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terça-feira, 07 dezembro 2021
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Arte, ascensão e resistência

Por que o negro artista que sobe no pódio e ganha o seu incomoda tanto?

Alguns acontecimentos marcaram as últimas semanas. Emicida foi convidado para o programa Roda Viva, Beyoncé lançou o filme “Black Is King”, atores negros foram indicados ao Emmy, a marca FENTY Beauty da Rihanna pode chegar ao Brasil, e por aí vai. Todas essas conquistas se assemelham, não só por representar a raça, mas também por serem alvos de críticas sem fundamentos. Os exemplos citados mostram que o negro pode chegar ao poder e deve usar a sua arte ao seu favor, precisa se expressar com consciência e responsabilidade. Emicida que, mesmo sendo um homem culto e por muitas vezes resgatou os sonhos da juventude, teve que responder sobre o preço do moletom fabricado pelo Lab Fantasma, a empresa constituída por pretos e pretas e que dá oportunidade para a “quebrada” vencer na vida; Beyoncé, que novamente foi vítima de comentários que desmereciam a sua negritude e seu posicionamento no movimento negro e Rihanna foi questionada sobre ter uma marca de luxo. Por que os negros não podem?

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A associação direta que se faz com a cor da pele e a renda é inevitável. Enquanto os negros simplesmente não podem demostrar riqueza e conquistas (como se ele tivessem pacto com a pobreza), os brancos ouvem aplausos quando ostentam e contam como chegaram tão longe. Pretos e pretas ainda são desvalorizados e acusados de serem “vendidos”, principalmente no meio artístico. A cultura negra sempre foi riquíssima e sua arte é parte do povo. Demorou muito para que os pretos e pretas se vissem no cinema, na música, no teatro, na TV, entre outros locais artísticos. E mesmo assim, o caminho para a representatividade de fato é longo. Muitos tiveram a sua arte apagada e esquecida e nenhum retorno monetário. Benjamin de Oliveira foi ator, compositor, cantor e o primeiro palhaço negro do Brasil, mas a sua história foi deixada de lado até alguns anos atrás.

Muitas das críticas vêm de pessoas que nunca acompanharam o trabalho do Emicida, da Beyoncé e da Rihanna, por exemplo. Qual o problema de uma cantora ter uma marca de luxo? O dinheiro é uma forma de empoderamento e isso não deve ser questionado. A Rihanna está aí para provar que uma mulher negra também pode ter luxos e ser da alta sociedade, a Beyoncé sempre usou a sua arte para se expressar e fez muito mais que isso. O Emicida se tornou um empresário, que sabe o valor do trabalho e por isso cobra um preço justo nas peças. Mesmo com todas as conquistas, o cantor teve que responder sobre a apologia que, supostamente, o rap faz ao crime, e a resposta do rapper não poderia ter sido mais certeira: “Apologia ao crime é a forma que o brasileiro vive.” Cada uma dessas situações mostram a importância de se ter mais negros em todos os lugares, ocupando os espaços, os cargos altos e mostrando cultura, trabalho, arte e resistência.

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Maria Angélicahttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Tenho 22 anos, sou nascida e criada no litoral, caiçara com muito orgulho. Além disso, também sou formada em Comunicação Social - Jornalismo. Sempre me encantei com o poder das palavras e por isso sinto que o jornalismo me escolheu, durante a minha breve trajetória profissional tive a oportunidade de contar histórias lindas e é o que pretendo continuar fazendo.
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