fbpx
19.5 C
São Paulo
sábado, 02 julho 2022
HomeOpiniãoCorrida das Blogueiras e o fardo de ser preta na internet

Corrida das Blogueiras e o fardo de ser preta na internet

Quando a internet e o mundo estarão preparadas para ouvir e respeitar a opinião de uma pessoa preta?

Corrida das Blogueiras é um reality show comandado pelo casal Edu e Fi, do Diva Depressão. A premissa é bem interessante: alguns aspirantes a blogueiros são selecionados para participar e têm que cumprir uma série de provas. Em cada episódio, temos um eliminado de acordo com seu desempenho nos desafios. A decisão é um consenso entre a bancada de jurados. Neste ano, havia três juradas fixas, entre elas a blogueira e cientista social Nátaly Neri (@natalyneri), sendo a única preta e a única que precisou vir a público se explicar sobre as eliminações.

A grande final do programa foi transmitida no dia 14 de dezembro, pelo canal do YouTube, para o vencedor, além do prêmio, a visibilidade e o aprendizado já são uma conquista. Mas antes disso, Nátaly teve que se defender de uma polêmica sem sentido.  Alguns internautas a acusaram de estar favorecendo uma candidata por ela também ser preta. Como citamos antes, o martelo só é batido quando os três jurados e mais um convidado entram em consenso, mas isso não foi levado em conta no tribunal virtual.

Natály Neri e as juradas do Corrida das Blogueiras
Natály Neri e as juradas do Corrida das Blogueiras – Reprodução via Instagram

Não gostar do trabalho de um participante, de suas maquiagens, da sua performance é algo aceitável. Porém jogar a culpa em cima de apenas um integrante do júri, que é uma mulher negra, é um exemplo claro que ser preto e produzir conteúdo na internet se torna um fardo muito pesado.

Isso não é uma crítica ao “Corrida das Blogueiras”, pelo contrário, o programa traz entretenimento, oportunidades e uma diversidade que deve ganhar espaço no meio digital. É apenas mais uma reflexão sobre como pessoas negras vão sempre ser julgadas mesmo fazendo a mesma coisa que pessoas brancas.

Ao terminar de assistir todos os episódios do programa, é possível perceber a conduta de jurada que Nátaly teve, sendo firme, justa, doce e também dura quando necessários. Estamos acostumados a consumir esse tipo de conteúdo, os grandes reality de culinária, por exemplo, fizeram sucesso em cima da pressão, alguns gritos e até mesmo uma dose de arrogância. Nossa jurada aqui não fez nada disso, mesmo assim foi crucificada.

Então fica a pergunta: por que alguns podem desfrutar do seu poder de júri, até para humilhar e outros têm que se calar, fazendo a vontade dos entendidos de plantão? A internet é incrível, um local de possibilidades, mas também é onde todos acham que sabem tudo e se sentem no direito de ser racistas e maldosos, simplesmente porque se escondem atrás de uma tela.

Karol Conká se apresenta na BATEKOO

Nátaly Neri antes do Corrida das Blogueiras

Talvez algumas pessoas só tenham conhecido a Nátaly pelo Corrida das Blogueiras, mas sua carreira vem de muito antes. Lembro de acompanhar vídeos sobre customização de roupas, conteúdo que ela faz com maestria até hoje. Inclusive em seu canal tem uma série de vídeos mostrando os looks que ela usou no Corrida das Blogueiras, todos comprados em brechó e adaptados para o seu estilo.

Nátaly fala sobre consumo sustentável, moda, dramas do cotidiano e vida acadêmica, além de ter uma pegada mais filosófica. Ela é uma pessoa ocupando espaço, produzindo, sendo segura de suas opiniões e vivendo. Tudo aquilo que muitos não admitem que uma pessoa negra seja.

Final do Corrida das Blogueiras

A conclusão é sempre a mesma, pretos lutam dez vezes mais por um espaço e ainda assim o respeito passa longe. Corrida das Blogueiras é uma revolução e tem que continuar, esperamos que os fãs e qualquer outro telespectador aprenda a respeitar.

Compartilhe

Maria Angélica
Maria Angélicahttps://todosnegrosdomundo.com.br
Tenho 22 anos, sou nascida e criada no litoral, caiçara com muito orgulho. Além disso, também sou formada em Comunicação Social - Jornalismo. Sempre me encantei com o poder das palavras e por isso sinto que o jornalismo me escolheu, durante a minha breve trajetória profissional tive a oportunidade de contar histórias lindas e é o que pretendo continuar fazendo.
- Advertisment -
- Advertisment -

MAIS LIDAS

COMENTÁRIOS RECENTES