fbpx
19.5 C
São Paulo
domingo, 23 janeiro 2022
HomeInternacionalConheça as duas executivas por trás da #BlackOutTuesday

Conheça as duas executivas por trás da #BlackOutTuesday

Era terça-feira, 02 de junho, quando duas mulheres negras e executivas da indústria musical resolveram apertar o “pause” neste mercado bilionário.

O filme de Oge Egbuonu é uma carta de amor à mulheres negras

Cansadas de lidar com o racismo tanto nas ruas quanto nos corredores da fama que lucram com a música negra, as duas executivas em ascenção, que já foram colegas de trabalho, Brianna Agyemang, de 32 anos, e Jamila Thomas, de 25, se falaram ao telefone na noite anterior sobre tirar um dia de folga para processar todos os acontecimentos nos Estados Unidos. Das janelas de seus apartamentos em Nova Iorque, podiam ver os protestos. Agyemang diz ter ligado para Thomas para sugerir que elas tirassem um dia de folga porque com todas as mortes decorrentes de mãos policiais e os efeitos da pandemia, que vem atacando de maneira desproporcional a comunidade negra, sentia que as pessoas não tinham tido o tempo necessário para processar o que estava acontecendo.

Então naquela mesma noite, as duas montaram e lançaram o site com a mensagem #TheShowMustBePaused [O Show Deve Ser Pausado, em tradução livre]. A mensagem diz: “Nossa missão é responsabilizar a indústria de modo geral, incluindo as grandes corporações e seus parceiros, que se beneficiam dos esforços, batalhas e sucessos das pessoas negras… É obrigação destas instituições proteger e empoderar as comunidades negras que os fizeram desproporcionalmente ricos de maneiras mensuráveis e transparentes.”

Agyemang e Thomas, que se aproximaram em 2017, quando trabalhavam na Atlantic Records, repassaram aos amigos e colegas para que compartilhassem a mensagem nas redes sociais, com uma série de ações dentro e fora do mundo da música e observaram o que os apoiadores começaram a enviar para diversas empresas e passaram a chamar o movimento de “BlackOutTuesday”. Enquanto Agyemang e Thomas organizavam um evento virtual, com 1.500 participantes, as três maiores gravadoras – Universal, Sony e Warner – cancelaram suas operações normais e, no lugar, organizaram workshops e discussões para os funcionários. Serviços de streaming, rádios e artistas também apoiaram. A Apple Music cancelou a programação de sua rádio Beats 1 e ofereceu uma programação com o melhor da black music. O Spotify adicionou uma faixa de 8 minutos e 46 segundos de silêncio em playlists e podcasts em referência ao tempo em que George Floyd foi sufocado.

Como a notícia se espalhou rapidamente, Thomas diz que ela e Agyemang começaram a ser contatadas questionando qual era o próximo passo, quando e onde parar.

As duas conversaram com a revista Billboard sobre o que deu certo, o que deu errado e os próximos passos.

Algumas pessoas passaram a compartilhar uma foto toda preta com as hashtags #TheShowMustBePaused e #BlackOutTuesday ou #TheShowMustBePaused e #BlackLivesMatter. Essa situação causou problemas, pois impediu que as pessoas obtivessem informações importantes sobre o movimento Black Lives Matter e os protestos. Agyemang diz que esta ideia não partiu dela e de Thomas, que nunca tiveram a intenção de atrapalhar o BLM, mas que o movimento se tornou um telefone sem fio. Ela diz: “O objetivo era fazer uma pausa da nossa rotina de atividades das 9h às 17h para focar e centrar. E isso significava que você poderia fazer uma pausa e respirar. Ou usar um momento para para pensar ou usar esse tempo para focar no que você poderia fazer dentro da sua comunidade para mudar as coisas e promover o progresso.”

Numa indústria que ainda é majoritariamente ocupada por homens brancos nos cargos de grandes decisões, o ato corajoso destas duas mulheres mostra que executivas como elas podem ter mais poder sobre a indústria do que o título de seu cargo parece indicar – e que elas estão preparadas para fazer uso dele. Thomas diz que, no evento que realizaram online, os homens estavam um pouco céticos a princípio, mas que, ao final, vários deles – “incluindo um diretor de uma gravadora e um executivo de alta posição” – manifestaram que queriam ajudar a combater o racismo de todo o coração. E completa: “Eles disseram que nos protegerão a todo custo, logo não deveríamos nos distrair ou nos preocupar com repercussões negativas. Que nós deveríamos entrar com a consciência limpa e agir como líderes.” Agyemang acrescenta que “é outro nível de confiança ter um homem negro te dizendo que você está protegida. Isso toca a nossa essência.” Dizendo abertamente que vão lutar por igualdade racial junto às comunidades negras, elas declaram que neste momento estão focadas no que chama de fase 2 de “responsabilizar a indústria e fazer com que suas práticas sobre representação, responsabilidade social e compensação holística sejam transparentes, uma vez que referem-se aos artistas, parceiros e funcionários negros” e que foi atualizada em seu site ontem (11). Agyemang diz: “Eu sei que somos as últimas que esperavam ver aqui, mas estamos aqui por um motivo – e não vamos embora.”

Compartilhe

Vinícius Gonçalves
Geminiano, viciado em tecnologia, filmes de terror e cinema.
- Advertisment -
- Advertisment -

MAIS LIDAS

COMENTÁRIOS RECENTES