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domingo, 22 maio 2022
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‘Baquaqua’: Única biografia de um negro escravizado no Brasil realiza circuito gratuito no Rio de Janeiro

Baseado em autobiografia de homem escravizado da África ocidental, espetáculo premiado pelo edital FOCA circula pelas lonas e arenas culturais do subúrbio carioca.

Muitos foram os negros africanos que cruzaram o Atlântico em direção ao Brasil na condição de escravos, mas raras foram as vozes que conseguiram traduzir os horrores da escravidão. Mahommah Gardo Baquaqua é uma rara exceção. E é amparado pelos registros publicados na autobiografia “An interesting narrative – Biography of Mahommah G. Baquaqua” que Rogério Athayde desenvolveu a dramaturgia do espetáculo “BAQUAQUA”, que inicia uma importante e necessária circulação totalmente gratuita pelas Lonas e Arenas Culturais do subúrbio carioca. Dirigida por Aramis David Correia e com preparação corporal da premiada atriz Tatiana Tiburcio, a montagem apresenta o ator Wesley Cardozo no papel de Baquaqua e narra a história de vida do homem que foi escravizado e traficado da África para o Brasil durante o século XIX.

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Fruto do edital FOCA, uma iniciativa da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura e Programa de Fomento à Cultura Carioca, a estreia desta circulação acontece dia 06 de maio, às 19h, na Arena Carioca Abelardo Barbosa, em Guaratiba. A apresentação seguinte acontece em Madureira, na Arena Carioca Fernando Torres (13 de maio); Arena Carioca Jovelina Pérola Negra, na Pavuna (09 e 20 de maio); e encerra essa circulação na periferia carioca dia 03 de junho, na Lona Cultural Municipal Terra, em Guadalupe.

“Não é um tema fácil de se tratar. É espinhoso, é triste e é atual, pois seus reflexos ainda estão aqui hoje. Não nos livramos da escravidão; ela permanece no cotidiano de vários ‘Baquaquas’ invisibilizados da nossa sociedade. Três instâncias me motivam a ser um agente de transformação: ser ator, ser professor e ser um homem negro. E, como um agente social, tenho que levar essa história que é nossa e de nossa ancestralidade para o máximo de pessoas que conseguirmos”, resume Wesley, também diretor de produção do projeto.

A peça traz do universo literário para os palcos os relatos de um escravo em um país estrangeiro e nos faz refletir sobre outras milhares de histórias de pessoas que foram sequestradas do continente africano. Só para o Brasil, estima-se que mais de 5 milhões de negros foram traficados e escravizados. Mas por que essa história? Por que entre tantas histórias escolheu-se contar essa?

“Era uma necessidade latente de voltar aos palcos depois de alguns anos e sobretudo com um personagem histórico, que nos convida a olhar para esse tema da memória da escravidão e como foi isso no Brasil e no mundo, só que a partir de um olhar da pessoa que foi escravizada. Então, tem realmente um olhar muito sensível desse personagem. Essa volta ao passado para entender esse presente que a gente está e saber para onde a gente segue”, discorre Aramis.

A trajetória de Baquaqua ilumina parte da história do negro no Brasil, trazendo à tona temas importantes para serem entendidos, como a escravidão, a sociedade escravista, os estereótipos do escravo, dentre outros pontos. O espetáculo vai levar o público aos horrores do passado, a uma reflexão sobre o presente e pretende contribuir para um futuro melhor, ajudando a formar novas gerações mais conscientes e capazes de compreender mais a fundo a real diáspora africana nas Américas.

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Vinícius Gonçalves
Geminiano, viciado em tecnologia, filmes de terror e cinema.
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