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sábado, 28 março 2020
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8 de Março é Dia da Mulher Negra?

(Foto: Reprodução Google)

8 se março, Dia Internacional da Mulher: o dia das flores, das mensagens, dos abraços e do reconhecimento. Mas hoje é também Dia da Mulher Negra?

Enquanto mulheres brancas lutam por equidade com relação a homens, mulheres negras lutam primeiro para se equiparar, em igualdade, às mulheres brancas.

É essa parcela socialmente marginalizada que chora maiormente as duras penas do desemprego, que sente maiormente pelas perdas de seus filhos nas chacinas, que visita seus familiares nos presídios, que sofre violência doméstica e obstétrica.

Mulheres negras têm sua saúde mental questionada cada vez que se põem contrárias à alguma coisa, porque carregam como fardo o estereótipo de barraqueira.

São essas mulheres, de força ancestral, que preenchem menos vagas de liderança nas empresas. Ao mesmo tempo, são elas as mulatas que divertem funcionários com sua chamada beleza exótica.

Mulheres negras são, tantas vezes, a parcela de mulheres que têm todos motivos para chorar, mas não chora. Não porque não quer. Mas porque não pode ou não tem tempo. Porque não se pode dar ao luxo de sentir.

São a base dessa pirâmide. Uma base sólida, que tantas vezes nem se soube negra por toda a vida. Uma frente que se enxerga agora ao se olhar no espelho ou ainda vai se enxergar.

Mulheres negras, hoje ainda não parece o seu dia. Deviam ser vocês quem cuidava dos filhos das mulheres brancas que iam às ruas no passado para pedir direitos.

Os tempos parecem mudar. Aos poucos, mas parecem. Mas também parecem retroceder a cada Luyara Santos que perde sua Marielle. A cada mulher negra e marginalizada morta sem espaço nos cemitérios superlotados.

Diante de tudo isso e de tanto mais, não há problema em chorar ou brigar. Chorem quando quiserem, sem medo de não segurar o mundo. Briguem quando precisarem, sem medo de fortalecer estereótipos.

Sejam o que quiserem e quando quiserem ser. Antes disso, sobrevivam. Que nenhuma violência doméstica ou obstétrica seja capaz de tirar suas vidas ou sua saúde. Que seus filhos cresçam fortes e nenhum sangue negro da juventude escorra pelo chão que esse dia não vê. Que encontrem crescimento profissional e sejam reconhecidas por sua capacidade.

Que olhem criticamente, mas que não adoeçam com essa realidade árdua. Aos poucos, chegaremos lá. Um dia esse dia será nosso também. Ou então criaremos um novo, ainda mais bonito, talvez sem rosas ou ainda com o vermelho apenas delas – e de mais nada.

Amanda Sthephaniehttp://www.todosnegrosdomundo.com.br
Preta. Pobre. Poeta. Periférica. Prounista. Filha de Oxum, tem paixão pela palavra e estuda o último ano de Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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