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segunda-feira, 15 agosto 2022
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O algoritmo é racista afinal?

Acompanhe o debate a respeito de denúncias feitas por diversos influenciadores digitais negros. Afinal, o algoritmo é ou não racista?

O algoritmo é racista? Bem, sim. Há algum tempo temos intelectuais discutindo o assunto. Um exemplo é a RP, mestra e doutorando em Ciências Humanas pela UFABC Taís Oliveira. E outro o pesquisador, produtor cultural, mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA e doutorando em Ciências Humanas Tarcizio Silva. Tarcizio inclusive organizou recentemente o livro Olhares Afrodiaspóricos, que “busca combater uma lacuna na academia brasileira: reflexões sobre a relação entre raça, racismo, negritude e branquitude com as tecnologias digitais como algoritmos, mídias sociais e comunidades online.”

No último final de semana, diversos influenciadores digitais negros fizeram publicações no Instagram com imagens de pessoas brancas. O objetivo era comparar o alcance destes posts com os posts de suas próprias imagens e denunciar como o algoritmo da rede social é racista. Acompanhe alguns dos posicionamentos.

A “moda” antirracismo pega?

Denúncia de algoritmo racista: Sá Ollebar

https://www.instagram.com/p/CGMC9PuDfR8/

Sá Ollebar fez uma série de vídeos em seu perfil no Instagram falando sobre como o algoritmo da rede é racista. Ela fez testes em seu próprio perfil em que usava fotos de mulheres brancas que tinham um engajamento muito maior do que quando usava suas próprias redes. Em um de seus posts, ela diz: “Antes eu pensava que meus posts não apareciam pq eu não tinha a casa perfeita, a floresta perfeita e não morava na praia. Hoje eu moro na praia, construí uma casa de quase 400m2, tenho mais de 600 plantas e adivinha? Não adianta! Preciso de ajuda e não é porque sou incapaz, ao contrário sou tão capaz e persistente que continuo usando meu dinheiro pra aprender mais e mais sobre como fazer meu trabalho melhor, ao invés de usá-lo pra clarear minha pele e fazer cirurgias plásticas pra mudar meus traços.”

Yuri Marçal: o algoritmo é racista ou estamos celebrando o outubro branco?

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na moral, vai nos stories

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Depois disso, outros influenciadores falaram sobre seus próprios alcances e engajamentos. Yuri Marçal foi um deles, que usou um vídeo (dublado por ele) de Gabriela Priori, que já estava próximo de alcançar 600 mil visualizações.

Gabi Oliveira

Já Gabi Oliveira, do canal De Pretas, diz que a lógica do teste não faz sentido. De acordo com ela, apesar de sabermos que o algoritmo é racista, há também um fator de curiosidade de quem está visualizando. As fotos postadas não condizem com as fotos dos donos do perfil, por isso, as pessoas vão olhar e o post tem mais engajamento.

Ainda não está convencide?

Outras páginas, que não são alimentadas com informações de uma página especificamente, também se posicionaram. Uma delas foi a página Falando de Racismo, que compartilhou seus resultados de alcance e engajamento.

Nos testes da página, uma foto com uma pessoa negra recebeu 8.216 curtidas, 661 visitas ao perfil e 47.767 de alcance. Já a foto que mostrava uma mulher branca teve os seguintes resultados: 36 mil curtidas, 15.998 visitas ao perfil e 202.120 de alcance. E aí? O algoritmo é ou não é racista?

Olhares afrodiaspóricos

Comunidades, algoritmos e ativismos digitais: olhares afrodiaspóricos. Organizado por Tarcizio Silva. (Foto: Reprodução)

As denúncias são uma boa forma de pensarmos nestas questões e de levantar discussões. No entanto, para uma análise sobre o assunto, o livro Comunidades, algoritmos e ativismos digitais: olhares afrodiaspóricos, organizado por Tarcizio Silva e lançado pela editora LiteraRUA. A LiteraRUA também é a responsável pela ANTOLOGIA INSPIRADA NO UNIVERSO DA MIXTAPE PRA QUEM JÁ MORDEU UM CACHORRO POR COMIDA, ATÉ QUE EU CHEGUEI LONGE… Enfim, o livro organizado por Tarcizio está disponível gratuitamente na versão PDF aqui.

Segundo o próprio site, “a obra reúne 14 capítulos de pesquisadoras e pesquisadores provenientes do Brasil e países da Afrodiáspora e África, como Congo, Etiópia, Gana, Nigéria, Colômbia, Estados Unidos e Reino Unido. O capítulo de abertura é de Ruha Benjamin, ativista e professora da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Pela primeira vez traduzido ao português, seu trabalho discorre sobre a “imaginação carcerária” imbricada nas tecnologias do Ocidente, da escravidão até o reconhecimento facial de hoje.”

Além disso, o Emicida assina o prefácio! A versão impressa também está disponível no site. E aí? Tem algo a acrescentar? Por aqui, também acompanhamos o quanto nossos posts alcançam em visualizações. Que tal interagir com a gente?

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