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segunda-feira, 16 maio 2022
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Você apoia o corre de quem tá do seu lado?

Esses dias, fui jantar num restaurante e me deparei com um artista que eu conhecia das redes sociais recebendo as pessoas. É óbvio que não tem nada de errado em trabalhar num restaurante e que o valor que a gente atribui a qualquer profissão é uma construção social, mas na hora fui olhar no perfil dele pra ver se ele já tinha falado sobre trabalhar nesse restaurante em algum momento e não achei.

Nos dias de hoje, eu diria que não divulgar nas redes sociais é não querer priorizar esse trabalho porque, em especial em tempos de pandemia, muitos dos negócios que a gente faz são virtuais, né? Então talvez esse não seja o trabalho dos sonhos dele. E aí fiquei pensando: ok, ele não tem um milhão de seguidores, mas tem pessoas pretas famosas que acompanham o perfil, tem música no Spotify, vídeo bem produzido lançado no YouTube e tudo mais. E aí fiquei pensando em quantos dos meus amigues talvez não estejam na mesma situação.

Bom, tudo que eu tô fazendo aqui são suposições. Mas essas suposições me fazem pensar ainda mais sobre o quanto a pandemia afetou a indústria audiosivual e as pessoas que estão mais próximas de nós do que a gente imagina e em formas de apoiar quem tá fazendo um corre por perto.

A sombra do privilégio branco

Como apoiar o corre de amigues?

Em uma das lives que fizemos no início da pandemia, Eddie Coelho deu a letra de como apoiar quem está do seu lado e é de um jeitinho que a gente já conhece bem: bufunfa, dindin, grana. Mas às vezes você também está apertade, investindo nos seus sonhos e não tá rolando de apoiar o sonho de outras pessoas. Então talvez rolem alternativas…

Se você tem condições, por que não apoiar o corre dos seus com um dinheirinho?! (Foto: Nappy)

Bufunfa, dindin, grana

Tá bom, isso aqui é óbvio, né? Mas você já pensou que mesmo pra apoiar com dinheiro existem várias formas? Hoje, por exemplo, pra mim parece óbvio que eu não posso pedir desconto pra minha amiga que vende roupas se eu não peço quando vou na C&A, mas nem sempre foi assim.

Diz o Kamau que dizia o Chorão: “amigo meu eu trato bem e pago em dobro”. Se não der pra pagar o dobro, pague o que você puder. Se seu amigo cantar e fizer um show, pague o ingresso ao invés de pedir uma entrada VIP. Se sua amiga vende bijuteria, mesmo que você saiba onde comprar mais barato, se você tiver condição de pagar, compre dela. Compre comida no seu bairro. Se for alguma coisa que você não tem condições de pagar sozinhe – ou simplesmente se for possível -, compre em grupo!

Você fala do corre de amigues pra outros grupos? (Foto: Nappy)

Falando em grupo…

Além de apoiar quem está do seu lado financeiramente, você divulga os trabalhos dessas pessoas em outro grupo? Quando alguém no trabalho fala que vai fazer uma festa, você indica a empresa ou os serviços de eventos daquele amigo? Quando alguém precisa de um lugar pra fazer um evento ou comprar um presente pra uma data especial, você indica aquela amiga? E quando alguém tá querendo dar uma festa em casa, você conta que conhece alguém que faz justamente esse tipo de organização?! Indicação é de graça, né?!

Já divulgou a página de alguém que você gosta nas redes sociais hoje? (Foto: Nappy)

Redes sociais

Bom, nas redes sociais, além de ser de graça, tem várias formas de apoiar. No Instagram, por exemplo, ao compartilhar o negócio de um amigo, use o sticker para apoiar pequenos negócios para que ele fiquei visível para quem ainda não segue a página.

Se comprou alguma coisa, compartilhe nas redes sociais e marque a página. Às vezes, as pessoas gostam de saber quem está por trás do que elas estão consumindo e das histórias que essas pessoas têm pra contar. Compartilhe alguma lembrança que você tem com essa pessoa ou com o pequeno negócio para chamar mais atenção e deixar a loja ou serviço mais humanizado.

Outra coisa que você pode fazer se tiver comprado alguma coisa é deixar uma avaliação positiva, assim todo mundo sabe que você não está divulgandosó porque trata-se de um conhecide, mas porque aquilo realmente vale a pena – além de saber que você não está indicando sem consumir.

Já pensou num comentário positivo sobre o negócio do seu amigo hoje? (Foto: Nappy)

Faça comentários

Depois de ter comprado o que quer que seja de um amigue, percebeu que tem alguma coisa que é um diferencial?! Faça um comentário sobre! Quem não gosta de receber elogios?!

Se tiver alguma coisa que você entende que pode melhorar, faça um comentário também. Mas, nesse caso, certifique-se de que esse comentário está sendo feito somente à(s) pessoa(s) envolvida(s) na sugestão que você gostaria de dar, principalmente se essa pessoa estiver no início de carreira.

Tente desenvolver com as suas amigas ao menos metade da paciência que você tem ao trocar uma roupa na C&A. (Foto: Nappy)

Seja paciente

Se o negócio do seu amigo está começando, como é que você pode esperar que ele tenha a mesma desenvoltura de uma grande empresa ou de alguém que faz isso há anos?! Não dá.

E, se você pode passar horas numa fila para comprar um ingresso ou entrar num show de alguém de quem você é muito fã, mas a pessoa nem sabe que você existe, por que você nunca pensou em fazer isso por um amigo?! E se você fica um tempão esperando na fila de lojas de departamento ou esperando um item chegar dos Correios, por que não fazer o mesmo com um amigo que teve problemas pra te entregar o que você esperava?! Essa também é uma (ótima) forma e apoiar negócios, em especial negócios pretes.

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Thais Senahttps://todosnegrosdomundo.com.br
Sou professora de inglês, formada em Comércio Exterior, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de São Paulo e parte do grupo de Pesquisa Laroyê - Culturas Infantis e Pedagogias Descolonizadoras. Já atuei como professora voluntária e em projetos populares, fez formação em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Britânico e há 6 anos atua também na Ebony English, que ensina inglês com cultura negra.
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