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Documentário sobre a rapper Yzalú estréia hoje em São Paulo

Doc dirigido por Inara Chayamiti e Mayara Maldjan conta a trajetória da rapper a partir da sua música de maior sucesso, Mulheres Negras.
Pra quem gosta de cinema e de rap e está procurando um motivo pra curtir o friozinho da cidade dentro de uma sala de cinema, a boa opção é comparecer hoje (15/6) às 19:30 na Matilha Cultural, no centro de São Paulo, para assistir a documentário Yzalú – Rap, Feminismo e Negritude e logo em seguida conferir um pocket show Yzalú, protagonista do curta metragem. Eu conversei um pouco com a raper e conto um pouco desta conversa pra você.
A lembrança mais viva que Yzalú tem da sua relação com a música na infância é dos desfiles que o pai produzia nos Bailes Black de São Bernardo do Campo. “Meu pai é cabeleireiro, especializado em cortes para cabelos afro, ele tinha um salão e promovia desfiles nos bailes. Minha mãe desfilava pra ele e eu ficava ali ouvindo música e maravilhada vendo a minha mãe desfilar. Logo depois disso, quando eu tinha cinco anos, meus pais se separaram e minha mãe foi trabalhar em dois, até três empregos e eu ficava em casa sozinha ouvindo dos vinis dela. Eu ouvia James Brown, Marvin Gave, Michael Jackson”.
São muitas as lembranças que Yzalú carrega de um tempo em que ainda era só Luiza Yara Lopes Silva. O codinome Yzalú veio quando já sabia o que queria musicalmente, queria fazer rap e tocar violão. “O violão chegou antes do rap na minha vida. Eu tinha 14 pra 15 anos, a primeira música que eu compus foi Bossa Nova. Depois veio o rap e eu não larguei o violão, fiz parte de um grupo de mulheres no rap, o Essência Black e eu estava lá com meu violão”. Como o violão não faz parte dos elementos do rap Yzalú precisou se inspirar numa das maiores rappers mundiais pra ter certeza de seu estilo, Laurin Hyll. Eu já acompanhava a Laurin desde o The Fugees, mas quando eu escutei o  disco Unplugged dela, no inicio dos anos 2000, eu descubro que podia mesmo fazer rap eu e o violão. E o instrumento é meu escudo, eu sempre fui muito tímida, então o violão me protegia e quando eu escutei a Lauryn, eu escutei possibilidades. Descobri que era possível ser uma mina fazendo um trabalho de resiliência e quando vc chega com resiliência é impossível as pessoas não te notarem, não te darem um espaço.”.
A visibilidade no rap veio quando gravou Mulheres Negras, música escrita pra ela pelo rapper Eduardo, ex-Facção Central. Aliás, a musica e os ensinamentos que ela permite é o centro do documentário dirigido por Inara Chayamiti e Mayara Maldjan. “Este documentário traça o quanto eu evolui, foram dos anos de encontros até que ele ficasse pronto e a satisfação de ter minha trajetória contada por outras duas mulheres é grande”. O doc traz uma conversa profunda sobre a força da letra que retrata a realidade das mulheres negras brasileiras. A raper conta feliz que sempre recebe mensagens de professores e pessoas que utilizam a letra de Mulheres Negras em trabalhos acadêmicos. “Eu fui numa escola a convite de um professor que tinha apresentado a música pros alunos da quinta série. Foi muito lindo. Eles tinham pesquisado sobre a música e sobre mim, tinha cartazes como minha foto pela escola e os alunos ficaram maravilhados em me conhecer”.
Mas não é difícil se maravilhar com ela. Sempre cheia de sorrisos e atenção para os fãs, Yzalu sabe que representa as mulheres negras da periferia e qual o seu lugar na história, ainda que sendo uma mulher negra de pele clara. Outra discussão que traz para a música é da realidade de pessoas com deficiência. Desde de criança, em razão de uma doença congênita, Yzalú usa prótese na perna direita. Em seu primeiro álbum, Meu Rap é Treta, uma linda e delicada imagem da cantora nua na capa do disco com seu violão servindo de escudo, ela fez questão que a prótese também aparecesse na imagem. “Eu achava que chegar até aqui não seria possível pra mim por ser uma mulher negra e deficiente com o passar do tempo eu descobri que eu podia fazer da minha vida minha arte, comecei a fazer da minha prótese uma arte. Utilizar a minha prótese com forma artística. Eu sei o que esta arte pode promover, minha arte é de transformação, eu posso construir muitos pontos de vista da minha ótica, mas posso contribuir com outros olhares, minha arte é relevante. Eu procuro fazer uma arte relevante”.
Yzalú – Rap, Feminismo e Negritude
15/6 às 19:30 na Matilha Cultural
R. Rêgo Freitas, 542 – República, São Paulo
Entrada gratuita
Assista ao trailer: 
FICHA TÉCNICA
Realização: Rua Filmes
Direção e produção: Inara Chayamiti e Mayra Maldjian
Direção de fotografia: Inara Chayamiti
Som direto (entrevista e performance): Flavio Guedes
Montagem e finalização: Inara Chayamiti
Produção Yzalú: Camila Vaschi
Beleza: Letícia Rocha
Iluminação e câmera adicional (performance): Flavio Guedes

 

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