou uma dos 8 professores dos quais a escola dispõe, já participei de eventos com profissionais e pesquisadores negros dos Estados Unidos, China, Suriname, Egito e Canadá.

Evento com a participação de Parteum. (Vídeo: Cortesia Ebony English)
Campeonato de soletração em 2016. (Vídeo: Cortesia Ebony English)

O ambiente tanto para as aulas como para os encontros são os mais confortáveis possível: mesmo antes do isolamento, quando o convidado não estava visitando o Brasil, já fazíamos videoconferências, então nossos alunos estão bem habituados com esse contexto. Nestes encontros, falamos de temas importantes e densos como o surgimento do movimento Black Lives Matter, as semelhanças entre o racismo em diferentes partes do mundo e a importância de uma mídia negra como protagonista das notícias da nossa comunidade, mas também falamos sobre comidas, temperos, séries, artistas, viagens. Sempre com uma perspectiva preta. Ah, e por falar em viagens, variamos tanto nos destinos como nos propósitos: a importância de se entender capaz e também de se preparar para uma oportunidade de estudo nos Estados Unidos, mas também a de compreender que podemos e merecemos viajar o mundo a lazer. E de conhecer a história negra de Paris, como aprendemos com a Bia Souza, da Brafrika. Ou de como viajar para a África do Sul é uma realização mais próxima do que geralmente imaginamos.

A Ebony é uma experiência de reencontro para todos: professores, alunos, equipe, parceiros. Eu me lembro de chegar lá e ter uma aula focada no corpo docente da escola com a Domênica, mais conhecida como Nicky (do canal @nickygirlenglishtips) e sentir na pele a emoção de estar em um lugar em que eu finalmente me reconheci: aprendendo sobre cultura negra, com uma professora negra que era difícil acreditar que era brasileira porque ela soava igualzinha à uma americana. Desde então eu morro de amores por ela. No final daquela aula mesmo, eu fui perguntar onde ela tinha aprendido tudo aquilo e ela pacientemente me deu várias dicas de onde procurar aperfeiçoar meus estudos.

Ebony Kids 2019. (Vídeo: Cortesia Ebony English)

Mas não pense que a escola ensina o inglês americano, não. A Nicky é especialista em fonética, mas os professores viajaram o mundo e trazem muitas referências que não se concentram nas Américas. Inclusive a Marta Celestino, que é pesquisadora da diáspora africana e CEO da escola, esteve em diferentes continentes para gravar uma websérie que é conteúdo exclusivo para os alunos em que diferentes personalidades negras falam sobre suas perspectivas sobre a diáspora. Além disso, de cada viagem (e são muitas), tanto a Marta como o Rodrigo trazem ainda mais conteúdo para contribuir com o planejamento de professores. Os que eu mais amo receber são os jogos e os livros, que trazem tantas conversas pra gente lembrar do perigo de uma história única que a Chimamanda sabiamente descreveu e reconhecer que não dá pra falar em África do Sul, Nigéria, Gana com apenas uma história porque são vidas, culturas e conhecimentos diferentes.

A Ebony nasceu 12 anos atrás do desejo do Rodrigo Faustino e mais 4 fundadores, de fazer uso da cultura negra como uma forte aliada para o ensino do inglês. Desde então, sofreu diversas transformações. A Marta, consultora em inovação e diversidade, trouxe, com sua experiência em multinacionais, novos ares para a escola. A Domênica elaborou o material exclusivo com protagonismo negro (do conteúdo às ilustrações) e desde então a equipe só vem somando. A história nos ensinou que é importante dizer nossos nomes, então aqui vão eles:

Ana Azevedo – professora e responsável por parte da produção da plataforma de cursos online

Daniel Alves –  professor e mestre em linguística aplicada

Domenica Alves – professora, consultora e especialista em fonética

Douglas Campos – professor e responsável por projetos corporativos e patrocinados

Everton Nascimento – professor e coordenador de metodologia e processos

Pedro Basílio – professor de cursos regulares e intensivos

Thaís Sena (eu!) – professora, coordenadora de conteúdo e criadora do Ebony Kids

Ananda Fernandes – professora auxiliar e responsável pela logística e operacionalização dos cursos presenciais e eventos

Juliana Rosa – responsável comercial, à frente de intercâmbios, novas matrículas e eventos

Marco Celestino – projetos de edição de vídeos para redes sociais e plataforma online

Hoje, a Ebony oferece aulas presenciais (que, por conta da pandemia, estão ocorrendo de modo virtual) em São Paulo que atendem a todas as idades e uma plataforma online que já conta com alunos do Brasil e do mundo. Para saber mais, acesse o site. Todos os interessados têm direito a uma aula experimental para conhecerem nossa metodologia.

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Thais Sena
Thais Senahttps://todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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