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terça-feira, 28 junho 2022
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Arte urbana se une à tecnologia e ganha destaque na programação da Virada Cultural de SP com intervenção ‘Holograma das Ruas’

Intitulada ‘Holograma das Ruas’ a iniciativa nasceu do desejo de dar visibilidade e reconhecer a relevância da arte da pixação enquanto cultura urbana e periférica, que constitui a cidade de São Paulo

Com o objetivo de dar visibilidade e reconhecer a relevância da arte da pixação, enquanto linguagem e cultura urbana da cidade de São Paulo, a iniciativa ‘Holograma das Ruas’ fará projeções a laser de tags de pixo na Virada Cultural de São Paulo, entre os dias 28 e 29 de maio, a partir das 18h até as 04h da manhã. As tags, serão projetadas no Vale do Anhangabaú durante shows de artistas  como Tássia Reis, Don L e Margareth Menezes, que representam ritmos urbanos e periféricos anteriormente marginalizados, como ainda é atualmente a pixação dentro da legislação brasileira.

A idealização do ‘Holograma das Ruas’ é de Diogo Terra, responsável técnico pelas projeções, e do pixador e artista visual M.I.A., que também terá suas tags projetadas na ocasião. Outro artista que também terá suas tags projetadas será o artivista maranhense Jah no Controle, que também é um dos curadores da ação, ao lado de Fernanda Vismoart, que juntos selecionaram uma gama de outros pixadores para compor os “hologramas”. A produção é de Michelle Serra, em parceria com a também curadora, Vismoart.

Um holograma, nada mais é do que uma imagem tridimensional criada a partir da projeção de luz sobre figuras bidimensionais (2D), e dessa forma, cria-se uma terceira dimensão (3D). A partir de uma mensagem artística, e que busca também provocar uma reflexão social, o grupo de artistas, técnicos e produtoras explica que a terceira dimensão neste caso seria a própria rua, ou seja, o próprio cenário urbano que por um lado recebe o pixo, e por outro, também o repudia. 

“O pixo é muito marginalizado na nossa cultura e caracterizado como Crime Ambiental, o que não faz sentido. Porém, quando fazemos uma contraposição de como o ato de pichar é visto no Brasil e por europeus, como os franceses e alemães, nós entendemos a profundidade do debate. Isso porque essa galera é a que mais valoriza a pichação como expressão artística, enquanto no Brasil é criminalizado. E de repente a gente vê essa valorização vindo internacionalmente, com cineastas americanos vindo fazer filme sobre pichação no Brasil, eu mesmo já fiz trampo para artista francês e até mesmo uma capa de disco”, relata M.I.A.

E foi justamente com o intuito de promover este contraponto territorial, e valorizar nacionalmente o pixo, sem infringir a lei, que nasce o ‘Holograma das Ruas’, com a união da arte e da tecnologia, da marginalidade e da estética moderna fruto da união de artistas e agitadores culturais de São Paulo e do Maranhão. O projeto chega à Virada Cultural, um dos maiores eventos da cidade, após a retomada imposta pelo isolamento social do COVID 19, construindo pontes e possibilidades entre pessoas que passam pelos pixos diariamente, mas que os enxergam com preconceito, poderem os enxergar verdadeiramente como arte essencialmente nossa. 

Tal arte é inclusive utilizada como meio de incentivo para que jovens possam conhecer esse meio de expressão, entre outros do segmento, como os stickers, os lambes, o squeeze, e até o próprio graffiti – um dos quatros elementos do Hip Hop, que atualmente já é legalizado. O artivista maranhense Jah no Controle, é inclusive um dos arte-educadores responsáveis por promover oficinas de arte urbana no centro de São Paulo. “Hoje em dia as artes urbanas estão mais em alta, e há muitas modalidades, sendo inclusive a pixação uma das mais praticadas. E isso vem sendo transmitido de geração em geração, a galera vai transmitindo de um pro outro, e rolam muitas amizades, a maior parte das minhas amizades vieram do meio do pixo”, comenta Jah. 

