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domingo, 03 julho 2022
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Cabelo crespo não é moda!

No programa Encontro com Fátima Bernardes, na Rede Globo, um convidado rebateu a declaração de uma atriz negra, Jeniffer Dias, sobre a autoaceitação com relação ao cabelo crespo.

Whoopi Goldberg está escrevendo um filme

“(…) Mas aí é moda”, disparou o humorista Marcelo Médici após Jeniffer citar que tinha usado cabelo liso por muito tempo até o processo de autoconhecimento. Em resposta ao humorista, a atriz reiterou “É moda mais ou menos”, quando Marcelo seguiu com seu pensamento dizendo mais uma vez: “É moda”.

Não é moda. Cabelos crespos representam aceitação e reconhecimento de negritudes antes veladas. Se muitos homens e mulheres têm assumido seus cabelos naturais ao mesmo tempo, isso nada mais é que resultado do movimento negro no Brasil, que se popularizou nos últimos anos, discutindo questões antes negadas por uma sociedade estruturalmente racista.

Mais ainda, enxergar a beleza do cabelo crespo do outro é enxergar a beleza do seu próprio cabelo, fator determinante para que as pessoas se sintam representadas e inspiradas a aceitar quem são.

Não é por moda que se mantém um cabelo igual ao dos ancestrais. Não é por moda que se mantém um cabelo difícil de cuidar. Não é por moda que se mantém um cabelo que faz perder oportunidades por causa do racismo. É por resistência.

É por resistência que se mantém um cabelo que cresce livre, hora para cima, hora para os lados. É por resistência que se perde oportunidades mas se perpetua a história e a cultura do nosso povo. É por resistência que o cabelo também se torna um ato político. É por resistência que ouvimos frases como “É moda” é insistimos que não é moda.

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Vinícius Gonçalves
Vinícius Gonçalves
Geminiano, viciado em tecnologia, filmes de terror e cinema.
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