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domingo, 14 agosto 2022
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Especial de Natal “A Magia Acontece”, de Cleissa Regina Martins, ganhadora do Leão de Ouro, ganha continuação em 19/12

A continuação da produçao vai ao ar dia 19 de dezembro na TV Globo.

Cleissa Regina Martins é a roteirista do especial de Natal “A Magia Acontece”, exibido pela Rede Globo. Além de ter rendido a própria Cleissa, aos 26 anos, e também à Globo o primeiro Leão de Ouro, em todos os anos de exibição dos especiais de Natal da emissora, foi a primeira vez que o Papai Noel das produções foi representado por um homem negro, muito bem representado, aliás, por Milton Gonçalves.

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A Magia Acontece

Outro marco importante a ser ressaltado é que este especial representa o primeiro trabalho autoral de uma roteirista negra na Rede Globo. Lembra do discurso da Viola Davis de que a única coisa que nos falta é a oportunidade? Pois é.

Uma emissora que historicamente negligencia ou promove a estereotipização de atores negres, há momentos em que a Globo parece estar acompanhando a tendência inclusiva do mercado – que, aliás, tem mais uma questão monetária do que humanitária – e há outros em que não parece tanto assim. Vale lembrar que também foi esse ano que, depois de anunciar que 70% do elenco de “Malhação: Viva a Diferença” seria composto por pessoas negras e de ter sua temporada escrita pelos irmãos Eduardo e Marcos Carvalho, do Morro do Salgueiro, a programação foi cancelada depois de 27 temporadas no ar.

Parece absurdo pensar que esta é a primeira vez que uma mulher negra é confiada para escrever uma produção para a Rede Globo, mas também vale lembrar que a emissora não está sozinha na reprodução da negação de voz às pessoas negras. Isso acontece em todas as esferas. Outro bom exemplo é o vídeo que explica a primeira parceria feita entre a Rede Globo e uma marca para esta produção, que também aconteceu em parceira com a agência WMcCann. Apesar de Cleissa ter escrito o texto, todas as outras pessoas entrevistadas para comentar a produção, com exceção do próprio Milton Santos, são brancas.

É por isso que a construção de Cleissa Regina Martins faz a magia acontecer para além das telas. Na continuação, que vai ao ar no próximo dia 19,  há novidades da Família Santos –  Vera (Heloisa Jorge), André (Fabrício Boliveira), Jorge (Luciano Quirino) e Letícia (Gabriely Mota). “Juntos a magia acontece 2” volta a apostar na emoção, mas com novos temas.

“O público pode esperar uma história emocionante, que toca em assuntos importantes, mas que é mais leve que a anterior, até por causa deste momento por que estamos passando. Este ano, temos novos personagens, vizinhos dos Santos, mas a família continua com o protagonismo. Surge o personagem Caio (Pedro Guilherme), um amigo da Letícia que quer muito conhecer o pai biológico e acaba sendo ajudado pelo André na busca”, revela Cleissa.

Cleissa Regina Martins

A roteirista vem ganhando espaço num mercado que sempre foi muito restrito a mulheres, sobretudo mulheres pretas. Formada em Ciências Sociais pela UFRJ e mestranda em Comunicação e Cultura – ECO/UFRJ, a autora tem no currículo vários outros prêmios, como o Best First-Time Filmmaker (Alternative Film Festival 2020 /Canadá) e o The Next Generation (Prince Claus Fund 2019 / Holanda). Além do Leão de Ouro, principal prêmio do mercado publicitário do mundo e que consagra as ideias mais originais e inovadoras do ramo da comunicação.

“Ganhar o Leão de ouro foi muito legal. Acho importante porque foi o primeiro Leão de Ouro da Rede Globo, e ele vem com uma história que tem protagonistas que a TV não olhava, não dava centralidade. O prêmio também veio quase dois anos depois de o especial ter ido ao ar, então mostra a relevância do projeto, o que impulsionou a continuidade este ano. Já tinha vontade de seguir acompanhando a Família Santos, mas a pandemia dificultou muito as produções. Então, acho que o prêmio deu uma energia a mais para que um novo especial acontecesse”, explica a roteirista.

Atualmente, Cleissa está trabalhando na sala de roteiro da terceira temporada de “As Five” (série do Globoplay). 

A paixão pela moda colaborou no desejo de desenvolver a série sobre a inserção dos jovens negros neste mercado.

“A moda é muito elitizada, uma área onde sinto falta de representatividade e sei que é bem difícil para pessoas negras entrarem e se manterem. Então, me interessa saber quem está conseguindo furar essa bolha e como estão fazendo isso. Acho que no audiovisual faltam coisas leves com personagens negros em posições dignas. Quero muito fazer uma comédia romântica, filmes de comédia para a família toda, indo além dos dramas de temas mais pesados. Quero emocionar e contar boas histórias – com protagonistas negros e de um ponto de vista negro – mas espero realmente ter a liberdade de colocar a arte em primeiro lugar, porque acho que isso é negado para a gente também”, explica Cleissa.

Ela começou a delinear seu caminho no cinema em 2014, num curso de cinema no Centro Afrocarioca. Criada em Magalhães Bastos, subúrbio carioca, a roteirista considera importante sua vivência periférica. “Andei muito de trem e conheci bastante a cidade. Estudei no Colégio Pedro II e esse ensino público de qualidade construiu parte do meu capital cultural”, pondera ela que, na fase acadêmica, fez dois intercâmbios, incluindo uma temporada no Canadá para estudar cinema. Sua carreira ganhou impulso em 2017, quando participou do Laboratório de Narrativas Negras da FLUP, o que acabou a levando à TV Globo. 

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