Pintar muros e paredes é uma expressão artística da humanidade desde a pré-história, passando pela antiguidade e desembocando nos movimentos revolucionários e de lutas políticas. Foi nesse contexto que o graffiti – parte dos quatro elementos que compõe a cultura do Hip Hop – surgiu no Brasil nos anos 70, já como um movimento ligado às periferias e à população marginalizada que contestava a Ditadura Militar. Com o passar dos anos, assim como o samba, o rap, e funk, vem cada vez mais conquistando seu espaço e perdendo a característica marginalizada, e sendo valorizados como parte fundamental da cultural brasileira, e de raíz periférica, o caminho da pixação tende ir no mesmo sentido a partir da união de artistas, técnicos e produtores como os que se uniram para a criação do ‘Holograma das Ruas’. 

“O que tem de mais contemporâneo no campo das artes é a pichação. A tipografia do pixo, faz parte da imagética da sociedade então não tem como a gente distinguir e colocar uma barreira entre a arte contemporânea e a pichação. Eu não acredito que as duas coisas caminham juntas porque é uma coisa só, e ter projetos como esse unindo a tecnologia com o pixo só mostra o quão plural é a linguagem do pixo e como a gente consegue alcançar lugares que não imaginávamos através dessa cultura paulistana. Então acho que projetos como esse são de suma importância para tirarmos o estigma de marginalização em torno destes artistas, que são isto: artistas, e não criminosos”, propõem Fernanda Vismoart, produtora e curadora da ação.

SERVIÇO

Virada Cultural de SP – Holograma das Ruas
Data e horário: 28/05 às 18h até 29/05 às 04h
Local: Vale do Anhangabaú
Classificação Indicativa: Livre

FICHA TÉCNICA:

Criação/Conteúdo/Programação: Diogo Terra
Criação/Conteúdo/Design gráfico: João França Massive, o M.I.A 
Criação/Conteúdo: Raimundo Nonato, o JAH no Controle 
Coordenação de produção: Michelle Serra
Criação/Produção: Fernanda de Deus Vismoart
Registro/Criação: José Eduardo Moreau Cunha 
Criação/Assistência de programação: Ayo Lima
Criação/Assistência de programação: Eunice Eunice 
Produção: Rodrigo Olegário

Sobre o Holograma das Ruas

O ‘Holograma das Ruas’ é uma ação de impacto social que visa promover e valorizar a cultura paulistana da pixação em âmbito nacional, a partir da Virada Cultural de São Paulo com ambição de expandir para outras regiões. Idealizada pelo programador e iluminador Diogo Terra, e pelo pixador e grafiteiro M.I.A., com produção de Michelle Serra, ao lado de Fernanda Vismoart, também curadora das tags, em parceria com Jah no Controle, que além de curador, também é um artista maranhense que possui suas tags projetadas na ação de artes visuais. Partindo do termo holograma que propõem uma configuração 3D, o grupo artisticamente faz uma reflexão social e coletiva da própria rua como essa terceira dimensão responsável por compor este holograma. Marginalizada e criminalizada nacionalmente, mas reconhecida e valorizada internacionalmente a pixação vem se tornando cada vez mais tendência entre as das modalidades da arte urbana entre a juventude periférica, e o grupo acredita que ações como o ‘Holograma das Ruas’ tende a impulsionar e quebrar os tabus em torno destes estigmas negativos. 

Sobre Diogo Terra

O artista visual e iluminador tem como ferramenta a luz, que utiliza para projetar a experiência de manifestações, exposições, festas, festivais e shows, já tendo atuado em diversos estados do Brasil e em países como a Alemanha e Letônia. Fazendo light design, ele tem desenvolvido trabalhos junto à festa Batekoo, que acontece em diversas capitais do Brasil, ao festival Vai Tapajós, em Santarém, no Pará, e aos shows de Luiza Lian, Giovani Cidreira, entre outros. Tem larga experiência com criação em laser, tecnologia e já realizou mapping de grande escala em ações do Festival de Natal da Capital Paulista. Diogo também integra o projeto Quebrada Viva, criação de Michele Serra, em que artistas são convidados para terem suas frases projetadas em locais periféricos, enquanto promovem a conscientização da população ou executam manifestações artísticas. Participou também como artista visual nos Bailes Modernistas realizados pela Secretaria de Cultura de São Paulo, no Centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, evento para o qual se uniu na criação aos pixadores Massive M.I.A. e JAH no Controle. Junto aos dois artistas, Diogo tem realizado intervenções espontâneas no centro de São Paulo.

Sobre M.I.A

Jovem negro natural do bairro do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, aos 13 anos de idade teve seus primeiros contatos com a arte urbana através de seu irmão mais velho, que era pixador e, que por anos, espalhou a tipografia da pixação em vários grupos e gangs que compunham a cena de 1997 a 2005. Suas intervenções fizeram-se presentes no imaginário paulistano de forma impertinente e intensa. Ganhou notoriedade em 2016, após as intervenções no Monumento às Bandeira e Estátua do Borba Gato e, em 2018, na ação OLHAI POR NÓIS no Pateo do Collegio, sítio arqueológico de São Paulo, primeiro núcleo de catequização jesuíta no Planalto e marco do genocídio indígena. Com a intenção de traduzir o cenário de uma sociedade que desde os primórdios tem caráter preconceituoso / discriminatório e que sustenta um modelo de ‘apartheid cordial’ – alicerce da formação brasileira – o artista plástico João França, mais conhecido como M.I.A. @massive_mia (MASSIVE ILEGAL ARTS) vem colorindo e mostrando em suas ações e performances o quão inaudível ainda é a voz das massas que construíram esse país.

Sobre JAH no Controle

JAH no Controle é natural de São Luís sempre se interessou pelos pixos e grafites de sua cidade natal, participando da cena local ainda na sua adolescência. Por ocorrências da vida, em meados dos anos 90, JAH se viu em meio a grande metrópole paulistana entre o caos pela sua sobrevivência e as artes espalhadas pela cidade de São Paulo. Seu interesse sempre vigente pela arte urbana ganha ainda mais potencialidade em 1994 quando começa a sua trajetória pelas tags e pichações. Trabalhando nas ruas do centro de São Paulo como ambulante, seu conhecimento das ruas da cidade lhe possibilita estar onde poucos paulistanos já tiveram acesso. Militante por moradia digna, JAH traz analogias entre o controle mundialmente conhecido e a resistência que significa se instalar pela grande cidade de São Paulo. Leva para as ocupações artísticas seu conhecimento com as artes promovendo “Laboratórios urbanos”, Tem experiências em casa amarela, Anhagabaroots  e atualmente é um dos moradores da ocupação Ouvidor63, maior ocupação artística da América Latina. Suas tags espalhadas pela cidade são um marco.

Sobre Michelle Serra

Produtora cultural desde 2016, Michelle Serra é considerada como uma polinizadora de gentileza. Já atuou como Produtora de artistas como a Banda Black Rio, Grooveria, Rosa Luz e Brisa Flow, Joabe Reis, dentre outros. Atualmente Michelle lidera o projeto Quebrada Viva, uma série de projeções, amplificando e ecoando vozes de poetas e artistas periféricos com intervenção urbana por meio do laser. Seu último trabalho foi como Produtora executiva ao lado do Artista Visual Diogo Terra nos Bailes Modernistas realizados pela Secretaria de Cultura de São Paulo no Centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, evento para o qual se uniu na criação aos pixadores Massive MIA e JAH no Controle projetando via laser suas tags. Na militância desde jovem, faz parte da liderança política local que executa projetos sociais que atendem diversas famílias através de chamados públicos de arrecadação de mantimentos para pessoas vulneráveis.

Sobre Fernanda Vismoart

Mulher negra e mãe de três, a agitadora cultural busca na força feminina de artistas urbanas referências que engajem a essência e o pulsar criativo. Acredita que tudo o que é vivido tem sua relação intrínseca com o verdadeiro corre das ruas.

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Cristhiane Faria
Cristhiane Faria
Cristhiane Faria aka Nega Cléo é poeta, slammer, modelo, dançarina, arte-educadora e Fundadora da GRIOT Assessoria, agência de Relações Públicas com a missão de perpetuar as histórias de artistas, eventos, projetos culturais e criadores de conteúdo pela mídia e na internet. | Contato: [email protected]
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